Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Por: Dominique Lerouge

Fonte: VientoSur


Em janeiro de 2011, surgiu uma imensa esperança de bifurcação na história da bacia mediterrânica, e mais além:
– na região árabe, a onda revolucionária que emergiu na Tunísia se propagou rapidamente a um bom número de países;
– o exemplo da ocupação da praça Tahrir no Cairo inspirou diretamente aos “Indignados” dos “movimentos das praças” contra a austeridade neoliberal na Grécia ou no Estado Espanhol.
Cerca de cinco anos mais tarde, a contrarrevolução avançou de forma indubitável em particular com:
– os massacres organizados por Bashar Al-Assad e as forças islâmicas na Síria.
– a volta do Egito de um poder militar ainda mais repressivo que o de Mubarak.
Por outro lado, a guerra assola numerosos países da região e em particular na vizinha Líbia.
A situação na Tunísia deve ser abordada neste marco.

1- Um poder restauracionista

Desde janeiro de 2015 o poder é exercido por uma coalizão dirigida pelo Nida Tounès. Este partido se situa em continuidade com os governos da época de Ben Ali. Nida incluiu em seu governo de coalizão com o partido islâmico Ennahda, seu adversário antes das eleições de outubro de 2014. /1.

O primeiro objetivo do poder é frear o processo revolucionário na Tunísia e restaurar a ordem capitalista neocolonial ditada pelas multinacionais europeias, as instituições financeiras internacionais e a União Europeia no país.

Para conseguir isso, depois do atentado terrorista de Susa/ 2 , proclamou o estado de urgência com o objetivo de restringir as liberdades democráticas, combater as greves e asfixiar a mobilização social/3. Os objetivos particulares do Ennahda são: não sofrer a mesma sorte de seus primos egípcios condenados a morte ou encarcerados pelo regime militar, obter a impunidade de seus dirigentes (envolvidos em corrupção e implicados com violência), manter em seus cargos as milhares de pessoas que foram instaladas no aparato do Estado depois de seu acesso triunfal ao poder em 2012.

O objetivo concreto que persegue Nida Tounès era assegura a impunidade aos corruptos da era Ben Ali (projeto de lei chamado de “reconciliação econômica” /4).

2. O encadeamento dos fatos desde 2011

Em 17 de dezembro de 2010, surgiu uma onda de mobilizações que teve sua origem na juventude das regiões mais empobrecidas e na qual a esquerda sindical e associativa estava muito envolvida. Como consequência, a adesão à insurreição revolucionária do movimento de estudantes secundaristas e dos habitantes dos bairros populares, em particular na capital Tunis, fez possível sua extensão ao conjunto do país. Em 14 de janeiro, o ditador Ben Ali se viu obrigado a abandonar o poder.

Convém assinalar que as organizações islâmicas não participaram deste processo. Uma parte de seus quadros estavam então no exílio e outra parte na prisão.
Entre março de 2011 e dezembro de 2011, o notável do antigo regime Beji Caid Essebsi, retirado da vida política há mais de vinte anos, se converteu em chefe de governo. Conseguiu, não sem dificuldades, colocar o rio de volta a seu leito, o que acentuou o distanciamento de uma parte da juventude e o movimento operário.

Depois da vitória eleitoral do partido islâmico Ennahda em 23 de outubro de 2011, Essebsi anunciou sua retirada da vida política. Depois estrepitosamente voltou atrás em sua palavra, fundando o partido Nida Tounes. Este aglomerava em torno da sua pessoa diferentes tradições políticas, unidas em um discurso de rechaço quase visceral do islã político.

Em 2012 e 2013, a política dos governos dirigidos pelo Ennahda /5 esteve centrada nos objetivos de prosseguir a política neoliberal, infiltrar-se no aparato do Estado, islamizar a sociedade, por em questão os direitos das mulheres e organizar e/ou encobrir a violência contra o movimento social e a esquerda.

Neste marco, se levantaram milícias islâmicas, entre elas as “Ligas de Proteção da Revolução” (LPR). Assim, pregadores islâmicos reacionários do Oriente Médio circulavam livremente pela Tunísia. O Presidente da República Marzouki acolheu oficialmente alguns deles no palácio presidencial, assim como os dirigentes das LPR/6.

Ocorreram importantes mobilizações contra as tentativas do poder de colocar em xeque os direitos das mulheres, contra as violências das milícias islâmicas e do próprio poder (disparos da polícia sobre a população de Siliana, ataque à sede da UGTT, assassinato de dois dirigentes da Frente Popular, etc.)/7.

Finalmente, em janeiro de 2014, o governo de Ennahda /8 se viu obrigado a demitir-se (ver mais adiante). Alguns islamistas, em particular no seio da juventude, debandaram para o terrorismo em Tunis e para o jihadismo em outros países. Simultaneamente assistiu-se a uma recuperação da atividade grevista.

3. Uma exceção tunisiana: a UGTT

Em nenhum outro país da região existe uma organização sindical comparável à UGTT /9. Com 750 mil filiados pertencentes principalmente ao funcionalismo público /10, (com cerca de 47% de mulheres) /11, a UGTT organiza por volta de um terço dos assalariados e assalariadas de seu raio de sindicalização.

Desde a sua fundação em 1946, a UGTT não se contentou apenas com a função reivindicativa. Ao contrário, se envolveu simultaneamente na ação política, em particular na luta pela Independência, na qual desempenhou um papel de primeira ordem.

No seio da UGTT coexistem membros pertencentes ao conjunto do espectro político tunisiano, que por esta razão devem fazer passar para um segundo plano seu eventual engajamento partidário, muito frequentemente situado à esquerda do tabuleiro político.

Em toda sua história, a UGTT oscilou permanentemente entre a resistência ao poder e ser corrompido por este, atitude para o enfrentamento e vontade de negociar, modo piramidal burocrático de decisão e sistema de pressões internas sobre a direção, multiplicidade de forças centrífugas e vontade de manter um marco coletivo.

Frente aos regimes repressivos que se sucederam desde a Independência, a UGTT serviu amiúde de refúgio eficaz para as forças da esquerda política e associativa. Disso resultou uma capilaridade profunda e duradoura entre estes três tipos de organizações.

Por todas estas razões, a UGTT desempenhou um papel central em todas as crises pelas quais a Tunísia atravessou. Não é por casualidade que a saída do governo de Ennahda em janeiro de 2014 se organizou ao redor dela.

4. As dificuldades da esquerda política para apresentar-se como alternativa

Ao contrário de outros países da região árabe, a esquerda política pôde manter una existência contínua en Túnis, inclusive nos piores momentos da ditadura, graças ao escudo representado pela UGTT. No entanto, em janeiro de 2011 era numericamente débil y estava marcada por una longa tradição de clandestinidade, dispersão e sectarismo.

Os primeiros passos da Frente Popular

Depois de uma primeira tentativa efêmera depois de 14 de janeiro de 2011/12, o essencial das forças de esquerda se reagrupou em outubro de 2012 sob o nome de Frente Popular. Reagruparam-se nela formações provenientes do marxismo-leninismo, do trotskismo, do nacionalismo árabe e da socialdemocracia /13. Por outro lado, um grande número de militantes, homens e mulheres, da Frente estão pessoalmente envolvidos na UGTT, na UGET (entidade estudantil) e diversas associações.

A Frente tem como aglutinante uma tradição de luta em comum de seus fundadores contra a ditadura de Ben Ali, inclusive contra a de Burguiba, uma vontade de acabar com a tradicional dispersão da esquerda assim como de conquistar as reivindicações sociais da revolução.

A principal orientação inicial da Frente foi combater simultaneamente as duas correntes neoliberais que lutavam pelo poder então: os islamistas do Ennahda (que dirigia o Governo em 2012-2013) e os “modernistas” do Nida Tounes que queriam ser os sucessores.

Entre as numerosas debilidades da Frente figuravam principalmente sua debilidade organizativa, sua falta de claridade política e suas imprecisões programáticas, sua heterogeneidade, seu medo permanente de implosão e o risco de consenso carente de energia que poderia ser resultado disso tudo. Como plano de fundo, as dolorosas recordações dos anos de prisão e de tortura, assim como dos centenas de mortos e de feridos na greve geral de 26 de janeiro de 1978 e da revolta de janeiro de 1984.

O deslize de 2013

Como consequência dos assassinatos sucessivos dos dirigentes da Frente Popular, o país se viu atravessado por uma onda de hostilidade para com Ennahda. Fathi Chamkhi explica: “A Frente Popular havia ficado paralisada depois do assassinato, de 6 de fevereiro de 2013. Depois o do 25 de julho de 2013, a Frente reagiu em um primeiro momento vigorosamente, chamando inclusive à insurreição. Depois, sob a pressão de Nida Tounes, retratou-se para finalmente ater-se aos limites do respeito à ordem e da legalidade estabelecida” /14. Então a direção da Frente Popular decidiu formar uma aliança com todas as forças que se opunham ao partido islâmico no poder.

Depois do assassinato de Mohamed Brahmi, este “qualquer coisa exceto Ennahda” se traduziu na constituição, em companhia do Nida Tounes, de uma efêmera Frente de Salvação Nacional (FSN) /15. Um de seus principais objetivos proclamados era levantar a bandeira de um “governo de salvação nacional” para substituir o governo vigente/16.

A redistribuição das cartas

Ao final, foi um governo provisório não-dependente dos diferentes partidos políticos o que substituiu o dirigido pelo Ennahda. A partir de meados de setembro se organizou um processo de mudança sem estridências sob a égide direta de um “Quarteto” composto pela UGTT, o sindicato patronal UTICA, a Liga Tunisiana de Defesa dos Direitos Humanos e a Ordem dos Advogados. Quanto à FSN, rapidamente caiu em letargia e logo se desagregou.

Fathi Chamkhi acrescenta/17: “De fato, eram os chanceleres europeus, em particular o francês, a alemã, o britânico, mas também o estadunidense, os que verdadeiramente controlavam o assunto. Como prova o fato de que conseguiram impor o chefe de governo que queriam, ou seja, o ultraliberal Mehdi Jomaa, quadro superior franco-tunisiano de uma filial da multinacional do petróleo francesa Total.” Como noticiava o diário Le Monde, Jomaa foi “um novo primeiro-ministro nomeado sob a pressão ocidental”/ 18.

O processo de reorientação da Frente Popular

Desde janeiro de 2014, a Frente voltou progressivamente para sua orientação inicial. Sua linha atual pode se resumir assim: nem Ennahda (e seus aliados de 2012-13), nem Nida Tounes, nem a volta dos benalistas. Isso se traduziu nos seguintes posicionamentos: negativa de seus deputados a votar a confiança ao governo neoliberal de Jomaa que sucedeu ao dirigido pelo Ennahda em 29 de janeiro de 2014 /19; afirmação da necessidade de combater ao mesmo tempo Nida e o dueto Marzuki-Ennahda, no segundo turno das eleições presidenciais em 11 de dezembro de 2014/20; a negativa em votar a lei de finanças de 2015 e o orçamento que se derivava dela no final de 2014 /21; a negativa em dar o voto de confiança ao governo Nida-Ennahda e com mais razão, em participar dele em janeiro de 2015.

Esta orientação da Frente foi ratificada recentemente nas manifestações de 12 de setembro de 2015 contra o projeto de lei de perdão aos corruptos da época de Ben Ali. Este projeto de lei prevê conceder a eles a anistia em troca do pagamento de uma certa quantia. Com a desculpa de reerguer a economia, este projeto de “reconciliação econômica” tenta franquear um passo a mais no retorno a situação anterior à revolução (ver mais adiante) .

A Frente rechaçou adotar uma posição do tipo “tudo exceto os corruptos do antigo regime”. Nem lhe passou pela cabeça coincidir o 12 de setembro na rua com forças, certamente opostas ao poder atual, mas que participaram na violência contra o movimento social e a esquerda. Tratava-se, em primeiro lugar, do caso das “Ligas de Proteção da Revolução” (LPR), hoje oficialmente dissolvidas, mas também do CPR de Marzuki no poder ao lado do Ennahda no período 2012-13, e para quem as LPR fizeram campanha nas presidenciais no final de 2014/ 22.

Frente à falta de clareza das demais forças políticas sobre este ponto capital, a Frente Popular organizou de forma autônoma sua marcha em Tunis, contando só com a companhia das forças que estavam de acordo com a sua realização. E esta firmeza foi recompensada dado que, por um lado, a marcha da Frente Popular foi de longe a mais numerosa das que se sucederam em horas diferentes em Tunis, na avenida Habib Burguiba e, por outro lado, as forças provenientes das LPR não se atreveram a acudir, e as poucas dezenas de manifestantes do CPR participaram individualmente, para finalmente ir a outra marcha.

Atualmente, a Frente conseguiu recuperar a confiança de uma parte de quem havia ficado desorientado por seu giro no segundo semestre de 2013, como mostraram as eleições do final de 2014 com a multiplicação por 2,5 do número suas cadeiras na Assembleia /24 e a multiplicação no primeiro turno das presidenciais da porcentagem de votos obtidos nas legislativas.

Mas para o militante da LGO e deputado da Frente Popular Fathi Chamkhi, “em uma situação de crise social grave, ter 15 deputados de 217 (ou seja, menos de 7%), não é suficiente. Certamente, o resultado da Frente Popular poderia ter sido pior, dado seus problemas organizativos, sua debilidade na análise da situação concreta, suas vacilações políticas e suas reiteradas dúvidas. O fato de ter-se deixado pautar em julho de 2013 por Nida na Frente de Salvação Nacional (FSN) foi um erro. Hoje, isso está bem claro.

O que é positivo é que a FP mostrou que era capaz de gerir tensões e de corrigir seus erros. Ganhou em madurez, ainda que suas debilidades mantenham-se no terreno da análise. A Frente Popular conta em suas fileiras com militantes com a capacidade e experiência necessárias para formular um projeto coerente e compreensível. Mas não tem que limitar-se a atuar no terreno parlamentar, mas a ocupar todo seu espaço nas mobilizações frente à crise econômica e social que atravessa o país”/26.

Entretanto, o posicionamento da Frente desde um ano atrás não está isento de oscilações e ambiguidades.
Por exemplo, Fathi Chamkhi explica /27: “Em 2014 houve um debate intenso no seio da Frente Popular sobre a questão das alianças eleitorais: uma parte da Frente Popular se situava na onda do “voto útil” e era favorável a uma aliança eleitoral ampla anti-Ennahda. Nida ajudou finalmente fechar o debate decidindo apresentar-se sozinho nas eleições legislativas”. Um debate similar teve lugar nas eleições presidenciais no final de dezembro.

No final de 2014, a Frente Popular esteve inclusive a dois dedos de uma cisão: os dois deputados da LGO haviam anunciado com antecedência que não votariam nem a favor da confiança ao governo dirigido pelo Nida nem a favor do orçamento; e isso, qualquer que fosse a decisão que adotasse a Frente /28. Ao final, Nida optou por uma aliança governamentel com Ennahda e isso ajudou de novo a Frente a se localizar em favor da independência em relação ao poder.

Em sentido inverso, no ambiente do atentado de Susa em junho de 2015, os deputados da Frente Popular votaram a lei antiterrorista, denunciada entretanto por numerosas associações assim como pelo sindicato dos jornalistas e da UGTT /29

5. Dois desafios que se apresentam para a esquerda tunisiana: A necessidade da esquerda reforçar seus laços com a juventude

Entre 17 de dezembro de 2010 e o começo de março de 2011, a juventude rebelde foi uma das forças propulsoras da revolução tunisiana.

Posteriormente, o bloqueio do processo assim como a degradação contínua das condições de existência já precárias, levou uma parte dessa juventude à amargura e/ou ao sonho do exílio na Europa. O que é mais inquietante, alguns se voltaram para o islamismo armado /30.

Em janeiro de 2015, Aderraman Hedhili, militante do movimento social explicava esse tema/ 31: “Há uma questão ligada à pobreza que nunca é abordada. Trata-se da dos jovens salafistas. Ninguém toca no assunto. São numeroso, mais de 100 mil. Não falo de quem pegou em armas e passou para o terrorismo. Falo de jovens que estão no começo do percurso.

Temos um programa social, econômico, cultural? Como abordar essa questão? Nem o governo, nem a oposição, nem a sociedade civil, ninguém (o tem).

Os salafistas são muito ativos entre a juventude nos bairros populares. Porque desgraçadamente, na esquerda deveríamos estar presentes nesses bairros, mas deixamos um espaço para os islamistas”.

A indispensável convergência entre as regiões costeiras e as regiões do interior

Com efeito, desde várias gerações, as regiões do interior são as mais empobrecidas do país. Não é uma casualidade que a revolução de 2010-11 começou em Sidi Bouzid. Em 2008, foi precedida pelo levante na bacia mineira de Gafsa e depois, em 2010, pelos distúrbios de Ben Guerdane.

A mais emblemática das recentes lutas nas regiões do interior foi da dos jovens sem emprego da bacia mineradora de Gafsa. Durante mais de dois meses, organizaram bloqueios quase totais da produção e transporte de fosfato e, portanto, da indústria química relacionada com fosfato. Frente a sua determinação, o poder se viu obrigado a prometer a criação de 1500 empregos durante os próximos três anos, dos quais mais de um terço em 2015. Mas este número segue estando muito abaixo das necessidades desta região, na qual a taxa de desemprego é oficialmente de 26%, quando assegura cerca de 10% do PNB do país. /32.

6. Múltiplas resistências

Uma onda de greves sem precedentess/33

As mobilizações sociais que haviam se reaquecido desde a primavera de 2011 até final de 2013 voltaram a deslanchar em 2014 depois da saída do Ennahda do poder. Alcançaram uma amplitude sem precedentes no primeiro semestre de 2015.

Uma parte foi realizada pelos “mais precarizados ganhando em muitos casos menos que o SM, além dos desempregados. Esta categoria não vai permanecer com os braços cruzados. Esperaram quatro anos com a esperança de um plano que tome em consideração sua situação. Mas não houve nada” explicava no começo de janeiro de 2015, Abderraman Hedhili.

No primeiro semestre de 2015 houve diversas lutas de desempregados, por exemplo, na bacia mineradora da região de Gafsa, como já mencionamos.

Sob o impulso inicial dos setores que a esquerda UGTT é influente, entre os e as assalariadas com emprego estável eclodiram greves no primeiro semestre de 2015.

No setor público estiveram arrochados durante mais de três anos: os salários, por exemplo, estão congelados desde 2012, enquanto que a inflação acumulada foi de 17,2% nos três últimos anos. Entre as reivindicações adquire uma importância enorme a aplicação de acordos que foram assinados mas que jamais foram aplicados.

Os assalariados e assalariadas dos transportes públicos abriram a “festa” no começo de 2015, com uma greve sem aviso que paralisou vários dias Tunis e conclui com a satisfação parcial de suas reivindicações /34.

No começo de abril de 2015, professores/as de ensino médio e seu sindicato alcançaram uma vitória histórica. Desde outono de 2014, haviam realizado várias greves de 48 horas com uma repercussão de cerca de 100%. Frente à obstinação do governo, bloquearam os exames do primeiro semestre de 2015 e depois ameaçaram bloquear os exames de fim de curso. Sua determinação colheu frutos: em 6 de abril obtiveram aumentos salariais muito importantes, que deveriam poder assegurar seu poder de compra no período 2012-2017.

Esta vitória reforçou a confiança de assalariados em sua capacidade de luta, e os conflitos se multiplicaram nas administrações e nas empresas do setor público. Geralmente as reivindicações tratam sobre as remunerações, o respeito por parte do poder aos acordos assinados anteriormente e a defesa e reconstrução do serviço público.

As formas de luta dos assalariados e suas estruturas sindicais intermediárias e/ou locais, dão fé da amplitude de sua exasperação: repetidas jornadas de greves nacionais, decisão de boicotar os exames no ensino primário, greves súbitas e sem aviso nos transportes públicos e na rede de distribuição elétrica, jornadas de gratuidade da atenção sanitária nos hospitais públicos, etc.

Algumas destas audazes formas de luta foram inicialmente desaprovadas publicamente pelo Comitê Executivo da UGTT. É significativo apontar que no caso da distribuição elétrica, as greves com cortes de corrente começaram depois do rechaço pela base de um acordo firmado na véspera pela federação correspondente da UGTT.
Também houve greves no setor privado; por exemplo, na grande distribuição, na indústria alimentícia ou no turismo /35.

Ao contrário das desenvolvidas nos transportes públicos e no ensino secundário, a maior parte dessas lutas não conduziram a conquistas reais.

Ao atentado de junho em Susa se seguiu uma interrupção da mobilização (ampliado pelo Ramadan, a onda de calor, as férias de verão, as ameaças antigreve do poder, etc.).

Depois das greves, as greves voltaram no ensino primário e no transporte de mercadorias por rodovias. A continuidade das lutas é considerada tanto mais necessária se levado em conta que o setor público, os aumentos contidos no acordo nacional de 22 de setembro entre a UGTT e o governo não bastaram para assegurar o poder de compra (exceto possivelmente no ensino secundário) /36. Por outro lado, no momento de escrever estas linhas, não houve nenhum acordo nacional no setor privado.

Uma recuperação ou não das greves dependerá logicamente da combinação de uma série de fatores. Entre eles teria que mencionar o avanço das negociações no setor privado, o respeito ou não dos compromissos adquiridos pelo governo e a patronal, a evolução da inflação daqui até 2017 e a forma que vão adotar as lutas setoriais, em particular as atualmente em curso no ensino primário e nos transportes rodoviários.

A resistência aos cortes das liberdades democráticas

As liberdades democráticas constituem a única conquista que sobrou da revolução de 2011. As tentativas de questioná-las se acentuaram depois da proclamação do Estado de urgência depois do atentado de Susa.

Numa declaração publicada em 25 de julho de 2015, uma série de associações, assim como a UGTT e o Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJT), protestam contra “os graves ataques aos direitos e às liberdades”, “as repetidas agressões contra os cidadãos, os jornalistas e os assalariados da imprensa”, assim como “o acosso com a desculpa de segurança” /37.

Os assinantes também denunciam o voto apressado de uma “lei antiterrorista” julgada como liberticida e que, em concreto, contém:

“a definição imprecisa de crime de terrorismo e incitação ao terrorismo”
“a falta de respeito pelos princípios de um juízo imparcial e justo”
“a ausência de garantias sobre a inviolabilidade dos suspeitos”,
“o questionamento do caráter públicos dos processos e a manutenção da pena de morte”,
“o amordaçamento da liberdade de imprensa e do livre acesso aos dados ”
“a manutenção de disposições legais “que agravam as sanções contra os ataques à forças da ordem, e isso, apesar da demanda unânime de toda a sociedade de retirá-las dado seu caráter atentatório contra as liberdades”/38.
A mobilização contra o projeto de perdão aos corruptos da era Ben Ali /39

Acolhido favoravelmente pela patronal tunisiana /40, o projeto da chamada lei de “reconciliação econômica” destinado a perdoar os corruptos da era Ben Ali /41 é rechaçado sobretudo pelos participantes da campanha “Não perdoamos” /42 , pela oposição política e associativa, assim como pela UGTT.

Como explica o dirigente do Partido dos Trabalhadores e deputado da Frente Popular Ammar Amroussia /43, “nada pode justificar o perdão de quem roubou o dinheiro público sem que rendam contas”.

Perguntado sobre este tema Fathi Chamkhi acrescenta: “Este projeto de lei é uma manobra política escancarada dos grandes capos da economia criminal, e evidentemente dos capitalistas corruptos que se enriqueceram sob a ditadura.

Tenta assegurar seu apoio à estabilização da ordem dominante. Este apoio é indispensável ao governo para levar a cabo as novas reestruturações capitalistas neoliberais, particularmente desejadas pelas instituições financeiras internacionais e pela União Europeia” /44.

Até o último momento, o poder quis impedir as manifestações previstas para o sábado, 12 de setembro, contra o projeto de lei, repetindo que toda manifestação estava proibida no marco do Estado de urgência. Na quinta-feira 9 da noite, o Ministro do Interior tentou inclusive aterrorizar aos e as manifestantes potenciais afirmando que “células terroristas dormentes” se preparavam para atacar os manifestantes, em particular na avenida Burguiba da capital na que estavam convocados os manifestantes/ 45.

Mas quem se opunha ao projeto não cedeu e finalmente houve manifestações na capital, assim como em numerosas localidades, como Sfax, Gafsa, Gabes, Tatauin, Tozeur, etc./46.

O ascenso das lutas ambientalistas

Como assinala Abderramán Hedhili, “o meio ambiente não é ainda uma preocupação que só interessa às elites. Este tema afeta igualmente a uma parte importante da população, como por exemplo o problema dos resíduos na ilha de Djerba, a contaminação na baía de Monastir, a das fábricas em Gabes e, por conseguinte, na bacia mineradora” /47.

7. Conclusão: o que mudou desde janeiro de 2011?

Poder político

Antes do 14 de janeiro, a integridade do poder do Estado estava entre as mãos de Ben Ali e seu clã. As eleições eram puro simulacro. Hoje, o Presidente e a Assembleia são eleitos, mas o aparato policia, militar e judicial não foram depurados.

Economia

A orientação econômica atual segue em continuidade direta com a política neoliberal de Ben Ali. A realidade do poder econômico não mudou, e o poder político atual quer inclusive anistiar o núcleo fundamental dos corruptos da época de Ben Ali que haviam sido objeto de processos judiciais depois de 14 de janeiro.
Todos os indicadores econômicos encontram-se no vermelho: o crescimento é próximo de zero, a inflação está ao redor de 6 %, a dívida pública exterior aumentou enormemente passando entre 2010 e 2014 de 15,5 para 25 bilhões de dinares (7 a 11,4 bilhões de euros). O nível de vida da população não deixa de se degradar e o desemprego e a desigualdade entre as regiões não cessam de aumentar. Os jovens e as mulheres são as primeiras vítimas desta situação.

A dimensão “da segurança”

Nos tempos de Ben Ali, a “Ordem estava assegurada por uma polícia onipresente. A tortura era praticada amplamente, a liberdade de expressão e de organização eram muito débeis.
Imediatamente depois de 14 de janeiro, o controle da polícia sobre a sociedade se reduziu muito. A liberdade de expressão e de organização conheceu um nível inédito antes em Tunis.
Há alguns meses, em relação à luta contra os grupelhos islâmicos terroristas, e os atentados que cometeram, sobretudo os de Bardo e de Susa, o controle e a segurança recuperaram terreno /48.
Estes atentados terroristas foram seguidos pela proclamação do “Estado de emergência”, a acentuação do retorno ao uso da tortura, restrições à liberdade de expressão e a detenção de por volta de mil suspeitos terroristas.

Sindicalismo e lutas operárias

Antes do 14 de janeiro, uma grande parte da direção e do aparato da UGTT estava submetida ao poder de Ben Ali, com a oposição de uma série de dirigentes intermediários e de militantes de base. O direito de greve era muito restrito e as lutas eram, às vezes, duramente reprimidas.
Desde o final de 2011, a maioria dos dirigentes da UGTT comprometidos com o regime de Ben Ali foram eliminados.
A disposição de luta dos assalariados e assalariadas e suas estruturas sindicais intermediárias, já pode se expressar livremente no sei da UGTT. Algumas das formas de lutas praticadas foram publicamente desautorizadas pelo Comitê Executivo. Este está, com efeito, na busca de um ponto de equilíbrio entre as exigências contraditórias do povo assalariado e da patronal/do poder.

Vida política

Antes de 2011, a vida política estava monopolizada pelo clã Ben Ali. O islão político era reprimido selvagemente, ainda que houvesse contatos discretos entre Ennahda e membros do regime.
A esquerda política era fundamentalmente clandestina, reprimida, débil numericamente, dispersa e marcada pelo sectarismo.
Hoje, e pela primeira vez desde décadas, existe uma verdadeira vida política na Tunísia. Mas simultaneamente o poder está atualmente nas mão de Nida Tounes que encarna de forma crescente a continuidade com o antigo regime.
Uma primeira grande diferença com o passado é que Ennahda está associado a um governo que proclama sua vontade de erradicar aos grupos islâmicos armados.
A segunda grande diferença é que a esquerda política não está mais na clandestinidade e está reagrupada em sua maioria na Frente Popular. Nenhuma outra formação política de esquerda dispões de uma influência real. ente Popular.
Apesar de suas debilidades e de suas ambiguidades, a Frente constitui hoje a primeira força política da oposição, inclusive no Parlamento.


Notas

1/ Participam também no poder a UPL dirigida pelo turvo negociante Siami Riahi e o partido ultraliberal Afec Tounes .
2/ O atentado de Susa de 26/06/2015 causou um total de 38 mortos. Ocorreu depois do atentado do Bardo em 18 de março que havia provocado 23 mortes.
3/ “Déclaration du Front populaire sur la promulgation de l’état d’urgence” (7/7/2015) http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article35383
4/ Esta vontade de anistiar suscita os aplausos da UTICA (sindicato patronal histórico) http://www.lapresse.tn/article/l-utica-attachee-a-la-loi-de-reconciliation-economique-et-financiere/94/5250 . No que se refere a ela, a organização patronal CONECT demanda que este procedimento seja inclusive estendido ao conjunto dos tunisianos! http://www.businessnews.com.tn/tarek-cherif-propose-detendre-la-reconciliation-economique-a-tous-les-citoyens,520,58979,3
5/ Outros dois partidos estavam associados ao poder do Ennahda: o CPR de Marzuki a quem haviam concedido a presidência da República, Ettakatol (seção tunisiana da Internacional Socialista), dirigida por Ben Jafaar, nomeado presidente da Assembleia Constituinte.
6/ http://www.kapitalis.com/politique/14124-le-palais-de-carthage-deroule-le-tapis-rouge-au-predicateur-wahhabite-nabil-al-awadi.html y http://www.businessnews.com.tn/Tuni…
7/ Em novembro de 2012, a polícia disparou balas de borracha sobre a população de Siliana. Em 4 de dezembro de 2012, milícias islâmicas atacaram a sede nacional da UGTT. Em 6 de fevereiro, um dirigente da Frente Popular, Chodri Belaid, foi assassinado na frente da sua casa. Em 26 de julho, Mohamed Brahmi foi morto, outro dirigente da Frente Popular.
8/ Sobre o período situado entre o assassinato de Mohamed Brahmi (26/07/2017) e a demissão do governo Ennahda (janeiro de 2014), há em VIENTO SUR, http://www.vientosur.info numerosos artigos. Igualmente em http://www.europe-solidaire.org/spip.php?rubrique130
9/ Ver la apresentação da obra de Hela Yousfi sobre a UGTT http://www.solidaires.org/article51… ou http://www.europe-solidaire.org/spi… assim como a série de artigos sobre a história da UGTT em http://www.europe-solidaire.org/spip.php?rubrique1027
10/ Há com efeito 1,5 milhões de assalariados no setor privado assim como 800 mil funcionários e assalariados no setor público http://www.lapresse.tn/article/public-prive-la-satisfaction-des-uns-la-grogne-des-autres/94/5734
11/ Nunca houve uma mulher no Comitê Executivo da UGTT e sua presença é muito débil nas estruturas intermediárias, inclusive nos setores com maior presença feminina na educação.
12/ “Déclaration fondatrice du Front du 14 Janvier” http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article19928
13/ As principais organizações que compõem as Frente Popular são:
· o Partido dos Trabalhadores, antigo PCOT, de tradição marxista-leninista
· o Partido dos Patriotas Democratas Unificados (PPDU) -o partido Watad unificado- também de tradição marxista leninista,
· a Liga da Esquerda Operária (LGO), organização trotskista filiada à IV Internacional,
· a Corrente Popular (nacionalista árabe naseriana)
· o Movimiento Baas (nacionalista árabe)
· Kotb (socialdemocrata)
· RAID (Attac e CADTM na Tunísia)
Abandonaram a Frente Popular: Tunísia Verde, o Partido Watad revolucionário (marxista-leninista) e o MDS (socialdemocrata).
14/ Declarações de Fathi Chamkhi recolhidas em 29/09/2015
15/ Ver “Entre le déjà plus et le pas encore”, Inprecor no 597, http://orta.dynalias.org/inprecor/home ou http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article29844
16/ Declaração constituinte da Frente de Salvação Nacional (26 de julho), http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article29377
17/ Declarações de Fathi Chamkhi recolhidas em 29/09/2015
18/ “Un nouveau premier ministre nommé sous la pression occidentale” (Le Monde, 16 décembre 2016) http://www.lemonde.fr/tunisie/article/2013/12/16/tunisie-un-nouveau-premier-ministre-nomme-sous-la-pression-occidentale_4334890_1466522.html
19/ “L’orientation du Front populaire” (février 2014) http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article31234
20/ Déclaration du 11 décembre 2014 : http://www.europe-solidaire.org/spi…
21/ “Le débat à l’Assemblée sur le budget d’austérité” (11/12/2014) http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article33859
22/ http://www.tunisienumerique.com/tunisie-video-les-lpr-et-les-wahhabites-avec-marzouki-ils-vaincront-ou-ils-vaincront/239030; http://www.lapresse.tn/article/pour…
O CPR (Congresso pela República) de Marzuki estava no poder em 2012-2013 quando tiveram lugar a repressão violenta da manifestção de 9 de abril de 2012, os tiros de borracha da polícia contra a população de Siliana no final de novembro de 2012, o ataque à sede da UGTT por milícias islâmicas em 4 de dezembro de 2012, os assassinatos de Chokri Belaid (6/02/2013) e Mohamed Brahmi (25/07/2013), etc.
23/ http://www.businessnews.com.tn/le-c… ; http://www.businessnews.com.tn/le-c… ; http://www.letemps.com.tn/article/9…
24/ “Après les élections législatives du 26 octobre 2014”, Inprecor no 609/610 octobre-novembre-décembre 2014 ; http://www.europe-solidaire.org/spi…
25/ A questão da Frente de Salvação Nacional (FSN) esteve no coração do congresso da LGO em setembro de 2013, que decidiu sair da FSN por uma votação de 80%, ao mesmo tempo em que permanecia na Frente Popular http://www.europe-solidaire.org/spi…
26/ Extratos de “Entretien avec Fathi Chamkhi sur le nouveau gouvernement et la politique du Front populaire” (12 febrero 2015) http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article34315
27/ “La “normalisation” est lancée” (11 febrero 2015) http://www.europe-solidaire.org/spi…
28/ Depois das eleições legislativas de 26/10/2014 (12 de novembro de 2014), http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article33830
29/ A voração da FP sobre o texto final foi de 0 contra, 11 a favor, 0 abstenções e 4 ausentes http://majles.marsad.tn/2014/fr/vot…
30/ Milhares de jovens tunisianos participam da jihad em diferentes países, entre eles na própria Tunísia: http://www.letemps.com.tn/article/9…
http://www.letemps.com.tn/article/9…
31/ Questions à Abderrahmane Hedhili » (16 janvier 2015) : http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article34150 Abderrahmane Hedhhili é um dos principais animadores do Foro Tunisiano pelos Direitos Econômicos e Sociais (FTDES), uma associação tunisiana cujas temáticas são os direitos do trabalho, das mulheres, ambientais e os direitos dos emigranteshttp://ftdes.net/ O FTDES está prioritariamente dedicado para as populações com maiores dificuldades e menos organizadas. Coopera em particular com a UGTT (da qual é membro) e com diversas associações tunisianas. O FTDES constitui naturalmente a coluna vertebral da organização dos foros sociais na Tunísia.
32/ http://www.letemps.com.tn/article/90845/paralysie-totale-des-activit%C3%A9s y http://www.lapresse.tn/25042015/989…
33/ “Recrudescence des luttes pour les salaires et l’emploi” (10/05/2015) : http://www.europe-solidaire.org/spi…
34/ A propósito das conquistas obtidas em 23 de fevereiro de 2015 no setor dos transportes, http://www.lapresse.tn/16052015/948…
http://www.kapitalis.com/societe/27…
35/ http://www.vientosur.info/spip.php?…
36/ http://www.webdo.tn/2015/09/23/tunisie-les-majorations-salariales-dans-la-fonction-publique-par-categories/ y http://www.lapresse.tn/article/publ…
37/ Esta declaração foi assinada pela UGTT, a Liga Tunisiana pela Defesa dos Direitos Humanos (LTDH), pelo FTDES, pela Asociação Tunisianade Mulheres Democratas (ATFD), pelo Sindicato Nacional de Jornalistas Tunisianos (SNJT), pelo Comitê para o Respeito às Liberdades e aos Direitos Humanos na Tunísia(CRLDHT) e pela Federação de Tunisianos para uma cidadania das duas ruveras (FTCR). http://www.europe-solidaire.org/spi…
38/ Ler igualmente “La loi antiterroriste utilisée pour restreindre la liberté d’expression” (11/08/2015) http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article35625 e “Mettre fin aux abus sécuritaires” (3/09/2015) : http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article35770
39/ “Un collectif d’intellectuels fustige la loi sur la réconciliation” (4 septiembre 2015) : http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article35776 e “La gauche tunisienne contre le blanchiment des corrompus du régime Ben Ali” (3/09/2015) : http://www.europe-solidaire.org/spip.php?article35777 y “Manifestations contre le blanchiment des corrompus de l’ère Ben Ali” (15/09/2015) : http://www.europe-solidaire.org/spi…
40/ http://www.lapresse.tn/article/l-ut… ; http://www.businessnews.com.tn/tare…
41/ http://lemilieuautorise.com/2015/08… http://www.gnet.tn/temps-fort/tunis… ; http://www.lapresse.tn/article/amro…
42/ http://nawaat.org/portail/2015/09/1…
43/ http://www.lapresse.tn/article/des-…
44/ Declarações
45/ http://www.lapresse.tn/article/ghar…
46/ http://www.businessnews.com.tn/des-… ; http://www.lapresse.tn/article/marc…
47/ “Questions à Abderrahmane Hedhili” (16/01/2015) : http://www.europe-solidaire.org/spi…
48/ Alguns exemplos de enfrentamentos entre islamistas e “forças de segurança” :
http://www.lemonde.fr/afrique/artic…
http://www.rtci.tn/chronologie-oper…
http://www.lapresse.tn/16062015/100…
http://www.lapresse.tn/16062015/100…
http://www.lapresse.tn/16062015/100…
Et un récapitulatif : https://inkyfada.com/maps/carte-du-…
http://www.tunisienumerique.com/tun…
http://directinfo.webmanagercenter….

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin