Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Abaixo o ajuste de Dilma/Levy

Por um plano de ação para construir um programa contra a crise

1) A crise política ingressa numa etapa superior. As contradições acumuladas se desenvolvem com rapidez, exigindo da esquerda socialista uma postura enérgica e militante para intervir diante do novo cenário. Disto queremos tratar nessas breves notas a respeito da situação nacional e das tarefas que se apresentam.

2) A situação internacional está marcada pela “desordem crescente”, uma espécie de “lei da entropia”-. A multipolaridade e o conflito de interesses entre grandes potências agrava ainda mais a situação, arrastando o mundo para uma maior instabilidade. A presença de um novo tipo de reacionarismo ativo, paraestatal, com base de massas, como o EI/ISIS contribuiu para uma maior polarização contra as forças democráticas, progressistas e de classe. O conflito militar na Ucrânia, entre dois bandos igualmente retrógrados, aponta para maior confusão. A tentativa da Rússia de Putin de estabelecer um pólo expansionista e alternativo à UE acirra as contradições com Estados Unidos e países líderes do norte da Europa. De outro lado, crescem as resistências democráticas contra os planos de austeridade em várias partes, rechaçando a casta surgida do bipartidarismo conservador e social-democrata. Essa resistência em muito momentos adquire uma força ofensiva, como os protestos antirracistas nos EUA.

3) O ponto mais avançado é a Grécia. A vitória de um governo da esquerda radical, ancorado na luta antiausteridade, coloca a busca por uma alternativa num patamar superior. Todo o acompanhamento do primeiro mês de governo mudou o mapa das relações políticas dentro da União Européia. Pela primeira vez desde o inicio da crise, um governo colocou as cartas na mesa e questionou o plano da Troika, expondo a Alemanha de Merkel. O efeito contágio da vitória de Syriza é evidente. A Espanha, país marcado pela crise e pela irrupção do movimento dos indignados, remarca o campo de disputas, alçando o Podemos para disputar o primeiro lugar nas pesquisas de opinião. Acompanhamos a vitória de Syriza com uma delegação do MÊS e do PSOL. Estivemos com Luciana Genro em Atenas, desde 2012, intercambiando experiências, como a relação entre as Secretarias de RI do PSOL e do Partido de Tsipras. Esse apoio, contudo, não é feito de forma acrítica: tomamos parte no intenso debate que extrapola o seio das instâncias internas de Syriza, para uma saída consistente e de classe diante da crise dos “memorandos”. Nossas relações com intelectuais, deputados, ministros vinculados com a ala mais à esquerda do governo e de Syriza enriquecem o debate sobre estratégia, ao mesmo tempo que nos jogamos para patrocinar uma campanha a favor do povo grego e contra a dívida. Essa é nossa aposta.

4) A vitória da esquerda na Grécia e na Espanha se apresenta, junto a organização e luta da classe trabalhadora de todos os países, como o melhor antídoto contra as posições fascistas, racistas e xenófobas que ganham peso em momentos de crise social extrema. Contra a burguesia e suas tentativas de estimular as formações fascistas de massa, que podem se desenvolver diante do cansaço e da derrota das lutas da classe trabalhadora, apresentamos um programa democrático e de classe. A defesa dos imigrantes e a luta contra a islamofobia são parte do centro político deste período.

5) A América Latina vive um período de prolongada instabilidade. A chegada com mais força da crise econômica nos países que gozaram de relativa estabilidade política e crescimento econômico leva a uma maior divisão das classes dominantes, desgaste dos governos e confusão generalizada. O caso mais emblemático é o da crise argentina, onde Cristina desaba na sua popularidade diante de um estranho assassinato político, desatando uma crise entre os serviços secretos, o governo e a oposição de direita. Nesse país, a tendência é que a direita não logre uma estabilidade, ainda que o setor oficialista possa ter um revés eleitoral. O peso da esquerda social, a vanguarda combativa e as marcas do Argentinazo pesam para levar a situação argentina para uma tendência à esquerda. O mesmo não se pode dizer da Venezuela, onde a débâcle do governo Maduro, fruto de uma grave crise econômica motivada pela queda do preço do petróleo, reforça posições mais à direita. Atado entre uma ineficaz burocracia da qual é parte, Maduro sofre o acosso de forças imperialistas e de uma direita tonificada que quer lutar para recuperar os privilégios expropriados durante a era Chávez. As forças de Marea Socialista se desenvolvem nesse terreno movediço para lutar contra o golpismo e oferecer uma alternativa à burocracia, com bases no documento de Chávez “Golpe de Timão”. Países como Bolívia e Uruguai, menores e por isso com muito menos peso, equilibram o jogo de forças, com uma estabilidade relativamente progressista.

6) Nesse quadro, de polarização e instabilidade, o que acontece no Brasil tem um peso decisivo para a determinação do pendulo da situação política no continente. Há que avaliar a crise política de regime no México, onde se sintetiza uma mobilização popular crescente depois dos 43 de Aytoznapa, a queda do preço do petróleo e a indignação contra os partidos do “narcoregime”.

A base da crise está na economia

7) A economia do Brasil é a chave para compreendemos a dimensão da crise. A definição do editorial da revista The Economist é categórica, o Brasil estaria num “atoleiro”: “Apenas dois meses do novo mandato, os brasileiros estão percebendo que foi vendida uma falsa promessa (..), a economia do Brasil está em uma bagunça, com problemas muito maiores do que o governo admite ou investidores parecem perceber, como o fraco investimento, o escândalo de corrupção na Petrobras e a desvalorização cambial que aumenta a dívida externa em real das empresas brasileiras. Escapar desse atoleiro seria difícil mesmo para uma grande liderança política. Dilma, no entanto, é fraca. Ela ganhou a eleição por pequena margem e sua base política está se desintegrando”.

8) O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, admitiu em palestra para investidores em Nova York que o país poderia entrar em recessão já no primeiro trimestre, admitindo desde já uma retração no PIB. Jogam nessa direção o processo de desaceleração econômica dos BRICS, com a queda dos preços das commodites. Esse processo atinge o conjunto do continente, sendo que a China, principal parceiro do Brasil no terreno das exportações, cumpre um papel determinante.

9) Estamos diante do maior déficit comercial desde 80, déficit público crescente, aumento dos juros, recessão e apesar disso tendência inflacionária [que não é super inflacionária como na década de 80]. Porém, a inflação real pesa muito no bolso pelo aumento de tarifas, ônibus, luz e combustíveis. O governo adota uma política de ajuste que penaliza a classe trabalhadora. Juros altos, restrição do crédito, as MPs que atacam o seguro-desemprego, as pensões e o abono salarial, a não correção da tabela do IR. Medidas amargas que levam o país à recessão.

10) Entender isso é fundamental. A burguesia brasileira, ao menos suas alas majoritárias, está atuando para defender o pacote de Dilma e Levy de conjunto. Eles querem que o Brasil saia do atoleiro, querem acumular capital e garantir sua lucratividade. Neste sentido se esforçam para que o país não perca o seu grau atual de investimento. A estratégia burguesa é impor o ajuste, aumentar o desemprego para reduzir salários, garantindo novos índices de produtividade, reposicionando o país no mercado mundial. Nisso apostam no governo Dilma e no apoio do núcleo do governo e do PT ao ministro Levy, o fiador do ajuste. Assim se garantiria um retorno dos investimentos, ao mesmo tempo em que tornaria a força de trabalho mais “competitiva”. Como ilustração, vale assinalar um dado do DIESSE: quase 2,5 milhões de trabalhadores serão excluídos do acesso ao seguro-desemprego, conforme as novas regras previstas na MP 664. Esse é o grande ponto de unidade entre o andar de cima.

11) Vale destacar que as dificuldades para a superação da crise econômica são enormes. A crise energética é um dos fatores que atuam. A escassez hídrica e a volta do fantasma do apagão aceleram as contradições da crise econômica, retroalimentando fatores diversos. A crise ambiental se manifesta de forma múltipla. Além de ser um elemento global, se nota nas crises hídricas do Sudeste, nas calamidades vividas pelos atingidos pelas cheias, nas comunidades atingidas pelas grandes obras energéticas como a de Belo Monte, Tapajós, entre tantas. A crise urbana se evidencia no caos do transporte público: caro, ineficaz, inseguro e desumano. Isso deriva do esgotamento do modelo em voga nos últimos doze anos.

12) Estamos diante do agravamento das crises que se somam e se combinam. A burguesia, contudo, segue com um centro claro e unitário para enfrentar a crise: fazer passar seu ajuste, às custas do desgaste de governantes. Precisam derrotar a resistência do movimento de massas.

As complicações da política

13) Dilma vive sua pior crise. A queda de popularidade já aferida em janeiro foi a primeira evidência de sua defensiva. A demissão de Graça Foster foi outro duro golpe para Dilma. A presidenta evitou até o último minuto entregar a cabeça de uma das suas principais aliadas nos últimos anos. A desarticulação na base do governo gera ainda mais instabilidade parlamentar, com sucessivas derrotas na Câmara e no Senado.

14) Lula não desistiu de voltar ao Planalto. Ele e seus operadores diretos articulam sua estratégia de retorno, negociando com os diferentes atores políticos, com as burocracias sindicais, movimentos sociais e lideranças de dentro e fora do espectro do PT. Sua ida ao Rio foi um sinal de repactuação com o PMDB carioca, chefiado agora por Paes, melhorando o entendimento do governo com Cunha. Atua sobre os movimentos sociais, utilizando Stédile como seu “exército” – nas suas próprias palavras. Lula segue sendo o político do PT mais confiável para a burguesia. Ele é mais confiável que Dilma não apenas porque é mais capaz na articulação. Mas também porque suas posições são mais pró-burguesas. Foi contra que o PT lançasse candidato próprio na disputa da Câmara, querendo desde o início Eduardo Cunha. E era a favor de trocar Mantega por um economista abertamente neoliberal desde antes das eleições, isto é, foi o maior entusiasta de Levy e seu ajuste fiscal rigoroso a serviço da burguesia. Apesar deste currículo claramente pro- burguês, acena para Stédile, tentando ser alternativa eleitoral com incidência nos movimentos sociais ao próprio fracasso do governo Dilma, fracasso provocado pelas propostas e métodos corruptos levados adiante pelo próprio Lula e seguidos por Dilma. Esta sua ambição presidencial para manter poder por sua vez provoca disputas com o PSDB, que quer assumir em 2018, atiçando assim a disputa entre a burguesia e dificultando a solução política para a crise.

15) Isso desestabiliza os planos do PSDB como principal carro-chefe da oposição. A estratégia tucana, após a apertada vitória de Dilma, é neutralizar o governo, sangrar sua imagem na opinião pública e pavimentar o caminho para o retorno da direita tucana nas eleições de 2018. Lula tumultua esse cenário ao antecipar a disputa de 2018, agora em novas condições. Os setores mais pró-tucanos também embaçaram na luta para derrotar Lula e Dilma por essa via. A fração paulista da burguesia, a grande mídia e os setores que foram parte da frente pró Aécio no II turno compartilham dessa estratégia.

16) O PMDB atua com seus próprios interesses, sendo o mais fisiológico dos partidos que obedecem ao regime surgido da campanha das Diretas Já de 1984. Por um lado ensaiam uma maior independência no Parlamento, por outro confiam a Temer a tarefa de ser fiador da estabilidade junto ao governo Dilma, negociando espaços, ministério e lobbys políticos.

A Operação Lava-Jato como caixa de pandora da indignação popular

17) O novo da conjuntura de março é a revelação dos envolvidos no escândalo da Operação Lava-Jato. A “lista Janot” é aguardada com ansiedade por políticos e partidos de todas as origens. A crescente especulação sobre os nomes gera pânico nos partidos da classe dominante. A primeira etapa dessa operação levou à cadeia os principais operadores das empreiteiras, algo inédito na superestrutura do país. Como símbolo do esgotamento do modelo, os principais financiadores dos partidos do governo – e também seus principais beneficiários – apareceram presos aos olhos de milhões, numa ação de destaque de Sergio Moro, que chega a ser comparada com a Operação Mãos Limpas na Itália. Também como fotografia dessa nova situação temos a apreensão dos bens de Eike Batista, capitalista que simbolizou a prosperidade dos novos milionários dos anos Lula.

18) A segunda fase da operação Lava Jato (OLJ) responde ao seu “núcleo político” . O indiciamento de políticos, ainda não revelado oficialmente, gera um sentimento de indignação contra o governo, o congresso e os principais partidos. A notícia de que os nomes dos presidentes do Senado e da Câmara encabeçariam a lista dos investigados caiu como uma bomba. O repúdio popular às instituições atinge seus níveis máximos [maiores inclusive que os registrados durante as Jornadas de Junho]. As revelações da OLJ combinam-se com os graves elementos de crise social e mal-estar generalizado. Na mesma semana da entrega da lista é sintomático que sejam reajustadas todas as tarifas de energia.

19) O ódio contra os políticos também aparece nas mobilizações contra o ajuste. Mais de dois terços da população não confia em nenhum político ou partido. Pesquisa de opinião do Paraná revelou que 75% dos eleitores desaprovam o governador Beto Richa. Isso se explica pelo inacreditável estelionato eleitoral dos governos. Apesar de promessas de que não se tocariam em direitos, já no primeiro mês de governo, os governadores estaduais e a presidenta Dilma fizeram o inverso do que prometeram para vencer as eleições de outubro.

20) A nova fase da OLJ agrava os elementos latentes: crise econômica e aperto fiscal; descrédito nas instituições do Regime; crise do governo e do Congresso; conflitos sociais crescentes.

21) Renan Calheiros foi aplaudido pelo PSDB no dia que seu nome foi confirmado como parte da lista da Lava-Jato. Sua suposta defesa da independência do Congresso nada mais era que chantagem e/ou represália contra o governo por não ter conseguido livrar seu nome, apesar das evidentes tentativas do ministro da Justiça de abafar o escândalo.

22) Podemos definir que a indignação social vai tomar um salto. E ela expressa uma continuidade com as forças sociais que determinaram o levante juvenil e popular de Junho de 2013.

Diante das convocatórias do 13 e do 15

23) Neste marco aparecem as convocatórias de manifestações nacionais: nos dias 13 e 15 de março. A convocatória do dia 15 foi utilizada nas redes sociais para expressar um canal de indignação contra as medidas do governo, num chamado vago pelo “impeachtment”. Como resposta ao sentimento antiDilma, a burocracia sindical, pela via da CUT e da FUP, apoiada pelo MST de Stédile, convocou às pressas um ato na sexta-feira 13, com o intuito claro de defender o governo.

24) Sobre o dia 13, não nos resta dúvidas que é uma movimentação de aparato, buscando agitar o “perigo golpista” para arregimentar apoios para o governo, num momento de extrema fragilidade e contestação das suas bases, especialmente as sindicais. Deve ser um ato pequeno, muito controlado pelos aparatos, com militância paga etc.

25) O dia 15 tem uma maior complexidade. Reafirmamos nossa definição, tomada de forma rápida para responder aos acontecimentos, em texto do dia 26 de fevereiro: “Senadores como Aloisio Nunes do PSDB – um dos principais chefes tucanos – incentivam o ato do dia 15 na tribuna do Senado. Esta é a orientação de Aécio Neves, que não aceitou perder as eleições e brada contra a corrupção quando ele pessoalmente, não apenas seu partido, está envolvido em inúmeros escândalos. A juventude do PSDB em MG é quem mais está convocando. O fascista deputado estadual de SP Coronel Telhada é entusiasta do 15. Na grande mídia dia sim outro também articulistas lembram da data. Assim esta data perdeu qualquer sentido como parte de um calendário de luta do povo. Até o senador José Agripino (DEM), recentemente flagrado em seus esquemas de corrupção, conclama o povo a sair às ruas contra a corrupção. Poderemos sem dúvida assistir milhares de pessoas nas ruas do país. Certamente há indignação popular para que tenhamos massas nas ruas. Mas o caráter deste movimento, embora possa reunir muita gente honesta e que quer de verdade protestar contra a corrupção e contra o governo, será dado pela liderança que se apropriou da data com propósitos políticos que não interessam ao povo. Não será um dia espontâneo de expressão popular. Será instrumentalizado por uma direita que quer manter os privilégios das elites e mais poder para representantes diretos.

26) Com essa armação, acreditamos que é importante articular uma outra saída para a crise política. Nos parece que a definição de Vladimir Safalte, em artigo publicado nessa semana, contribui também para armar uma política diante das duas concentrações: “Melhor seria se julgássemos os velhos e os novos juntos, acusados e acusadores, e déssemos um fim a uma experiência política que termina implorando pela reinvenção da democracia.”

Nossa orientação é lutar para derrotar o ajuste de Dilma e Levy e para fortalecer a luta dos trabalhadores e da juventude, avançando na construção de um programa contra a crise

Apoiar, impulsionar e unificar as lutas e greves

27) Para além das datas dos dias 13 e 15, existe um amplo processo de lutas populares e operárias em curso. Em nosso ponto de vista, o eixo central da intervenção passa por apoiar essas lutas e tratar de unificá-las para derrotar o ajuste.

28) O carnaval, período que até 2013 era de desmobilização e festas populares, foi marcado pela comovente rebelião dos professores e servidores públicos do Paraná, como em 2014 tinha sido pela luta dos Garis do Rio.

29) A rebelião dos servidores públicos do Paraná mostrou o início do caminho e o método que deve ser seguido. As cenas da ocupação por parte dos servidores, da fuga dentro de um camburão policial por parte dos deputados e a marcha dos 45 mil em Curitiba marcaram a situação nacional. Além disso, o movimento teve uma vitória contundente com a retirada do pacote de Richa e seu plano de carreira. E seguiram a luta porque sentem que ainda falta, porque não têm garantias. As universidades estaduais do Paraná tiveram suas reitorias ocupadas como parte desse movimento. Em uma escala menor, tivemos elementos presentes nas Jornadas de Junho, por sua radicalidade e amplitude. Uma greve forte em todas escolas, repartições, piquetes ativos, acampamento na sede do governo e marchas massivas na capital e em várias cidades do interior. No dia 04/03, uma assembleia com mais de 15 mil professores reafirmou a possibilidade de obter mais conquistas e decidiu por manter a greve. A bandeira vitoriosa levantada pela rebelião do Paraná serve de estímulo para as lutas do funcionalismo público contra o ajuste nos estados.

30) A greve nacional dos caminhoneiros deixou o governo na defensiva. Ainda que com uma composição difusa, com uma direção burocrática, a greve teve um signo progressista e ganhou nosso apoio. Foram piquetes em várias estradas, com prisões, enfrentamentos e um ativista morto no Rio Grande do Sul. Ainda que não tenha atingido a dimensão da grande greve contra FHC em 1999, os caminhoneiros arrancaram concessões de Dilma e deram visibilidade para suas pautas como a isenção dos pedágios para eixos suspensos, a diminuição imediata do Diesel e a melhoria das condições das rodovias.

31) A greve da GM de São José dos Campos também foi vitoriosa. Dirigida pela esquerda combativa, garantiu a reincorporação dos demitidos e estancou os planos de flexibilização dos patrões. Uma greve vitoriosa que se coloca ao lado da greve de janeiro da Volks do ABC, construindo uma resistência exemplar aos planos de demissões na indústria.

32) A juventude segue em luta nas universidades. Temos lutas parciais, contra as diferentes expressões dos cortes orçamentários. A ilusão vendida por Dilma e Cid Gomes – “Pátria Educadora” – está sendo desmascarada. Durante a Bienal da UNE, quando a esquerda juvenil combativa colocou contra a parede o ministro Rossetto, quando da visita de Cid ao Pará, contestado por estudantes e dirigentes do ME. O congresso do ANDES foi um pronunciamento claro contra os cortes. Mesmo reitores do Andifes reunidos em Brasília questionaram a política educacional de Dilma/Cid. Há uma disposição de luta na vanguarda ampliada da juventude que se verificou nos atos com milhares na luta contra o aumento durante os meses não letivos de janeiro e fevereiro. Acreditamos e apostamos no desenvolvimento de um ascenso nas universidades para barrar os cortes de verbas, em unidade com professores e técnicos.

33) São inúmeras lutas sociais, diárias. O MTST segue ocupando terras urbanas, como o caso do Distrito Federal. Todos os dias a TV noticia enfrentamentos entre as forças policiais e movimentos populares por moradia. Seguem acontecendo lutas em bairros periféricos, seja contra a brutalidade da violência policial, contra as reintegrações de posse arbitrárias ou por direitos elementares como água e luz. A maior parte delas espontâneas e não pertencentes a movimentos organizados. Nossa tarefa é prestar a devida solidariedade, apontando para a necessária coordenação entre as diferentes lutas.

34) É possível derrotar o ajuste. As fragilidades do governo diante da MP 664 e 665.

35) Nossa palavra de ordem central neste período é de “ABAIXO O AJUSTE DE DILMA-LEVY”.

36) Neste caminho, foi muito positiva a deliberação da última reunião da CSP Conlutas, onde foi aprovado um chamado à unificação das lutas como parte da estratégia de preparar uma greve geral ativa. Essa é a saída para os trabalhadores, para a juventude e o povo pobre.

37) Rejeição é majoritária nos sindicatos às duas MPs de Dilma e Levy. Há uma semana do funcionalismo público sendo preparada. A juventude prepara as suas mobilizações. A melhor forma é buscar coordenar as lutas, buscando ponte entre as lutas do funcionalismo público e as fábricas, por exemplo.

38) Apontamos uma plataforma unitária para lutar. A construção de qualquer frente e unidade como a proposta pelos companheiros do MTST tem que estar sob essa condição: unificar as lutas e preparar um dia de greve geral. Essa é uma exigência que se estende a todos setores. É a melhor resposta ao 13 e 15, pois afirma a necessidade da entrada da classe com seus métodos e pautas.

39) Algumas alternativas de calendários de luta começam a ser gestadas, positivamente. O ato nacional do dia 6 no Rio de Janeiro, com os operários do Comperj, a luta dos servidores da saúde contra a EBERSH é um passo. Dia 12 de março, Porto Alegre convoca ato sindical e popular. Dia 26, jornada histórica de luta dos estudantes promete ser um forte dia nacional contra os cortes de Cid, expressão da política do ajuste nos termos do orçamento para a educação.

O lugar do PSOL

40) O PSOL tem todas as condições de crescer. O papel de Luciana Genro durante a campanha eleitoral provou que o partido tem uma porta voz capaz de vocalizar a luta por mais direitos e defender um projeto que represente os interesses dos 99% contra 1%. A bandeira da taxação sobre as grandes fortunas foi uma de uma série de medidas erguidas por LG e que marcaram uma participação da esquerda socialista autentica, que rompeu a marginalidade durante a campanha nacional.

41) Diante de tamanha crise, o PSOL, sua direção, figuras públicas e militantes deve se posicionar com clareza. Nesse sentido, reivindicamos a última declaração unitária da Executiva Nacional: “Diante da crise, a saída é pela esquerda”, bem como a postura da direção partidária na coletiva de imprensa. Ao mesmo tempo é preciso avançar para que o PSOL seja um partido que atue com política unificada que impulsione as lutas das classes trabalhadora e da juventude.

42) Apesar da ausência ainda desta política nacional unificada o partido tem seus militantes ativos na luta política, social e parlamentar. Um dos exemplos foi a postura de Ivan na CPI da Petrobrás que teve ótima repercussão. É hora de retomar a iniciativa.

43) O PSOL segue crescendo em simpatia e espaço, sobretudo nos grandes centros urbanos e entre a juventude.

44) A luta por mais direitos, das mulheres, LGBT, contra a repressão policial, pelo fim da guerra às drogas, vai seguir como prioridade na agenda. A melhor forma de responder aos fundamentalistas e reacionários que ocupam a tribuna do Parlamento, utilizando a fé para fazer o proselitismo do ódio, é construir grandes marchas por direitos. Esse ano a Marcha da Maconha, das Vadias, Paradas LGBT serão um forte pronunciamento na direção de que são lutas de maioria, do povo, da juventude e dos trabalhadores.

45) Campanha contra o HSBC, os grandes banqueiros e os milionários. Chamamos os movimentos anticapitalistas a se manifestar contra esta falcatrua onde milhares de capitalistas sonegaram impostos. Estes sonegadores não estão sendo denunciados pela mídia nacional nem cobrados pelo governo federal.

46) O PSOL vai seguir seu combate contra o genocídio da juventude negra, nas favelas e periferias do país. A escandalosa chacina do Cabula em Salvador comprovou a falência do PT, quando o governador Rui parabenizou a PM pelo extermínio. É preciso colocar essa agenda no centro da pauta.

Por tudo isso, nossas bandeiras na atual conjuntura podem ser resumidas assim:

  1. Abaixo o ajuste de Dilma-Levy
  2. Fora todos os corruptos. Cassação de Cunha, Renan e dos envolvidos na Lava-Jato
  3. Contra o aumento das tarifas de ônibus, luz, agua e combustíveis
  4. Em defesa dos salários e do emprego
  5. Apoiar, impulsionar e unificar as lutas e greves
  6. Todo apoio à greve dos servidores no Paraná
  7. Construir as condições para uma verdadeira greve geral para derrotar o ajuste contra o povo
  8. Por uma Assembleia Nacional Constituinte sem financiamento eleitoral das empreiteiras e das grandes empresas
  9. Por um poder do povo, dos trabalhadores e da juventude
  10. Por mais direitos: Contra a discriminação à população LGBT, em defesa dos diretos das mulheres; contra o genocídio da juventude negra e pela desmilitarização da PM.

Secretariado Nacional do MES, 5 de Março de 2015.

Em Memória do Camarada Enrique Morales

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin