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Movimentos sociais lançam a Frente Povo Sem Medo

Por Maurício Costa

No último dia 8 de outubro foi lançada em São Paulo a Frente “Povo Sem Medo”. Iniciativa do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), a Frente é uma articulação nacional composta por quase 30 movimentos sociais incluindo sindicais, populares, de juventude e comunidades de base da igreja católica. O evento de lançamento reuniu mais de 500 militantes, contando também com intervenções de personalidades como Luciana Genro, a cartunista Laerte Coutinho, a professora e urbanista Ermínia Maricato e o jurista Jorge Souto Maior. Além disso a frente tem uma ampla lista de apoiadores dentre os quais estão Gregório Duvivier, Vladimir Safatle, Tico Santa Cruz, Raquel Rolnik, Frei Betto, Ruy Braga e Ferréz.

A Frente Povo Sem Medo nasce em um momento muito importante do país, onde a crise dos ricos abre uma verdadeira temporada de pilhagem e retirada de direitos da classe trabalhadora. De um lado, a política de ajuste fiscal perseguida pelo governo Dilma repete o pior da austeridade levada adiante na Europa e em outros lugares do mundo, representando os maiores ataques às conquistas dos trabalhadores dos últimos anos e o principal objetivo do projeto burguês para o Brasil. Por outro lado, na esteira da falência da referência de massas do projeto petista absorvido pelo jogo sórdido da velha política, emergem as iniciativas reacionárias e conservadoras encampadas pelo corrupto Congresso Nacional, como a redução da maioridade penal, o estatuto da família, a lei antiterrorismo e a lei da mordaça contra o PSOL e as organizações políticas de trabalhadores.

Diante desse quadro um dos grandes desafios da classe trabalhadora é fomentar um amplo processo de resistência, construindo uma via alternativa tanto aos ataques contidos no projeto burguês de ajuste do governo federal quanto às saídas à direita. Para tanto é fundamental entender que os retrocessos impostos à classe trabalhadora aproveitam-se dos anos de fragmentação do mundo do trabalho, de produção flexível, de burocratização dos sindicatos e também das nefastas ilusões criadas pelo projeto de conciliação de classes lulo-petista.

Como ficou demonstrado pelas ações unitárias que conseguiram impedir ao menos momentaneamente a aprovação do PL 4330 das terceirizações a partir de abril e maio, é fundamental uma política de frente única independente que reúna os “debaixo” contra as medidas concretas do ajuste, contra a direita e por mais direitos, como está expresso no manifesto da Frente Povo Sem Medo.

Marcada desde seu início pelo chamado às mobilizações de rua autônomas e pela independência em relação ao Estado e aos governos, a Frente tem o grande desafio de ser um polo de aglutinação dos trabalhadores em defesa de seus direitos. Ao negar a defesa de um governo falido em um projeto eleitoral como é o caso da Frente Brasil Popular, a Frente Povo sem Medo com suas organizações e movimentos sociais pode ser um espaço de nova referência desde as bases trabalhadoras, aproximando-se inclusive de outras iniciativas no campo da esquerda socialista e democrática, com o intuito de retomar o protagonismo das lutas de rua na definição dos rumos do país. Vida longa ao povo sem medo!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

Solzinho