Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Filósofo e crítico cultural marxista adverte: está em jogo a democracia; se Syriza for atropelado, vencerá uma Europa de chumbo

Por Slavoj Žižek, no Greek Left Review | Tradução Vila Vudu

A luta que se trava hoje é luta pela cultura econômica e política dominante (Leitkultur) na Europa. As potências da UE defendem o status quo tecnocrático que preserva e mantém há décadas a inércia da Europa.

Em suas Notas para uma Definição de Cultura, o brilhante conservador T.S.Eliot ensina que há momentos nos quais a única escolha que há é entre a heresia e a não crença — nestas horas, a única maneira de poder manter viva uma religião é fazer um corte sectário no âmago do corpo principal.

Essa é nossa posição hoje, em relação à Europa: só uma nova “heresia” (representada hoje pelo Syriza) pode salvar o que ainda vale a pena salvar do legado europeu: a democracia, a confiança no povo, a solidariedade igualitária.

A Europa que vencerá, se o Syriza for atropelado, é uma “Europa com valores asiáticos” (o que, é claro, nada tem a ver com a Ásia, mas tem tudo a ver com a tendência visível e atual no capitalismo contemporâneo, de suspender a democracia).

Nós, da Europa Ocidental gostamos de olhar para a Grécia como se fôssemos observadores distanciados que acompanham, com compaixão e simpatia, o suplício de uma nação empobrecida. Esse confortável ponto de vista repousa sobre uma ilusão fatídica. Verdade é que o que se passa na Grécia nessas últimas semanas nos diz respeito a todos: o que está em jogo é o futuro da Europa. Portanto, quando lemos sobre a Grécia desses dias, não nos esqueçamos que, como diziam os antigos, de te fabula narratur [a fábula fala de ti].

Fonte: Blog da Redação: Outras Palavras

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais – artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista – com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho