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Vitória da oposição sindical nacional no Banco do Brasil

Nesta segunda-feira, dia 09/03, conhecemos o resultado da eleição para representante dos funcionários no conselho de administração do Banco do Brasil (Caref). Disputaram a vaga, na fase do segundo turno, Rafael Matos – ligado à Articulação/PT, apoiado pela maioria dos sindicatos e pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) – e Juliana Donato – da Conlutas, delegada sindical de base, apoiada pela maioria dos grupos e sindicatos de oposição à direção nacional. Simbolicamente ambos de São Paulo, centro da burocracia sindical bancária.

Juliana venceu por 27196 votos a 20575 votos de Rafael. Um resultado praticamente inacreditável levando em conta a máquina das entidades.

Essa representação dos funcionários foi estabelecida para as empresas públicas e de economia mista pela lei nº 12.353 de 2010. Porém a própria lei veda a participação do representante nas discussões e deliberações sobre assuntos que envolvam relações sindicais, remuneração, benefícios e vantagens.

Mesmo com essa grande limitação, o processo da eleição está sendo utilizado pelos setores de oposição de esquerda à direção da Contraf/CUT justamente para debater essa restrição e para denunciar a burocratização e o atrelamento de grande parte das direções sindicais à direção do banco e ao governo federal.

Foi uma vitória acachapante da oposição, uma demonstração do imenso desgaste das direções burocratizadas e governistas, que propositadamente confundem papéis e deixam os bancários a mercê do assédio moral, das péssimas condições de trabalho, do adoecimento e dos salários incompatíveis com nossas responsabilidades e necessidades.

O resultado dessa eleição, sem dúvida, é o desdobramento sindical do rechaço e questionamento às instituições e à falta de representatividade, sentimento bem mais presente nos bancos públicos, que sofrem mais diretamente as consequências do não enfrentamento ao governo, que em última instância é o nosso patrão.

Importante destacar nossa atuação enquanto bancários do MES, apoiando a campanha em Porto Alegre, Ribeirão Preto e organizando a campanha no DF, onde a diferença absoluta de votos foi a maior do país (cerca de 2 mil votos) e a percentagem ficou em 71% de votos para Juliana, um dos maiores percentuais.

Além disso, é fundamental a leitura de que essa vitória pode gerar um efeito cascata nas eleições sindicais que estão por vir. Embora nas eleições dos sindicatos hajam bem mais elementos atravessados que podem de certa forma distorcer a expressão da indignação, teremos neste ano e no próximo importantes processos eleitorais que podem ser influenciados por esse processo. Além de manter sindicatos importantes – como o do Espírito Santo, com eleição agora no final de março –, a oposição pode ter desempenhos importantes como no sindicato do Rio de Janeiro com eleição em abril – marcando forte presença política e a unidade da esquerda em uma chapa ampla –, e inclusive tem chances reais de vencer as eleições de sindicatos importantes, hoje dirigidos pela Articulação, como Ceará (junho deste ano) e Distrito Federal (março do ano que vem), um dos maiores sindicatos de bancários do país. Baseados no histórico de desempenho da oposição nesses lugares e na nova situação política podem ser pólos de desenvolvimento de uma transformação inicial que desencadeie algo mais estrutural no movimento sindical bancário nacional.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

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