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Peru: Greve de 72 horas em Arequipa

Grandes enfrentamentos marcam o segundo dia da greve de 72 horas convocada na região de Arequipa, no sul do Peru, em apoio aos protestos na província de Islay contra o projeto minerador Tia María, da mexicana Southern Copper. Como na greve geral de 2012 contra o projeto Conga, na região de Cajamarca, o protesto é contra a destruição e contaminação do meio ambiente promovidos pela grande mineração no Peru. Os líderes do movimento ratificaram que continuarão com a greve, apesar de o governo ter ordenado, durante o fim de semana, a militarização de Islay. Confira a declaração da Frente Ampla:

 

Declaração da Frente Ampla

TIA MARIA NÃO PASSARÁ

Nem com balas, nem com armadilhas

 

Lamentamos que, como o projeto Conga em Cajamarca, o governo queira impor o projeto de mineração Tia Maria em Arequipa CONTRA A VONTADE DO POVO. Em uma democracia a vontade do povo deve ser levada em conta. O direito dos povos de exercer a soberania sobre seus recursos é consubstancial à democracia, do contrário esta carece de conteúdo. Denunciamos que a mineradora Southern ameaça o Valle del Tambo  e que é um direito legítimo dos moradores e camponeses da província de Islay, defender a agricultura e a água que alimenta suas famílias em todo o vale.

Lamentamos que este conflito dure mais de 50 dias com um saldo de três mortos (dois civis e um policial), centenas de feridos em ambos os lados, grandes perdas econômicas; tudo isto deveria bastar para medir o ânimo inquebrantável da população.

Rechaçamos a atitude intransigente do governo, ainda mais quando pretende imputar a reação da população a um punhado de anti-mineiros , ONGs ambientalistas e forças políticas comprometidas com a defesa dos interesses populares.

Lamentamos o comportamento deste governo e sua mudança evidente, esquecendo suas promessas e compromissos de campanha em 2011. Prometeu defender a água, a agricultura e o meio ambiente contra a voracidade dos projetos das mineradoras. Se comprometeu em voltar no local do conflito como presidente indicando que ali  “se decidiria quais serão os projetos de desenvolvimento de Islay, de Arequipa. O governo terá que dialogar, o presidente da República terá que vir aqui e não mentir, porque se mentir tem que ser derrubado”. Hoje, essas palavras soam como traição.

Constatamos que a ira da população não é só contra a mineradora Southern, com a qual faz uma amarga experiência, mas também contra o governo porque o governo se mostra como um “representante” da empresa querendo levar adiante o projeto a todo custo.

Nesse sentido:

Repudiamos que, às portas da Greve Regional em Arequipa, convocada para os dias 12, 13 e 14 de apoio em apoio a Islay, o governo opte por enviar 2 mil soldados que se somam aos 4 mil policiais da região. Essa atitude não contribui para solucionar o conflito, muito pelo contrário, incentiva a violência.

Nos somamos à demanda de suspensão do projeto Tia Maria e pela retirada das Forças Armadas da zona do conflito. Exigimos o fim da criminalização dos protestos sociais e a revogação da Lei que permite o uso de armas frente aos protestos.

Denunciamos toda a prática de corrupção, venha de onde venha. Exigimos que se investigue a mineradora e outros envolvidos e se sancione aos envolvidos nos atos de corrupção.

Exigimos que o Premier Pedro Cateriano assuma sua responsabilidade pelos mortos neste lamentável conflito. Não só deve-se negar os poderes extraordinários solicitados pelo Executivo, como também deve ser questionado o Premier. Este governo não merece mais a mínima credibilidade, nem confiança, nem trégua.

Demandamos a realização de um referendo, no qual o povo do Valle de Tambo decida sobre seu destino e o interesse nacional.

Lima, 12 de maio de 2015
Verónica Mendoza, Congresista de la República

Jorge Rimarachín, Congresista de la República

Marco Arana, Tierra y Libertad – Frente Amplio

Pedro Francke, Tierra y Libertad – Frente Amplio

Tito Prado, MPGT – Frente Amplio

Alexandro Saco, Movimiento Sembrar – Frente Amplio

Diego Motta, Partido Pueblo Unido – Frente Amplio

 

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais – artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista – com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho