Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Vitória do Bloco de Esquerda no Congresso do PSOL de Minas Gerais

Nos dias 16 e 17 de outubro, realizou-se o Congresso Estadual do PSOL Minas. Era perceptível o crescimento do partido no estado pela presença de um grande número de jovens, muitos  dos quais estava participando de seu primeiro congresso partidário, oriundos de todas as partes de Minas Gerais.  Visível também que a grande diversidade de militantes que o PSOL é capaz de comportar estava presente também aqui em Minas, com estudantes, trabalhadores do campo, da cidade, das vilas e favelas; pessoas, enfim, de diferentes classes sociais unidas na luta pelo socialismo.

Essa ambiência de democracia interna que saltava aos olhos, porém, já havia sido maculada antes mesmo que se iniciassem os trabalhos do Congresso, de forma lamentável, pela própria executiva nacional do partido, composta, majoritariamente, por membros da Unidade Socialista.

Uma grande quantidade de plenárias havia sido anulada por conta de formalismos os mais rasteiros, sem que se pudesse perceber nelas qualquer sombra de fraude ou de manipulação deliberada. A US derrubou plenárias em que haviam comparecido dezenas de militantes, com a eleição de vários delegados, pelo fato de o intervalo de meia hora previsto entre a apresentação de teses e a votação ter sido desrespeitado em apenas um ou dois minutos no lançamento dos horários nas atas, com isso tentando inviabilizar metade da bancada de Minas Gerais. Curiosamente, a US parecia bem mais elástica ao avaliar outros critérios de validade das atas, como, por exemplo, o tempo necessário para o envio das atas, não havendo nenhuma plenária anulada por falhas dessa natureza. Isso ocorreu pois a Unidade Socialista sairia perdendo bastante caso esse critério fosse aplicado, já que não enviou grande parte das atas que a beneficiavam a tempo.

Claramente, um peso e duas medidas ao se aplicar o regimento do Congresso. Rigidez na aplicação, quando se prejudica o Bloco de Esquerda, e total elasticidade, quando se beneficia a US, que só conseguiu “tratorar” a lógica e a razoabilidade por possuir maioria na comissão organizadora do Congresso.

O Congresso foi, por isso, marcado por uma profunda indignação do Bloco de Esquerda por essa traição da executiva nacional contra a democracia interna do partido e para com as bases que, havendo se mobilizado, muitas vezes com sacrifícios pessoais, para participar ativamente da vida partidária, tiveram seu direito a voz e voto cassados por conta do burocratismo da US que, além de tudo, parece ser seletivo e direcionado para benefício próprio.

A política do Movimento Esquerda Socialista para este Congresso foi exatamente na contramão das propostas retrógradas da US, e seguindo os anseios daqueles que foram às ruas em Junho de 2013 e clamaram por uma política diferente da que sempre tivemos, diferente dessa proposta pelo lado burocrata do partido. Ouvir as vozes de Junho significa pensar uma política que é feita de baixo para cima, e que precisa se refletir dentro do nosso próprio partido. Isso significa dar mais poder às nossas bases, acabando com a hegemonia de qualquer setor no Diretório Nacional e radicalizando a democracia dentro de todas as instâncias do partido.

No Congresso, após acalorados debates, o Bloco de Esquerda, que mesmo alijado pelas manobras casuística da US conseguiu, ainda, ter a maioria de delegados presentes, aprovou medida que permitia aos delegados cujos direitos de voz e voto haviam sido cassados pela arbitrariedade da Executiva Nacional portarem crachás de cores diferentes e terem seus votos registrados em atas separadas, para futuro questionamento legal ou político, restando, então, revelado que, ao contrário do que declararam militantes da US, o mais prejudicado pela rasteira burocrática da Executiva Nacional havia sido o Bloco de Esquerda.

A partir de então, verificou-se uma série de vitórias democráticas, todas elas do Bloco de Esquerda, que culminaram com a eleição da militante do MES, Sara Azevedo, para a presidência do partido no próximo mandato.

A companheira Sara Azevedo tem todas as características necessárias para responder à altura às críticas formuladas pelo bloco formado entre Unidade Socialista e membros do antigo coletivo Isegoria à antiga gestão, que caminhavam sempre no sentido de um engessamento do partido em Minas, da falta de transparência na gestão e a uma série de outras questões administrativas e internas.

Sara tem a energia e o trânsito necessário para dialogar com as diferentes correntes e tendências do partido, além de, por seu histórico de militância, apontar que o caminho para a construção de um PSOL coerente, unido e atuante no estado, não passa pelas concessões pragmáticas e eleitoreiras definitivamente, sem nenhuma identidade guardavam com o programa do partido.

A companheira, professora da rede pública estadual, mulher, militante LGBT, jovem e nortista, organizou e fez crescer a militância do MES em todo o estado com muita luta, atividade incessante e colaboração próxima de uma corrente que sai, do último Congresso, como uma das mais fortes de Minas e será capaz de fazer o PSOL de Minas crescer com coerência, diálogo, transparência e luta, pela esquerda, rumo às exigências impostas por esse período de ataques aos direitos dos trabalhadores e minorias.

O Congresso, com a vitória do Bloco de Esquerda e a eleição da companheira Sara, é um marco na renovação do PSOL de Minas Gerais. É uma vitória das bases, que querem os espaços de direção do partido sejam ocupados e representados pelas diversas pautas de luta da sociedade. A cada vitória do Bloco de Esquerda, nosso partido fica mais próximo daquele no qual nos filiamos: popular, coerente e radical.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin