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Um terceiro campo contra o imediatismo!

Por Rigler Aragão, professor e militante do MES

Os tempos encurtaram e a vida política acelerou novamente. Ninguém ousa dizer que a política não esteja eletrizante. Depois de Junho de 2013 o povo tomou gosto pela rua, isso sem dúvida é um avanço independente de suas motivações. O aprofundamento da crise econômica combinada com uma crise política deixa a conjuntura mais desafiadora para aqueles que buscam uma saída verdadeira para o povo. Pois para muitos da esquerda que, esperavam um período de instabilidade política para canalizar a indignação popular, esqueceu que a burguesia também pode criar alternativas e mobilizar setores populares para defender seus interesses de classe. Assim estamos vendo uma falsa polarização entre dois campos que disputam as massas para aplicar o mesmo plano de medidas que atacam os direitos dos trabalhadores. É só observamos as principais votações no Congresso Nacional, um verdadeiro jogo de cena, entre o campo dirigido pelo PT/PMDB e o outro PSDB/DEM, por exemplo, aprovação das MP 664 e 665 que atacou direitos previdenciários. O PT votou a favor e o PSDB e Cia contra, já sobre o PL da terceirização, o PT vota contra e o PSDB a favor. O PSDB apenas se aproveita do escândalo do Petrolão para se diferenciar, mas não consegue. Pois, tem vários deputados na lista de beneficiados do esquema de financiamento de campanha eleitoral, e não faz nenhuma crítica mais contundente sobre a política econômica de Dilma por que é a mesma que aplicaria e tem acordo com ela, por isso, não apresenta outra.

Todo esse dinamismo político não acontece somente no Brasil. É parte dos desdobramentos e da profundidade da crise internacional que faz com que aumente o acirramento e cause maior polarização da luta de classe. Assim vimos as Revoluções Árabes, ocupações dos espaços públicos, ruas e praças na Grécia e Espanha. Se lembrarmos desses movimentos no seu inicio em 2011 com o movimento dos indignados tínhamos muitas dúvidas para onde poderia ser canalizado, ou se perderia no caminho por não se construir uma direção mais orgânica e conectada com o sentimento das ruas, uma estrutura política que explorasse todos os espaços para potencializar e apresentar no horizonte verdadeiras mudanças, ou seja, que possa disputar o poder. É nesse momento que nos é colocado o desavio de constituir o novo, um terceiro campo, que forme novos lutadores abertos a novas formas de organização para lutar, deixando para traz as velhas direções traidoras e conciliadoras de classe. Esse terceiro campo não é algo exato e de mão única, é um processo que pode ser lento, ora se acelera e em outro momento refluir, ou seja, não há formula e nem caminho curto para se chegar. Assim os gregos e a experiência com Syriza vêm demonstrando, mesmo que os mais pessimistas digam que o Syriza está se perdendo em suas contradições, o povo Grego aprofunda sua experiência e a radicalidade contra os planos de austeridade, mas sem uma alternativa política, isso poderia estar sendo muito mais lento.

É natural que, no cenário político de disputa, muitos trabalhadores e movimentos populares sérios sejam deslocados para um dos polos, porque não conseguem enxergar uma alternativa viável a curto prazo que possa expressar seu descontentamento. Por isso, estamos vendo setores populares sendo canalizados pelo sentimento de indignação com a corrupção e instabilidade econômica, expressos nos atos do dia 15/03 e do dia 16/08. Por outro lado há alguns setores combativos que vendo a polarização e avaliando um fortalecimento da direita clássica e de posições até fascistas, pensam está do lado do mal menor (PT/PMDB). Há ainda aqueles que não vendo nenhuma alternativa, se fecham em suas lutas sindicais numa conjuntura de lutas importantes, mas ainda fragmentadas, achando que estão respondendo o suficiente à falsa polarização apresentando alternativa a sua base, em todos os casos são ações que respondem ao imediatismo devido às pressões conjunturais. Mas o atual cenário de crise econômica e política ainda irá se desenvolver ora em ritmo mais acelerado ora mais lento, e para isso temos a necessidade de pensar em construir uma alternativa política que não necessariamente responda ao imediatismo, pois ficar observando em determinado momento não significar não ter política, mas acompanhar os desdobramento e as condições para aplicar uma política. Portanto, não será se aliando a um inimigo que derrotarei o outro, ou priorizando a luta do meu movimento isolado que responderei positivamente por mais combativo que seja.

Como alternativa a uma política imediatista, o terceiro campo é necessário. Um campo que componha os setores combativos que estão nas greves e nas ocupações que, aproxime uma nova leva de lutadores que surgem da luta concreta por direitos. Um campo que combine a luta sindical com a luta política, desmistificando enquanto um campo apenas eleitoreiro, pois, um campo combativo só poderá se desenvolver a partir da luta dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda, combinando a ação direta das massas e a disputa eleitoral para o acumulo de força. Aproveitando toda experiência dos levantes e vitórias eleitorais da classe trabalhadora que, mudaram a política na América Latina e as novas experiências que surgem na Europa, principalmente na Grécia e Espanha.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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