Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Parar a barbárie sionista. Somos todos palestinos!

Israel volta ao destaque nos noticiários internacionais, mais uma vez desempenhando o repugnante papel de carniceiro racista contra o qual a opinião pública democrática e progressista não pode silenciar. Apesar de todos os esforços da grande mídia empresarial e imperialista em insistir na representação do que ocorre em Jerusalém e nos territórios palestinos ocupados sob o ponto de vista israelense, ou seja, com a caracterização da poderosa maquinaria militar sionista, em sua missão colonialista e genocida, como “vítima” das pedras e punhais palestinos, os números da recente onda de violência falam por si.

Desde que, no início de outubro, a intensificação das provocações de soldados e colonos israelenses (vandalizando a mesquita de Al-Aqsa enquanto restringiam o acesso à população árabe) desatou o levante da juventude palestina que testemunhamos, mais de 40 palestinos foram assassinados e cerca de mil feridos com alguma gravidade, enquanto que do lado israelense, contam-se oito mortos. A desigualdade nos números revela a magnitude do desequilíbrio de forças à qual a população palestina está submetida, abandonada pela hipocrisia cínica da “comunidade internacional” e suas instituições omissas.

O heróico levante da juventude palestina contra os crimes da ocupação israelense é um grito desesperado, no sentido mais profundo da palavra, de resistência à política de expulsão e extermínio imposta pelo Estado de Israel. Vergada sob a rotina de tortura e assassinato, essa juventude chegou ao seu limite. Parece disposta a tudo para lutar contra o ocupante sionista, que a odeia e quer eliminar. Para além das amplas massas palestinas que se mobilizam, na Cisjordânia e Jerusalém, especialmente, há um setor mais extremado que, revelando seu desespero, arma-se de facas e se lança a ataques contra o ocupante, sabendo do fuzilamento imediato pela polícia israelense.

Essa “intifada dos punhais”, como se tem chamado, tem sido utilizada como combustível no discurso da extrema-direita israelense, que mobiliza grande parte da sociedade que pensa seus privilégios coloniais como direito divino. São os mesmos que se tornaram incapazes de refletir criticamente sobre o repertório de brutalidades e abusos que consentem e, cada vez mais, praticam. O avanço acelerado da ocupação sionista na Cisjordânia fortaleceu, como nunca antes, a importância política dos colonos na sociedade israelense. Sua ideologia ultra-reacionária, obscurantista teocrática e racista, que defende abertamente a expulsão e o extermínio dos palestinos, em uma versão sionista da “solução final”, está impregnada no Estado, de alto a baixo.

O governo de Netanyahu com toda a extrema-direita é provavelmente o mais reacionário da história de Israel: os despejos, demolições, expulsões, prisões arbitrárias e assassinatos se converteram, ainda mais, em rotina diária para a população palestina. O encarceramento coletivo de todo um povo, combinado com a negação de direitos aos “árabes israelenses” pelo apartheid racista institucionalizado, são as bases daquele que é apresentado, pela mídia imperialista, como “o único Estado democrático no Oriente Médio”.  A crise de dominação dos EUA, seu aliado decisivo, na região e no mundo, leva ainda mais a burguesia sionista à radicalização como modo de afirmar suas prerrogativas próprias em um ambiente de maior competição e conflito. Da tribuna do parlamento, “respeitáveis legisladores” convocam os cidadãos israelenses a alvejar os palestinos pelas ruas. Um setor de massa atende ao chamado e, além da turba enfurecida disposta ao linchamento e à execução, que a contaminação pela propaganda sionista leva ao extremismo, a direita religiosa organiza suas milícias que assumem a vanguarda da colonização e limpeza étnica na Cisjordânia.

O papel desempenhado pelos colonos no massacre de palestinos, que vai se ampliando, pode estar representando um marco no aprofundamento do caráter criminoso e terrorista do sionismo como projeto político. Um Estado que nasce de modo artificial, como arranjo do imperialismo, dependente de uma ideologia teocrática e racista e da mobilização de uma guerra de ocupação permanente, irreversivelmente destinava-se a se tornar o que Israel é hoje, sem a possibilidade de reverter em um sentido democrático, como bem desenvolveu Pedro Fuentes em outro momento. Armados até os dentes, envenenados pelo ódio racista e contando com a cobertura das forças regulares israelenses, os colonos fundamentalistas, na linha de frente dos ataques aos palestinos, expressam claramente essa vocação fascista do sionismo.

Por outro lado, a juventude palestina atual, que cresceu sob as promessas do Acordo de Oslo, o engodo imperialista-sionista voltado a paralisar a luta do povo palestino, transforma sua frustração e revolta com as violências e humilhações cotidianas em uma rebelião generalizada. Contra toda a desigualdade na correlação de forças, a população civil palestina se lança, com os meios de que dispõe (pedras, paus, etc), contra o aparato militar de ocupação israelense. Em uma mobilização espontânea, à margem tanto do Fatah como do Hamas, que seguem incapazes de construir uma direção unificada e efetiva à luta palestina, são mesmo os mais jovens que vão protagonizando esse novo ciclo de lutas.

A ausência de uma direção conseqüente é parte daquilo contra o qual se erguem os jovens palestinos. A recusa do legado de Oslo é também a recusa a uma “Autoridade Nacional Palestina” tutelada pelo imperialismo e pelo sionismo, a serviço de uma burguesia corrupta, enriquecida ao custo da opressão mais brutal de seu povo. Apesar da dificuldade de acompanhar acontecimentos que se desenrolam a uma distância tão grande, há informações que dão conta que a mobilização vem produzindo uma rede de organizações de base que podem dar origem a algo de novo no movimento nacional palestino. Na Cisjordânia, em Gaza e entre os palestinos de (sub)cidadania israelense, o sentimento é o mesmo e a luta ultrapassou as fronteiras, em uma mesma sintonia, forjando uma nova unidade.

Nessa situação, é preciso não haver dúvida de que o Estado de Israel está empenhado em uma campanha de expulsão e extermínio contra a população palestina, mais ainda, essa campanha é parte crescente daquilo que é o próprio Estado de Israel. O desmantelamento desse Estado, enquanto conjunto de instituições de dominação (não enquanto grupo nacional) é pré-condição para a construção da paz entre palestinos e judeus na região. No momento, de acordo com a relação de forças concreta, é necessário combater a ocupação israelense do território palestino. Essa é uma tarefa de toda e qualquer personalidade democrática e progressista, à qual muitos judeus tem se somado. É preciso combater o apartheid racista. A solidariedade precisa ser militante.

Uma palavra de ordem que tem unificado vários setores engajados na luta pela causa nacional e democrática palestina é a que afirma a pauta do “Boicote, Desinvestimento e Sanções” (BDS) a Israel, tendo como referência o movimento que isolou e enfraqueceu o regime do Apartheid na África do Sul, até sua erosão final em 1994. Uma forte campanha internacional contra Israel e sua evolução fascista é necessária. O novo levante palestino, que segue avançando e se fortalecendo em um ritmo bastante acelerado, é um protesto justo e necessário contra a brutalidade colonialista de Israel. Os ataques individuais de palestinos, ao volante ou armados de pistolas e facas, contra cidadãos e militares israelenses são o outro lado da moeda dos mesmos ataques  – e outros muito piores –  cometidos pelas tropas de Israel e pelos colonos fundamentalistas. Não pode haver paz sob a opressão, nem harmonia sob a injustiça. Todo apoio ao povo palestino.

 

Referências:

https://mariaenpalestina.wordpress.com/2015/10/16/por-que-es-tan-dificil-entender-la-resistencia-palestina/

http://www.rebelion.org/noticia.php?id=204574&titular=israel-puede-estar-tomando-los-primeros-pasos-para-convertirse-en-un-estado-al%E1jico-(1)-

http://www.rtp.pt/noticias/mundo/netanyahu-inocenta-hitler-e-culpa-um-arabe-pelo-holocausto_n867583

http://laurocampos.org.br/2014/07/palestina-a-brutal-agressao-de-netanyahu-e-a-situacao-da-revolucao-arabe/

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho