Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Por: Pablo Iglesias para New Left ReviewTradução para português: Charles Rosa, exclusivo em esquerdasocialista.com.br


A explosão da crise financeira de 2008 produziu uma série de consequências políticas inesperadas, particularmente na Europa. Como poderão as forças da esquerda radical melhor responder a esse desafio sem precedentes? O objetivo aqui é explicar a análise que tem subsidiado a estratégia política do PODEMOS na Espanha: quem somos nós, de onde viemos e para onde pretendemos ir — uma reflexão mais elaborada dessas questões que eu venho desenvolvendo desde que fui eleito para a direção do PODEMOS em novembro passado. É também uma oportunidade para falar por meio de minha própria voz, fora do formato mainstream das entrevistas midiáticas. Sobre a combinação de meus papéis de secretário-geral do partido e de teórico e cientista político, o primeiro não teria sido possível sem o segundo. É uma das característica definidoras do PODEMOS.

Em face à situação política sem paralelos criada na crise da Zona do Euro, nosso ponto de partida foi um reconhecimento da derrota da esquerda no século XX, já registrada pela New Left Review. [1] O breve século de Hobsbawm, da Revolução Bolchevique à queda do Muro de Berlim, assistiu aos horrores do fascismo, guerra e violência colonial, mas foi também uma era de esperança e progresso social. Depois de 1945, os programas sociais nos países de capitalismo avançado trouxeram uma limitada redistribuição de riqueza e altos níveis de padrão de vida para amplos setores da classe trabalhadora, especialmente onde os sindicatos eram fortes. As revoluções chinesas e russas se provaram incapazes de combinar redistribuição econômica com democracia, mas produziram avanços inegáveis de modernização e industrialização; a força militar soviética, responsável primordial para a derrota do Nazismo, foi também prova de seu desenvolvimento econômico. No período pós-guerra, a URSS representou um contra-peso real para o intervencionismo estadunidense. Se a Guerra Fria gerou o bloco do Leste de estados-satélites desprovido de qualquer soberania, ela também abriu espaço para movimentos anti-coloniais desafiarem a hegemonia dos EUA, e ajudou a sustentar os estados de Bem-Estar Social e a extensão dos direitos sociais no Ocidente.

Desde a década 1970, Washington e outros poderes no Ocidente apostaram em uma nova agenda de políticas para tratar o conjunto de problemas de suas economias: repressão aos sindicatos, empoderamento dos setores financeiros, privatização dos bens públicos e aceleração do relocalização produtiva para zonas de baixo salários, alinhada com o estabelecimento do sistema do dólar como modela fiduciária. O desmoronamento do bloco soviético foi um enorme impulso para o Consenso de Washington, assim como para a predominância do capital financeiro dentro da União Europeia. Isso ganhou forma constitucional no Tratado de Maastricht, no qual os estados-membros concordaram em entregar a soberania monetária para um Banco Central Europeu “independente”. Os critérios de convergência e o Pacto de Estabilidade para cobertura da nova moeda única sinalizaram a crescente hegemonia de uma Alemanha reunificada dentro do projeto europeu; as políticas macroeconômicas nacionais ficaram restritas à redução do gasto público, à imposição do arrocho salarial e à promoção de privatizações —além da emigração. Muitas das lutas das décadas passadas na Europa podem ser vistas como barreiras defensivas contra a erosão em curso da soberania nacional. Neste contexto de derrota para as esquerdas existentes, o pensamento crítico foi constantemente separado da práxis política — em forte contraste com as ligações orgânicas entre produção teórica e estratégia revolucionária que caracterizaram o breve século vinte. O pensamento crítico tornou-se o trabalho de docentes profissionalizados, ao invés de dirigentes políticos radicais. Aliás, os temas do pensamento crítico contemporâneo estão intimamente relacionados com a derrota histórica.

Não obstante o estreitamento das possibilidades políticas em decorrência do esvaziamento da soberania estatal, os últimos quinze anos têm assistido a emergência de novos adversários do neoliberalismo, não apenas na forma de movimentos sociais mas também no nível do estado. Na América Latina, em condições de severas crises econômicas e políticas, formações populares e progressistas obtiveram vitórias eleitorais, transformadas por eles em projetos de recuperação da soberania, tanto em termos nacionais quanto regionais. Embora o contexto que produziu esses processos difiram em numerosos aspectos —estruturas econômicas, sociais e culturais, força do estado, situação geopolítica— do europeu, e principalmente, dos EUA, houve uma similaridade. A América Latina também assistiu à derrota histórica da velha esquerda nos desastrosos anos 70 e 80. A emergência dessas novas forças foi um lembrete de que a política, como um palco de lutas em condições de constante mudança, nunca termina em um impasse, por mais difícil que sejam as condições nas quais ela opera.

Ainda sem a ameaça do velho espectro, a ordem mundial tem entrado em um período de transição geopolítica ao longo dos últimos quinze anos, uma expressão do deslocamento do equilíbrio industrial entre o Atlântico Norte e o Extremo-Oriente. A predominância unilateral de Washington tem sido restringida, ao menos, pela emergência de grandes poderes, velhos e novos, cujos interesses não podem ser facilmente incorporados àqueles dos EUA. As reformas de Deng Xiaoping demonstraram a viabilidade de um ultracapitalismo planejado de estado, convertendo a terra da Revolução Cultura na principal zona produtiva do mundo e num poderoso ator internacional. Na “região do pivo” da Eurásia, a Rússia semi-democrática de Putin continua a demonstrar que Moscou voltou para a arena internacional.

Rachaduras

A crise de 2008 tem agora produzido novas aberturas políticas inesperadas, no sul da Europa em particular, em formas que poucos poderiam ter previsto. Auxílios estatais para instituições financeiras falidas levaram à elevação vertiginosa das dívidas nacionais e à subida das taxas de juros e dos spreads bancários. As políticas emergenciais para “salvar o euro” impostas – e logo normalizadas – pelo bloco liderado pela Alemanha têm provocado efeitos desastrosos em Portugal, Irland, Itália, Grécia e Espanha, onde milhões perderam seus empregos, dezenas de milhares estão sendo despejadas de seus lares; o desmantelamento e privatização dos sistemas públicos de educação e saúde têm se acelerado severamente, assim como o peso das dívidas foi transferido dos bancos para os cidadãos. A UE tem se dividido em linhas norte-sul, um divisão do trabalho que exige uma força de trabalho sub-remunerada, bens e serviços baratos para os países mediterrâneos, enquanto a juventude e os melhores treinados são forçados a migrar. O orçamento da UE no período 2014-2020 representa uma vitória desta linha.

Não muito tempo atrás, a Espanha estava sendo saudada como uma história de sucesso econômico da UE graças ao modelo de desenvolvimento baseado nas bolhas imobiliárias e projetos urbanísticos corrompidos, controlado desde a Transição pós-Franco pelo Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e Partido Popular (PP). Agora, ao lado de outros PIIGS, a Espanha está sendo forçada a abrir mão de direitos sociais históricos através de políticas de austeridade que Alemanha e seus aliados do Norte nunca imporiam em sua casa. Mas a própria crise tem ajudado a forjar novas forças políticas, mais notavelmente Syriza na Grécia — que finalmente tem um governo soberano, defendendo uma Europa social —assim como o Podemos na Espanha, abrindo a possibilidade de mudança política real e a recuperação dos direitos sociais. Claramente nas presentes condições, isso não tem nada a ver com revolução, ou transição ao socialismo, no sentido histórico destes termos. Mas é factível visar um processo soberano que limitaria o poder das finanças, estimularia a transformação da produção, garantiria uma redistribuição mais ampliada da riqueza e empurraria para uma configuração mais democrática das instituições europeias.

Crise do Regime?

Mas qual tipo de crise está acometendo a Espanha? Na definição clássica de Gramsci, hegemonia é o poder das elites dominantes em convencer os grupos subalternos que eles compartilham os mesmos interesses, incluindo estes grupos num consenso geral, embora em um papel subordinado. A perda dessa hegemonia cria uma crise orgânica, que pode se manifestar no fracasso das instituições dominantes —inclusive dos partidos políticos mainstream — em preservar e renovar sua legitimidade. Na Espanha, como em outros países da Zona do Euro, a fusão econômica e as medidas impostas para “salvar a moeda comum” aumentou o espectro de uma crise orgânica, que leva a termos políticos para o que nós chamamos uma crise do regime: que é, a exaustão do sistema político e social que emergiu da transição pós-Franco. A principal expressão social dessa crise do regime foi o movimento 15-M, a vasta mobilização dos indignados a qual, iniciada em 15 de maio de 2011, ocupou praças por toda a Espanha durante semanas. Sua principal expressão política veio a ser o PODEMOS.

A transição pós-1975 da Espanha transformou o franquismo em um sistema liberal-democrático, comparável aos países mais ocidentais. De modo crucial, ele deixou as elites econômicas franquistas intocáveis e ajudou a reciclar uma boa parte da direção administrativa e política, que manteve suas posições dentro do aparato estatal mesmo depois da vitória esmagadora do PSOE em 1982. Um “espírito de consenso” norteou não apenas os reformistas franquistas, comandada por Adolfo Suárez, mas também a oposição democrática — o Partido Comunista Espanhol (PCE), pilar fundamental da resistência clandestina à ditadura, e o PSOE, inicialmente muito menor. Com o apoio total da mídia convencional, sobretudo do influente diário El País do grupo Prisa, este consenso foi incorporado aos Pactos de Moncloa em 1977, amarrando os sindicatos ao arrocho salarial em troca de benefícios sociais. Isso foi traduzido em normas jurídicas pela Constituição de 1978, firmada em referendo, que deu seu nome ao “Regime de 78”. Pouco a pouco, apesar da resistência bem-estabelecida dos partidos nacionalistas catalães e bascos e determinados setores da esquerda, este consenso ganhou o apoio da maioria da população espanhola. Consagrada em uma “monarquia constitucional” sob um sucessor escolhido por Franco, Juan Carlos I, os novos arranjos asseguraram a adesão da Espanha a OTAN e à Comunidade Europeia, a um custo reduzido para a elite econômica.

Os modestos resultados do PCE na eleição de 1978 não alteraram suas táticas possibilistas, seguindo a mesma linha Eurocomunista “pragmática”, com o mesmo estilo conservador, tal como os partidos italianos e franceses. No auge do debate dentro do Eurocomunismo, de seu escasso rendimento eleitoral e do desmantelamento do movimento social, Manuel Sacristán—talvez a mente mais brilhante do marxismo espanhol— colocou a derrota histórica do movimento operária e a esquerda dentro de um novo contexto socioeconômico dominado pelo consumismo, pela influência crescente da mídia de massas e pela situação internacional que impôs limites estreitos a qualquer transformação significativa na Europa meridional. [2] A lição tirada não foi somente a impossibilidade do socialismo e da revolução —visto do presente, é bastante tocante que havia dirigentes políticos na Espanha que acreditavam na viabilidade desses projetos — mas a impossibilidade de esquemas bastante moderados de melhoria social, considerados eleitoralmente inviáveis no contexto de crescente hegemonia neoliberal. “Entretanto”, o que tinha de ser feito, de acordo com Sacristá, era assumir a ação no nível da micropolítica, fora do estado, nos movimentos ambientais, pacifistas e feministas, assumindo formas alternativas de vida diária. Para as propostas eleitorais, o PCE formou uma aliança mais alargada em 1986, a Izquierda Unida. Para a esquerda espanhola, parecia não haver melhores opções.

Depois de 2011

Hoje, como resultado da debácle da Zona do Euro, não estamos mais vivendo o “entretanto” mas em uma crise completa do —uma situação na qual seria possível alterar os parâmetros da política espanhola de um modo que não ocorria desde a Transição pós-Franco. Ressalte-se que esta não é uma crise estatal, um colapso do aparato administrativo, tal como estava se desdobrando na Bolívia e no Equador antes que Morales e Correa fossem arrastados para o governo em 2006. As instituições estatais na Espanha, ainda que empobrecidas e sangradas pela corrupção, ainda cumpriam suas funções — que iam além do monopólio da força— fornecendo os mecanismos regulatórios para a existência social, como gerar lealdade e segurança para a ordem dominante. Contudo, o indiscutível fracasso das políticas de austeridade na Espanha ajudaram a desencadear uma crise do regime, que abriu —por quanto tempo, não sabemos— um cenário sem precedentes de oportunidades políticas. A frustração das expectativas entre importantes setores das classes médias e assalariadas, como resultado das “reformas estruturais”, é um dos fatores mais decisivos para compreender as possibilidades políticas do presente.

O movimento 15-M serviu como uma válvula de escape para essas frustrações. O fato de que ele não encontrou uma expressão eleitoral demonstrou que a crise hegemônica trazida à tona por este movimento, que surpreendeu o mundo, era também uma crise da esquerda existente na Espanha. O 15-M apontou um espelho para a esquerda, revelando suas deficiência. Também colocou sobre a mesa o principal componente do senso comum: rejeição das elites políticas e ecoômicas dominantes, sistematicamente assinaladas como corruptas. O 15-M também cristalizou uma nova cultura de contestação que não poderia ser compreendida pelas categorias de esquerda e direita — algo que os dirigentes da esquerda existente refutaram reconhecer desde o começo. A lógica do 15-M levou para sua exaustão; não conquistar os efeitos desejados pelos seus ativistas engajados, que esperavam que o social poderia substituir o institucional. Visando reduzir a política a uma mera expressão dos contrapoderes sociais, construídos através de mobilização e paciente ativismo, foi um dos maiores erros da intelectualidade movimentista da Espanha, que falhou em perceber que o “entretanto” era precisamente isso: um modo de trabalhar até a chegada do momento da audácia, que exigiria técnicas políticas bastante diferentes.

As derrotas sofridas pelo PSOE nas eleições nacionais e regionais de 2011 que se seguiram ao 15-M foram de uma severidade histórica; o PSOE perdeu algo em torno de 40% dos votos de 2008. O resultado imediato foi que o PP levou uma série de governos regionais e conquistou uma maioria absoluta nas Cortes. Mas a partir dali, pode-se sentir as mudanças que estavam ocorrendo dentro do sistema partidário. Ficou claro desde as eleições que ambos os partidos governantes, PP e PSOE, estavam perdendo apoio eleitoral, enquanto a Izquierda Unida e os pequenos partidos liberais —Ciudadanos, fundado na Catalunha em 2006, e Unión Progreso y Democracia (UPyD), formado em 2007— estavam indo melhor. Nesta nova conjuntura, a IU tinha a oportunidade de elaborar uma estratégia mais audaciosa — ou no mínimo, menos tímida—que aquela que vinha perseguindo. Teria sido suficiente seguir o exemplo da Alternativa Galega de Esquerda (AGE), uma aliança entre a IU, Anova —um partido nacionalista de esquerda da Galícia —ecologistas e outros. Um movimento desta natureza no nível nacional poderia ter permitido a IU obter uma representação eleitoral para o descontentamento social fervilhante, mas ela não aproveitou a oportunidade.

Na Catalunha, entretanto, era óbvio que a Convergència i Unió, o partido nacionalista-conservador hegemônico, estava perdendo terreno para seus opositores moderadamente social-democratas, a Esquerra Republica de Catalunya, que visava tornar-se o principal partido dentro do processo pró-independência — claramente a coluna do descontentamento social da vez. No País Basco e em Navarra, a volta da esquerda abertzale para a arena eleitoral estava ameaçando a hegemonia do Partido Nacionalista Basco em Euskadi e até mesmo a do conservador União do Povo Navarro.

Se nós adicionássemos a essas tendências a erupção do PODEMOS, seus resultados nas eleições europeias de 2014 e subsequente trajetória nas pesquisas, o modelo bipartidários da Espanha parecia estar em xeque. A ofensiva incessante contra o PODEMOS, conduzida com uma virulência inédita para a Espanha, revela a medida em que somos vistos como uma ameaça real para o sistema de partidos dinásticos. É óbvio que o jogo apenas começou. Nos meses adiante, enfrentaremos desafios difíceis, a começar pelas eleições regionais do 24 de Maio. Mas também parece claro que , além dos resultados imediatos nas urnas, há sinais de irreversibilidade nessa crise do regime. A política espanhola não voltará a ser o que era antes do PODEMOS.

A hipótese PODEMOS

Assumindo que, sob determinadas condições, é possível gerar discursivamente uma identidade popular que pode ser politizada no decorrer das campanhas eleitorais, então na Espanha, no contexto da incipiente crise do regime produzida pelo desastre da Zona do Euro, essas condições pareciam estar presentes. A tarefa, portanto, era agregar as novas demandas geradas pela crise eu redor de uma liderança midiática, capaz de dicotomizar o espaço político. Dados esses fatores, nossa hipótese não é difícil de compreender. Na Espanha, o espectro de uma crise orgância estava gerando as condições para a articulação de um discurso dicotomizante, capaz de concretizar as novas construções ideológicas do 15-M em um sujeito popular, em oposição às elites.

Para os fundadores do PODEMOS, esta não era uma nova hipótese; nós tínhamos começado a esboçar isso em nossas reflexões iniciais sobre o movimento 15-M. Nosso pensamento baseou-se em um conjunto particular de experiências políticas —a “década ganha” da América Latina— e em um modelo específico de comunicação política: nosso programa televisivo, La Tuerka [O parafuso]. As análises dos desdobramentos na América Latina nos ofereceram ferramentas teóricas para interpretar a realidade crise espanhola, dentro do contexto da periferia da Zona do Euro; desde 2011, nós começamos a falar da “latinoamericanização” da Europa Meridional como a abertura de uma nova estrutura de oportunidade política. Esta possibilidade populista foi teorizada mais especificamente por Íñigo Errejón, fundamentando-se no trabalho de Ernesto Laclau.

A segunda chave para esta hipótese foi La Tuerka. Desde o início, dentro de nossos modestos recursos, nós compreendemos La Tuerka como um “partido”. As pessoas não mais se engajam politicamente através dos partidos, nós pensamos, mas através da mídia. La Tuerka e nosso segundo programa, Fort Apache, foram os “partidos” através dos quais nós travaríamos nossa luta política no terreno mais fundamenta da produção ideológica: televisão. La Tuerka tornou-se nossa escola preparatória, nos ensinando como intervir efetivamente nos talk shows das televisões mainstream. O programa também nos treinou para o trabalho de consultoria em comunicação política que nós desenvolvemos, que por sua vez nos deu experiência em planejamento de campanhas eleitorais, assessoria de porta-vozes e dirigentes políticos. Graças a La Tuerka e ao treinamento que ganhamos, nós aprendemos que como produzir ‘anúncios” de televisão — e como pensar politicamente dentro da mídia televisiva.

Nossos objetivos naquele estágio eram modestos; nós nunca pensamos que conseguiríamos ir tão longe. Mas alcançar esses objetivos limitados —escrevendo artigos, promovendo iniciativas de pequena escala, produzindo e apresentando programas de TV, estudando comunicação audiovisual, aconselhando dirigentes políticos sobre estratégia midiática— assegurou que estávamos bem preparados para o ingrediente indispensável da hipótese Podemos: uma figura de liderança com um alto grau de reconhecimento na Espanha. Não era inevitável nossa presença na TV, e não havia nenhuma garantia de que ela se revelaria efetiva e duradoura. Desde maio de 2013, contudo, eu estava constantemente na mídia de massas. Naquele verão, nós começamos a pensar sobre a possibilidade de usar minha presença midiática para uma intervenção política nacional. Nesse estágio, minha visão era que semelhante projeto só poderia ser levado adiante em colaboração com a esquerda existente. A proposta que nós fizemos aos partidos de esquerda de primárias abertas sinalizou esta orientação. Nós pensamos que abrir a escolha de candidatos aos cidadãos ajudaria a inclinar a balança de forças a nosso favor: a esquerda ficaria mais parecida com o povo.

Nós nos enxergávamos como uma força de renovação; o que nós não antecipávamos era que a frieza, para não dizer hostilidade aberta, com que nossas propostas foram recebidas nos permitiria ir muito mais além. O conservadorismo obstinado dos dirigentes da IU, incapazes de dialogar com outros estilos ou perspectivas, e o desdém de alguns grupos ativistas, nos forçaram a começar a por nossa hipótese em prática em uma virtual solidão; mas que também significou que nós não estávamos sob nenhuma obrigação de fazer concessões ao conservadorismo de esquerda, ou os estilos paralisantes de alguns dos movimentos sociais. Paradoxos da história: dentre as condições habilitantes do fenômeno Podemos, incluem-se as reservas que ele gerou entre aqueles que teoricamente mais provavelmente compartilhariam de nosso projeto — graças a isso nós conseguimos voar mais alto e mais livremente.

Dentro de um configuração do campo político em uma divisão esquerda-direita criou-se um ambiente em que a mudança, em uma direção progressiva, já não era mais possível na Espanha. No terreno simbólico da esquerda e direita, aqueles de nós que advogávamos uma transformação pós-neoliberal através do estado — defendendo os direitos humanos, soberania e a ligação entre democracia e políticas redistributivas — não tínhamos a mínima chance de vitória eleitoral. Quando nossos adversários nos apelidavam de “esquerda radical” e tentavam, incessantemente, nos identificar com estes símbolos, eles nos empurravam para dentro de um terreno onde a vitória deles era mais fácil. Nossa mais importante tarefa política discursiva era contestar a estrutura simbóblica de posições, lutar pelos “termos de discussão”. Em política, quem decide os termos do debate determina muito de seu resultado. Isto nada tinha a ver com “abandono de princípios” ou “moderação”, mas com a premissa de se nós nos definíssemos no terreno da luta ideológica, isso limitaria o repertório discursivo à nossa disposição.

Isso somente é possível em situações excepcionais, tais como a que nós estamos agora. Ela demanda uma estratégia específica para identificar as abordagens que poderiam definir esta nova configuração, tal como o discurso a ser projetado na esfera midiática. Quando nós insistimos em falar sobre despejos, corrupção e desigualdade, por exemplo, e resistimos ficar arrastando para o debate formas de estado (monarquia ou república), memória histórica ou política penitenciária, isso não significa que nós não tínhamos uma posição sobre esses temas ou que nós estávamos moderando nossa posição. Antes, nós assumíamos que, sem a maquinaria do poder institucional, não faz sentido neste ponto focar em zonas de luta que nos separaria da maioria, que não era “de esquerda”. E sem ser uma maioria, não é possível conseguir acessar a maquinaria administrativa que nos permitiria lutar essas batalhas discursivas em outras condições, enquanto intevíamos com políticas públicas.

TV Nation

Há décadas, a televisão tem sido o aparato ideológico central de nossas sociedades. Nos anos recentes, as redes sociais abriram novos espaços de contestação ideológica, democratizando o acesso à esfera pública, apesar de sua penetração desigual em diferentes estratos. Ainda que elas estejam longe de competir com a TV, elas desempenharam um papel-chave em nossa campanha para as eleições europeias e permanecem uma das marcas distintivas do PODEMOS. A televisão, no entanto, condiciona e ainda auxilia a manufaturar as estruturas através das quais o povo pensa —as estruturas mentais e seus valores associados— em um nível de intensidade muito maior que os espaços tradicionais de produção ideológica: família, escola, religião. Na medida em que as atitudes e as opiniões políticas estão em causa, na Espanha os talk shows de TV são provavelmente os maiores produtores de argumentos explicitamente para uso popular. Muitos dos argumentos ouvidos nos bares ou locais de trabalho são gerados pelos “formadores de opinião” que aparecem na TV e no rádio. Os imaginários sociais são claramente compostos pelos formatos aparentemente não-ideológicos e apolíticos, apresentados como meramente entretenimento —as mais importantes operações ideológicas são aquelas que dão a aparência de ser não-ideológica às noções que são percebidas como senso comum. No contexto da crise, todavia, tanto quanto os debates especificamente estão em evidência, os estúdios de TV se tornam os reais parlamentos. Na verdade, uma das manifestações mais importantes da crise foi a abertura de um novo espaço dentro dos debates televisivos, que nós pudemos ocupar; alguém tinha de representar as “vítimas” da crise. O que nós dizemos permitiu a essas vítimas —camadas subalternas, sobretudo as classes médias empobrecidas—a identificar-se como tais e a visualizar, através da forma de um novo “nós”, o “eles” de seus adversários: as velhas elites.

O fenômeno televisivo do “professor com rabo-de-cavalo” pode ser definido como a mais efetiva ocupação daquele espaço, anteriormente tentada por outros à esquerda, quer através da sorte quer através da prática. De fato esse discurso televisual esta o resultado de intensa preparação para cada intervenção. Pouco a pouco, um convidado não-convencional de esquerda tornou-se um ponto de referência para o descontentamento sócio-político causado pela crise. Converter essa referência em um candidato era uma estratégia de alto-risco; nossa campanha para as eleições europeias foi bem-sucedida porque nós conseguimos manter aquela presença midiática que, até a duas semanas da campanha, foi basicamente a de um convidado de talk-show mais do que a de um candidato ou dirigente político. A principal meta da campanha foi explicar que “o rapaz com rabo-de-cavalo” na TV estava participando das eleições. Isso porque nós optávamos por algo que nunca tinha sido feito antes na Espanha: usar a cara do candidato na cédula. O “Povo da Televisão” – ou a “Nação da TV”, por assim dizer — não conhecia um novo partido político chamado PODEMOS, mas eles conhecia o rapaz com rabo-de-cavalo.

A população, politicamente socializada através da televisão, não estava “representada” dentro das tradicionais categorias esquerda-direita do espaço político. No contexto de alta insatisfação com as elites, nosso objetivo de identificar um novo “nós” que incluísse a nação da TV inicialmente veio junto do significante “Pablo Iglesias”. Antes e durante a campanha, nossa tarefa nos talk shows de TV objetivava introduzir novos conceitos e argumentos que poderia ajudar a definir a batalha a nosso favor. O modo no qual a noção de “Castas” foi mobilizada — denotando o establishment político e econômico da Espanha — talvez seja o melhor exemplo. Esse novo espaço midiático, suscetível de politização, tinha funcionado por algum tempo, como a análise do programa acabou revelando. A popularidade avassaladora de programa semanal Salvados sobre atualidades e de seu apresentador Jordi Évole não pode ser explicado apenas pela sensibilidade social de seus assuntos ou pela verve progressista de Évole. A chave para seu sucesso foi sua capacidade para focar nos problemas centrais da insatisfação social criando —seja conscientemente ou não— um novo discurso que cruzou fronteiras políticas: em termos laclaulianos, ele foi transversal.

Rumo ao partido

De nosso lançamento em Janeiro de 2014 até as eleições europeias de maio, a direção política do PODEMOS foi constituída por um grupo de algumas dezenas de quadros, que assumiram todas as tarefas habituais de uma equipe de campanha. Junto com um grupo de acadêmicos da Universidade Complutense de Madri, a campanha se baseou em uma nova geração de militantes da Juventud sin Futuro, associações estudantis, La Tuerka e outras organizações sociais e políticas, assim como projetos de cultura alternativa e o 15-M. Este grupo formou o núcleo inicial do PODEMOS e executou sua campanha inicial, focando na comunicação —redes sociais, programas de TV, eventos públicos, propaganda. Poucas semanas depois do lançamento, nós divulgamos um chamado para criação dos Círculos Podemos, grupos locais e setoriais que começaram a florescer, estabelecendo nossa presença em todo o país. Mas apesar deste extenso trabalho em equipe, nós estivemos longe de ser uma organização política. PODEMOS foi ainda um movimento de cidadãos que tinham sido incendiados por um tremendo entusiasmo, expresso no estabelecimento dos Círculos, nas participação crescente em nossos eventos, na atividade de milhares nas redes sociais e na possibilidade que sua esperança pudesse ser traduzida em votos no 25 de Maio. Mas nós não éramos ainda uma organização política.

O PODEMOS conquistou cinco cadeiras no parlamento Europeu, embora ainda lhe faltasse uma direção política formal e uma estrutura setorial e territorial organizada pelas regiões, assim como mecanismos formais de tomada de decisões. Desde o início apostamos em um processo que permitiria a participação popular nas decisões mais importantes; era dessa maneira que a equipe técnica que organizou o congresso fundacional, a Assembleia Cidadã de novembro de 2014, foi escolhida. Na Assembleia, que representou um marco histórico em termos de participação, Podemos se converteu de um movimento cidadão com um projeto eleitoral em uma organização políticas com corpos diretivos, sistemas internas de controle, diretrizes políticas e táticas e um objetivo claro de eficiência organizacional. Daquele ponto nós iniciamos nossos processos de construção regional e local, que acabam de ser concluídas. No curso da Assembleia, nós acordamos nossa estratégia eleitoral básica, apoiando candidatos de unidade popular nas eleições municipais, para as quais PODEMOS sairia independentemente, enquanto concorreríamos nas eleições regionais sob nossa própria “marca”.

Nossa Assembleia Constituinte, e os processos regionais e locais que se seguiram, estabeleceram, a estrutura de um partido político, na trilha para as eleições gerais de novembro de 2015. Mas a musculatura do PODEMOS, por assim dizer, vai bem além da organização por si mesma, visto que ele tem a capacidade de linkar os setores mais avançados da sociedade civil em um projeto amplo de transformação política, trabalhando para incluir movimentos populares em um processo que não pode ser levado a cabo sozinho. Para ser um partido governante, PODEMOS necessita de melhores quadros da sociedade civil; vencer eleições vai nos requerer salvaguardar aqueles links de tomada de decisão junto com a amplitude da sociedade através de votações abertas. Se algo tem nos feito fortes, é justamente não ter permitido que os núcleos militantes nos isolassem das vontades da sociedade, sequestrando uma organização — além e acima das identidades de seus dirigentes políticos, quadros e militantes — um instrumento para transformação política na Espanha.

A Marcha do Podemos pela Mudança em 31 de janeiro deste ano não foi apenas um evento histórico em termos de escala de participação —entre 100000 e 300000 pessoas— mas também em suas características não-convencionais. Não era um protesto, e ele nem pretendia levantar um conjunto particular de demandas sociais. A história do movimento operário do século XX demonstrou que nem todas as lutas precisam ser justificadas por demandas laborais específicas; ademais, em momentos decisivos, uma greve pode se tornar um instrumento político, sem interfaces representativas ou mediações. A Marcha pela Mudança foi um evento especificamente políticos, ligado à representação pública de uma vontade social que tem o PODEMOS como um instrumento fundamental para a mudança. Sua importância não reside apenas no fato de que nenhuma outra força política na Espanha tinha a capacidade para uma mobilização nessa escala. Muito mais importante que isso, a Marcha pela Mudança assinalou uma determinação para finalizar a dissociação entre mobilizações de massas e políticas eleitorais. O velhos partidos políticos na Espanha parecem para os cidadãos como um pouco mais do que máquinas para obter acesso a administração estatal por meios eleitorais. De fato, as eleições que se seguiram ao movimento 15-M tinham o sentimento de uma ilusão ótica: políticos e partidos que estavam totalmente desacreditados, percebidos como o principal problema pelos cidadãos, foram aparentemente intocados ainda dominando o reino da democracia formal. A Marcha pela Mudança levou a política de volta para as ruas. Se não tão vasta como a Marcha para a Dignidade de Março de 2014, que colocou juntos os sindicatos e os movimentos sociais sob o slogan “Pão, Emprego, Moradia”, ela entretanto demonstrou tanto a força de nossas capacidades organizacionais quanto o apoio massivo dos cidadãos espanhóis. A resposta irônica das velhas elites para o movimento 15-M — dizendo aos manifestantes das praças que eles deveriam concorrer nas eleições— está indistintamente para ser repetida em breve. A mobilização de janeiro de 2015 sinalizou o início de um novo ciclo, abrindo um ano decisivo para a Espanha.

Terreno Movediço

Desde as eleições europeias, mas particularmente desde o início de 2015, os ataques do establishment dirigidos ao PODEMOS tem sido incessantes, superando de longe o que está sendo dispensado a outras forças políticas. Isso era inteiramente previsível, prova do quanto nós alarmamos os históricos detentores do poder na Espanha. A explosão vertiginosa de uma organização como o PODEMOS nas eleições tem causado o nervosismo entre os nossos oponentes. Nos primeiros meses de 2015, os argumentos usados contra nós elos propagandistas do PP e do PSOE usualmente tem um efeito boomerang, aumentando nosso apoio e permitindo aos nossos porta-vozes rebater com efeito notável na mídia massiva. Ao longo dos últimos meses, as técnicas e características desses ataques tem se aguçado, e tem lentamente se tornado prejuduciais. Nós precisamos assumir que nossas batalhas midiáticas não mais serão conduzidas nas mesmas condições vantajosas de antes e que os ataques vão continuar, no mínimo até conquistarmos uma institucionalização nas eleições locais e regionais. As campanhas recentes contra nós tem mostrado que nós podemos perder nossa capacidade ofensiva de colocar assuntos na agenda política.

O desafio mais importante nós enfrentamos são as eleições gerais de Novembro. É difícil predizer onde nós chegaremos, mas o que necessitamos para ir adiante é de um plebiscito que simplificará as opções políticas em uma escolha entre o PP conservador e o Podemos. Mas embora seja possível para nós superarmos o PSOE, este ainda está longe da “Pasokização” —o colapso completo sofrido pelo partido de centro-esquerda Pasok, um dos partidos mais poderosos da Grécia reduzido à irrelevância depois da coalizão pró-austeridade com a Nova Democracia. O PSOE ainda tem um apoio eleitoral significativo. Ele recebeu um cilindro de oxigênio das eleições regionais de Andaluzia em março, mesmo se estes resultados tenham sido mais por causa das condições locais. Podemos triplicou seus votos desde as eleições europeias, ganhando 15 cadeiras e 15% dos votos — um bom resultado, embora não prenuncie a nossa superação aos partidos tradicionais, PP e PSOE. Isso porque as eleições regionais de 24 de maio —sobretudo em Madri, Valência e Astúrias— e a eleição catalã em setembro são tão importantes quanto para nós.

Nosso objetivo vital esse ano é superar o PSOE — uma pré-condição essencial para a mudança política na Espanha, ainda se nós não conseguirmos ultrapassar o PP. A hipótese de virada de 180 graus dos Socialistas e de sua rejeição à política de austeridade, para que nós possamos chegar a um entendimento com eles, somente estará em jogo se nós efetivamente os superarmos. Nesse estágio, PSOE ou vai aceitar a direção do PODEMOS ou vai cometer suicídio político se submetendo ao PP. A direção do PSOE e as diferentes facções dentro do partido estão bem conscientes disso e tem trabalhado incansavelmente para minimizar nossa liderança. Manter as eleições andaluzas dois meses antes foi uma clara tentativa da baronesa regional do PSOE, Susana Díaz, tornar claro que o primeiro teste nessa ano eleitoral decisivo ocorresse onde os socialistas tinham sofrido o mínimo atrito —e eles assim o fizeram.

Outra questão crucial a ser determinada em 2015 será nossas responsabilidades no cenário pós-eleitoral, onde o Podemos deverá enfrentar a possibilidade de governar com o apoio de outros partidos, ou apoiar outros para que eles possam governar. Nós devemos ver ainda uma série de “grandes coalizões” a nível regional entre PP e PSOE, que fortaleceriam o papel do Podemos como principal oposição, embora elas sejam desastrosas para a Espanha. Mas para os socialistas isso implicaria a Pasokização e seus líderes estão provavelmente explorando outras opções. O PSOE vai se ver na contradição entre a lógica do estado e seus interesses como um partido, e não está claro como isso será resolvido. O mesmo dilema espera os Cidadãos, o partido chapa-branca das elites, promovido como o “Podemos direitista”: eles são obrigados a discutir um potencial acordo com o PP mas sabe-se do impacto negativo que isso teria em seu crescimento eleitoral.

Para o Podemos, será importante desempenhar um papel nos governos regionais depois das eleições regionais e manter o PP fora dos governos. Mas o mais crítico de tudo é entrar nas eleições gerais em uma possível posição mais forte. O empoderamento institucional vai nos oferecer salvaguardas e nos dar uma experiência vital, mas ele poderá também significar a perda de nossa vantagem como outsider. Nós devemos enfrentar as contradições que puderem debilitar nosso objetivo fundamental: ir às eleições gerais com as melhores esperanças de redefinir o campo de forças na Espanha.


[1] ‘The only starting-point for a realistic left today is a lucid registration of historical defeat’: Perry Anderson, ‘Renewals’, nlr 1, Jan–Feb 2000. Anderson chamava para uma instância de realismo intransigente, refutando qualquer acomodação com o sistema dominante e rejeitando qualquer consolação atenuante de seu poder: pp. 16, 13–14. [Esta e subsequentes notas: nlr]

[2] Para uma visão alternativa, defendendo que uma aliança determinada entre o PCE e o PSOE poderia ter extraído uma liquidação significativamente mais democrática dos franquistas, especialmente se levando em conta os altos níveis de militância operária à época, veja dois artigos de Patrick Camiller: ‘Spanish Socialism in the Atlantic Order’, nlri/156, March–April 1986, and ‘The Eclipse of Spanish Communism’, nlri/147, Sept–Oct 1984.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin