Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Por que não vamos ao ato do dia 20 de agosto?

No último dia 16 de agosto houve grandes manifestações em todo o país contra o governo Dilma. Essas manifestações são, como dissemos em nota recente, carregadas pelo simbolismo da direita que, ao contrário do que pode parecer aos olhos das massas, estão associadas ao mesmo projeto de austeridade e de ajustes antipopulares que já está sendo aplicado atualmente pelo governo federal.

Como resposta, foram convocados atos para o dia 20 de agosto, com menos força mas também em várias localidades do país. Partindo de críticas importantes contra o ajuste fiscal de Dilma e Levy mas também contra as ações da direita, esses atos têm sido apropriados por setores governistas que, se não podem abertamente defender as barbaridades que Dilma tem feito contra o povo, buscam convocar as manifestações tirando o peso da luta contra o ajuste e defendendo indiretamente o governo por trás das bandeiras genéricas de democracia e contra o impeachment.

Se para nós está evidente que não é possível somar forças às iniciativas da oposição de direita, ao mesmo tempo está também muito evidente que o pior da política contra o povo está justamente sendo aplicada pelo governo Dilma do PT. Não bastassem os pesados ataques que os trabalhadores já vêm sofrendo, a “Agenda Brasil” proposta por Renan Calheiros e logo encampada de maneira entusiástica por Dilma representa um programa de verdadeira pilhagem dos direitos da classe trabalhadora. As propostas contidas na “Agenda” abrem espaço à privatização do SUS e da educação pública, ao aumento do tempo de aposentadorias e arrocho nos salários do funcionalismo, à generalização das terceirizações, ao fim da autonomia nas terras indígenas, à destruição ambiental em massa, ao fim da lei de licitações e ao aumento farra com os contratos públicos. Propostas de fazer inveja à direita mais reacionária. Não por acaso é esse acordo que mantém Dilma temporariamente no poder e é afiançado por setores burgueses expressivos como o Bradesco e as organizações Globo.

Reconhecemos os esforços que setores independentes do governo, como é o caso do MTST, têm feito para que os atos do dia 20 sejam expressão da luta contra o ajuste e as políticas do governo. Sabemos que seguiremos juntos nessa luta. Contudo, pelas convocatórias em todo país é nítido que, ao não se colocarem categoricamente contra o governo e defenderem genericamente a democracia contra o golpismo, as manifestações estão sendo instrumentalizadas para um apoio mesmo que envergonhado e mascarado a um projeto que já faliu. E a tarefa agora é construir uma alternativa.

Secretariado Nacional do MES/PSOL

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Solzinho