Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

STATHIS KOUVELAKIS: Informe da reunião do Comitê Central de SYRIZA

Na reunião do Comitê Central de Syriza que terminou há algumas horas, a plataforma de esquerda apresentou um texto que obteve 75 votos a favor frente a 95 votos contrários e uma abstenção. O texto propõe romper com os credores, começando pelo não-pagamento da dívida. No texto adotado pela maioria do Comitê Central se estabelecem quatro condições para um “compromisso aceitável”:

  1. redução dos superávit primários orçamentários;
  2. nem mais um corte de salários e pensões;
  3. reestruturação da dívida;
  4. um pacote importante de investimento público, particularmente na infra-estrutura e novas tecnologias.

A este quatro pontos o texto adiciona “o restabelecimento dos contratos coletivos e o aumento gradual do salário mínimo em 751 euros (o nível de 2009) e estipula que “qualquer mudança na política tributária deveria promover a justiça social, reduzindo a carga dos economicamente desfavorecidos e obrigando aos acomodados e evasores fiscais a pagar”. Em seu informe introdutório Alexis Tsipras adotou um tom firme, mas evitou qualquer referência concreta ao estado atual das negociações e à base de discussão para um possível acordo, referindo-se unicamente às quatro condições acima mencionadas, que não deixam clara a maioria dos pontos de discordância.

A sessão também esteve marcada pela intervenção da presidenta do parlamento, Zoe Kostantopoulou, que apoiou abertamente a suspensão durante um ano do pagamento da dívida com base nas primeiras conclusões do comitê de auditoria da dívida, que se espera serem divulgadas nos próximos dias. Além disso, rechaçou a nomeação, muito controvertida, de Lambis Tagmatarchis como novo diretor da rede pública de televisão ERT, que acaba de reabrir. Tagmatarchis é uma pessoa muito vinculada ao establishment midiático e já foi diretor da ERT durante o governo do PASOK presidido por George Papandreou.

Texto completo da plataforma de esquerda:

Já está claro que as “instituições” não buscam o que alguns denominam de “compromisso honroso”. Tal “compromisso honroso” não pode basear-se, de nenhuma maneira, em privatizações e novas cargas para as classes populares e desde já não pode existir sem que se ponha fim de verdade à austeridade, sem uma reestruturação da (maior parte) da dívida e sem um aporte suficiente de liquidez para revitalizar a economia.

O que buscam incessantemente os círculos dirigentes da UE, do BCE e do FMI nos últimos quatro meses é estrangular a economia, tirando até o último euro das arcas do país e empurrando o governo “desprotegido” à submissão total e uma humilhação exemplar. Esta tática dos sócios da UE também ficou evidente na Cúpula de Riga. O governo não tem outra opção a não ser contra-atacar com um plano alternativo baseado nas promessas eleitorais de Syriza e os anúncios programáticos do governo. É preciso pôr em prática, imediatamente, as seguintes medidas:

  1. Nacionalização imediata do Sistema Financeiro com todas as medidas de acompanhamento necessárias para assegurar que opere segundo critérios de transparência e produtividade em prol do desenvolvimento e do bem estar social;
  2. Estabelecimento da legalidade democrática e transparência entre os meios dominantes, junto a um controle substancial de seus compromissos de crédito;
  3. Eliminação imediata da rede protetora da corrupta oligarquia do país;
  4. Suspensão dos privilégios, os ajustes preferenciais e a imunidade dos grandes interesses econômicos;
  5. Tributação substancial da riqueza e das grandes propriedades imobiliárias, assim como das terras mais elevadas e dos inúmeros benefícios empresariais;
  6. Reintrodução imediata e completa, assim como sua garantia e aplicação prática, da legislação trabalhista e dos direitos sindicais.

O governo precisa contrarrestar decididamente a propaganda dos círculos dirigentes que aterroriza o povo com anúncios catastróficos em caso de não-pagamento da dívida e de uma eventual saída da eurozona. A maior catástrofe que pode ocorrer ao país seria a imposição de um novo memorando e, de uma forma ou outra, a continuidade da aplicação dos memorando anteriores. É preciso evitar esta perspectiva com todos os meios e sacrifícios necessários. Qualquer solução alternativa a favor de uma política progressista frente aos memorandos inclui, antes de tudo, a suspensão do pagamento da dívida. Em que pese todas as dificuldades que comporta, esta é de longe preferível a qualquer outra opção, pois oferece ao país esperança e perspectiva de futuro.

Se as “instituições” continuam com sua política de chantagem nos próximos dias, o governo tem a obrigação de declarar sem rodeios, a partir deste mesmo momento, que não “espoliará” o povo grego em suas poupanças, que não efetuará o pagamento do próximo vencimento do FMI e que se propões a impulsionar soluções alternativas à situação do país no plano econômico, social, político e estratégico que garanta a aplicação de seu programa.

Fonte:  VIENTO SUR

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho