Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

O Brasil precisa de um novo Junho de 2013

A Operação Lava Jato desnudou  a realidade de apodrecimento das instituições da República. A revelação da propina recebida por Eduardo Cunha é mais um elemento a compor o cenário, no qual a ligação de parte da cúpula do PT com as empreiteiras corruptas é a parte mais sombria.

O Tribunal de Contas, que deveria fiscalizar, também é atingido, o que não é de surpreender para quem conhece a forma como os Ministros do TCU são escolhidos e o perfil da maioria dos integrantes desta “Corte”. Fernando Collor de Mello e seus carros de luxo parecem debochar de todos nós que fomos às ruas pelo Fora Collor, quando um reles Fiat Elba acabou por ajudar a selar o destino do então Presidente da República.

Renan Calheiros e Eduardo Cunha, os dois presidentes das mais altas casas parlamentares do Brasil, estão sob suspeita e deveriam renunciar imediatamente, em nome da decência. O primeiro já é réu, o segundo está a caminho. Mas o fato é que não há decência nesta República, e a “res” pública, que deveria ser a coisa pública, virou uma res-podre.

Numa tentativa de garantir que só os cúmplices deste modelo sobrevivam, Cunha comandou uma mudança na legislação eleitoral para amordaçar o PSOL e outros partidos que não fazem parte do esquema. Se o Senado aprovar, somente aqueles com 9 deputados poderão estar nos debates eleitorais. Muito conveniente. Sendo assim, ninguém vai dizer o que eles não querem ouvir.

Mas então, qual a saída?

O impeachment de Dilma é  a resposta oferecida por setores que, cavalgando no  justo sentimento de indignação que toma conta do povo, querem entregar os anéis para não perder os dedos. Oferecem a cabeça de Dilma numa bandeja para na verdade não mudar nada, entregando o poder a Michel Temer ou a Eduardo Cunha, algo já impensável, visto que Cunha também já está balançando. O Fora Cunha tende a ganhar força nos próximos dias, ainda mais depois do patético pronunciamento de sexta-feira à noite.

Que se vayan todos foi a palavra de ordem dos hermanos argentinos há alguns anos e que nos serve bem neste momento. Mas se todos se forem, como fica?

Precisamos mesmo colocar abaixo este regime político e suas instituições. Reconstruir novas formas de representação popular, novas instituições que sejam de fato representativas dos interesses populares e não instrumentos de negociatas, enganação e  corrupção. Isso só seria possível através de uma Assembleia Constituinte, popular e democrática, eleita de forma radicalmente diferente destes processos viciados, onde o dinheiro das empreiteiras e dos bancos comanda um verdadeiro show de mentiras e promessas vazias, num simulacro de democracia.

Precisamos de democracia real por que esta é a única forma de fazer com que o povo não pague a conta da crise e que se combata efetivamente a roubalheira institucionalizada. Precisamos de um novo junho de 2013, mas com um programa claro de mudanças estruturais na política e na economia. Precisamos construir este programa e este caminho.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin