Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Nem Dilma nem a marcha dirigida pela direita

O povo pobre, os trabalhadores e a classe média estão pagando caro pelas opções políticas que sustentam as elites econômicas. Os bancos, as empreiteiras e o agronegócio, em especial, foram e são beneficiados por todos os governos. Dilma agora, Lula e FHC antes, sempre, todos, com o apoio destacado do PMDB; ora com DEM, à época tucana, ora o PSB, à época petista; o PTB em ambos.

O PT no governo federal adotou diretrizes econômicas dos tucanos. E depois de ter a defesa da ética como um dos seus pontos mais destacados quando era oposição também neste terreno copiou os piores métodos dos governos neoliberais: cometeu a maior fraude política ao desenvolver um pesado esquema de corrupção cuja expressão mais recente e escandalosa é o saque da Petrobras. Não esteve sozinho neste assalto de vários partidos, obra também do PMDB, do PSDB e do PP.

Sobram motivos que justificam a indignação popular que se expressou de maneira extraordinária e multitudinária nas históricas jornadas de junho de 2013. Uma nova situação política se abriu nessas megamanifestações que marcam o período em que vivemos. Observamos um aumento significativo das passeatas, protestos, greves, ocupações e outros métodos de luta popular.

Vitórias como a redução das tarifas em 2013, a greve dos garis do Rio de Janeiro em pleno Carnaval de 2014, a reversão das demissões dos metalúrgicos do ABC nesse começo de 2015, o protesto nacional dos caminhoneiros e a incrível greve geral do funcionalismo no Paraná neste momento mostram a importância dessas lutas para mudar a realidade que o Brasil enfrenta. Por isso, defendemos a mobilização nas ruas e a luta do povo por seus direitos.

Neste marco de crise e indignação popular surgiu a data do dia 15 de março como uma data de mobilização contra o governo. Mas de uma ação sem comando quase que imediatamente se tornou uma ação instrumentalizada pela direita partidária e a burguesia mais reacionária, em particular as corporações capitalistas midiáticas. É que apesar dos esforços do PT em fazer o que fariam os tucanos no governo – a exemplo da nomeação de Joaquim Levy como ministro – com a adoção das medidas de ajuste contra o povo, estes setores não tratam o PT como tratam os tucanos.

Os mais destacados e influentes líderes da direita não defendem abertamente o impeachment da presidente Dilma. No Congresso Nacional, inclusive, seus representantes declaram que precisam fazer esforços para manter Dilma por mais três anos, mas deixam a ideia da saída imediata da presidente para que este seja o combustível e a bandeira central da manifestação de 15. Querem sangrar, mas não derrubar o governo. Senadores como Aloisio Nunes do PSDB – um dos principais chefes tucanos – incentiva o ato do dia 15 na tribuna do senado. Esta é a orientação de Aécio Neves, que não aceitou perder as eleições e brada contra a corrupção quando ele pessoalmente, não apenas seu partido, está envolvido em inúmeros escândalos. A juventude do PSDB em MG é quem mais está convocando. O fascista deputado estadual de SP Coronel Telhada é entusiasta do 15. Na grande mídia dia sim outro também articulistas lembram da data. Assim esta data perdeu qualquer sentido como parte de um calendário de luta do povo. Até o senador José Agripino (DEM), recentemente flagrado em seus esquemas de corrupção conclama o povo a sair às ruas contra a corrupção.

Poderemos sem dúvida assistir milhares de pessoas nas ruas do país. Certamente há indignação popular para que tenhamos massas nas ruas. Mas o caráter deste movimento, embora possa reunir muita gente honesta e que quer de verdade protestar contra a corrupção e contra o governo, será dado pela liderança que se apropriou da data com propósitos políticos que não interessam ao povo. Não será um dia espontâneo de expressão popular. Será instrumentalizado por uma direita que quer manter os privilégios das elites e mais poder para representantes diretos.

Nós do PSOL somos oposição intransigente ao governo Dilma. Mas não fazemos o jogo da direita. Não queremos mais retrocesso. Não aceitamos o PT porque este partido prometeu mudanças e seguiu a cartilha dos tucanos. Uma parte das elites está dizendo apenas que prefere o original. Nós não queremos nem um nem outro. Além do mais, impeachment de Dilma não pode responder aos interesses do povo quando se sabe que tal mecanismo constitucional garante a posse de Michel Temer no lugar de Dilma. E se Temer não quiser (alguém já viu o PMDB não querer cargos, privilégios e poder?) tem Eduardo Cunha na linha sucessória, o presidente da Câmara que protege as benesses parlamentares, também do PMDB de Renan Calheiros e de Sarney. Neste jogo não contem com o PSOL.

O PSOL tem assumido uma posição clara frente ao governo: é oposição pela esquerda ao governo de Dilma. Isto quer dizer que se opõe a todas as medidas de ajuste e contra aos trabalhadores que este governo está decidido a levar, estando a serviço do agronegócio, dos bancos e dos grandes capitalistas. Só dois meses bastaram para mostrar o caminho deste governo. É também por isso que não participamos de nenhum ato de apoio ao governo como o que está sendo preparado por Lula, CUT e MST para o dia 13 de março.

Brasil precisa de mudanças reais. Estes atuais governantes de fato são incapazes de garantir estas mudanças. São eles e sua política que devem ser derrotados. Se Dilma não pode continuar também não pode continuar este Congresso Nacional corrupto.  A direita que comanda o chamado para o dia 15 não quer mudanças efetivas e se opõem ao governo porque quer fazer do governo ainda mais refém do que é – como se fosse possível – dos bancos, empreiteiras, grandes capitalistas em geral e latifundiários. Não querem melhorar a vida do povo. Por isso nós do PSOL não vamos à marcha do 15 e chamamos o povo a não ir. Sabemos que muitos irão e que a manifestação expressará muito mais força do que a direita tem. Mas nossa obrigação é dizer a verdade. Não sigam atrás dos lobos com pele de cordeiro.

O PSOL seguirá nas ruas, defendendo os direitos do povo, lutando contra o desemprego, por salários, pelo direito à agua, contra os aumentos de impostos dos trabalhadores. Por um novo plano econômico que taxe as grandes fortunas, que combata a corrupção de todos os partidos e empresários, e que neste caminho de luta comece a construir um novo poder que tenha força de reorganizar o país com as instituições que o povo construa como sua e que garanta a realização de uma Assembleia Constituinte eleita com regras democráticas para que o povo soberano decida o seu governo e o seu futuro.

Movimento Esquerda Socialista – MES/PSOL

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin