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O surrealismo foi revelado há 90 anos

Por António José André.

No dia 14 de setembro de 1925, houve uma primeira exposição surrealista, em Paris. Max Ernst, Pablo Picasso, André Breton, Joan Miró, Man Ray, Marcel Duchamp, Salvador Dali e outros revelaram ao público uma pintura fortemente inspirada nos desenvolvimentos da psicanálise. 


A exposição confirmou que havia um componente surrealista nas artes visuais e técnicas do dadaísmo, como a fotomontagem. Em 1928, André Breton publicou “Surrealismo e Pintura”, obra que resumia o movimento até aquele momento, embora a escola prosseguisse até 1960.

O surrealismo foi desenvolvido a partir do movimento dadaísta na Iª Guerra Mundial e o mais importante centro foi Paris. Nos anos 20, o movimento difundiu-se em todo o mundo, influenciando as artes visuais, literatura, cinema, música, línguas, o pensamento e prática política, filosófica e social.

Durante a Iª Guerra Mundial, André Breton, que viria a ser líder dos surrealistas e tinha formação em medicina e psiquiatria, serviu num hospital neurológico, onde usou os métodos da psicanálise de Freud com os soldados em estado de choque. De regresso a Paris, Breton lançou o jornal literário “Littérature”, com Louis Aragon e Philippe Soupault.

Eles começaram a experimentar a “escrita automática”, escrevendo os seus pensamentos de forma espontânea e sem censura, bem como relatos dos seus sonhos. Breton e Soupault analisaram em profundidade esse “automatismo” e escreveram “Les Champs Magnétiques”, em 1919..

Outros artistas juntaram-se ao grupo, acreditando que o “automatismo” era a melhor tática para as mudanças sociais dos valores vigentes. O surrealismo defendia a ideia de que as expressões comuns eram vitais e importantes, mas que se devia estar aberto a toda a imaginação segundo a dialética hegeliana.

Também tiveram em conta a dialética marxista e os trabalhos de teóricos como Walter Benjamin e Herbert Marcuse. O trabalho de Sigmund Freud com livre associação, análise dos sonhos e do inconsciente foi importante para os surrealistas no desenvolvimento de métodos para libertar a imaginação.

O surrealismo teve como objetivo revolucionar a experiência humana, incluindo a pessoal, os aspetos culturais, sociais e políticos, libertando as pessoas do que eles viam como falsa racionalidade e costumes restritivos e estruturais. Breton proclamou, o objetivo do surrealismo é “a revolução social e em paz!”.

Pouco depois de lançar o “Manifesto Surrealista”, em 1924, os surrealistas publicaram a revista “La Révolution Surréaliste”, que durou até 1929. Pierre Naville e Benjamin Péret eram os editores e a publicação foi concebida no formato da revista científica “La Nature”. A revista, além de textos, incluía reproduções de arte.

Em 1925, formou-se um grupo surrealista autónomo, em Bruxelas. O grupo incluía o músico, poeta e artista, ELT Mesens, o pintor e escritor, René Magritte, Paul Nougé, Marcel Lecomte, Camille Goemans, e André Souris. Em 1927, eles juntaram-se ao poeta, Louis Aragon.

No mesmo ano, Goemans e Magritte mudaram-se para Paris e frequentaram o círculo de Breton. Os artistas, com as suas raízes no dadaísmo e no cubismo, na abstração de Wassily Kandinsky, no expressionismo, e no pós-impressionismo, também chegaram à chamada arte primitiva e “naif”.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais – artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista – com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho