Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Nestes dias a presidente do Parlamento Catalão, Teresa Forcades colocará em votação uma moção conjunta de Catalunya por el Si e a CUP (Candidaturas de Unitat Popular) indicando para 9 de Novembro – data emblemática na qual se fez o plebiscito catalão pela independência – o início de um processo para alcançar a independência sob a forma de uma República.

A crise provocada no Estado Espanhol é um dos centros da agitação política que vive a Europa. Os partidos espanholistas (PP, PSOE e Ciudadanos) e a burguesia espanhola saíram atacando a resolução. Guerra, dirigente do PSOE, o considerou “um golpe de estado”. Uma parte importante da burguesia catalã, encabeçada pelos banqueiros, também o fez. No entanto, pela proximidade com as eleições gerais, não fizeram ainda uma declaração comum. Quem fez foi o bloco pelo NÃO do parlamento catalão – integrado pelo Partido Socialista Catalão (o PSOE na Catalunha), o Partido Popular (PP) agente de Rajoy e Citadans que é anti-soberanista e surgiu dali para todo o estado espanhol.

Um dos argumentos importantes da direita é que a coalizão formada pelo SIM teve somente 48% dos votos, mesmo que a esquerda tenha conquistado maioria absoluta do parlamento. O SIM não conseguiu formar somar mais de 50% dos votos porque um setor da esquerda anticapitalista, Catalunya Si que es Pot, a aliança formada pela Izquierda Unida (IU), Podemos e Inciciativa per Catalunya não se pronunciou até agora. Catalunya Si que es Pot conquistou 11 cadeiras no parlamento e daria uma maioria de mais de 60% dos votos. É possível que mude sua posição pelo NÃO, seguindo a linha de Pablo Iglesias que ainda que se diferencie do pacto antiindependência, manifestou sua posição em defesa do direito à cidadania catalã decidir seu futuro, insistindo que ele quer ter uma Catalunha que siga no estado espanhol.

Modestamente, nossa corrente opina que este é um erro crasso, e na ocasião assim escrevemos aos companheiros mais próximos, Partido Obrero Revolucionário (POR) e Revolta Global. Dizíamos então que Catalunya Si que es Pot está ficando pra trás dos acontecimentos. A discussão sobre o direito a decidir ou independência já está resolvida pela realidade, ainda mais agora depois da última Diada (manifestação pelo Dia Nacional da Catalunha, Diada de l’Onze de Setembre) e a experiência feita com o governo do PP. A consigna central é uma e não várias, nesse caso é Independência. “Não nos parece que existam duas consignas, ou uma mistura entre direito a decidir e independência ou independência, mas que seja social. Assim se põe a carroça na frente dos bois. A campanha de Luis Rabel, candidato de Catalunya Si que es Pot reflete esta situação de dúvidas. Não tem o eixo da independência, fica no meio do caminho. Isso poderia ser correto se realmente houvesse, ao nível do estado espanhol, possibilidades de derrotar o regime, ou seja, uma luta em todo o estado muito forte, mas isto é muito improvável. Canalizou-se em certa medida por Podemos, por sua força eleitoral, não está apoiada hoje em um processo de mobilização como é o da Catalunha pela independência, ainda que esta seja uma mobilização mais de camadas médias do que de trabalhadores”

“Parece-nos que o eixo de Luis Rabel e de Catalunya Si que es Pot é mais contra o Artur Mas e sua chapa que contra a monarquia e o regime sustentado pelo PP e o PSOE. Seguramente é muito correto disputar Artur Mas. Mas com que posição podemos fazê-lo com clareza? Somente sendo mais consequentes com o independentismo que ele. E infelizmente com a política que se tem, não podem ser os mais independentistas”.

“Teriam que ser independentistas para poder ser mais claros acerca do que queremos com a independência, mas primeiro é a independência, depois vem o social”, assim é a realidade, ou melhor dito, é mais complexa porque o social está unido à independência”.

“Artur Mas (o candidato de Convergencia que é o mentor de Cataluña por el Sí), é o representante de um partido burguês, mas teve a habilidade de esconder o que é, pressionado pela nova situação política e a divisão da burguesia catalã, arrastando Forcades, Guardiola Jac e Esquerra Republicana. Este passo que deu Mas é o que explica que através de sua lista tenha se canalizado a força social do independentismo”.

A tal ponto que o problema se transformou em um tema político internacional de primeira magnitude: as declarações de Obama e dos banqueiros catalães!! Não por casualidade estão em uma política de chantagem tão grande.

“Nos parece que a esquerda na reta final da campanha teria que fazer esse giro. Se Artur Mas fica na metade do caminho ou trai, então a esquerda se converte em uma alternativa. E se, pressionado, Mas avança, logicamente estaria colocada a unidade de ação em torno das medidas que tomaria.

Quando estive, em fevereiro, em geral todo mundo me disse que Mas estava muito desprestigiado e que havia perdido a bandeira da independência por suas traições, mas isto não foi assim.

Neste período histórico em que estamos pesam muito as questões democráticas e a mobilização popular democrática e o independentismo é hoje uma tarefa colocada na Catalunha, como na Escócia”.

Esperamos que a votação desta semana mude a posição deste setor da esquerda e some-se à CUP.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

Solzinho