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Milhares de israelenses exigem que Netanyahu abandone o poder

JUAN CARLOS SANZ para jornal El País

Dezenas de milhares de israelenses – 40.000, segundo a polícia – se reuniram na noite de sábado na praça Yitzhak Rabin de Tel Aviv, onde o líder trabalhista que assinou os acordos de paz do Oslo foi assassinado há 20 anos por um judeu ultraortodoxo. Não era exatamente um comício partidário, embora os grupos de centro-esquerda tenham apoiado o ato do movimento “Israel quer a mudança”, impulsionada por organizações da sociedade civil, como deixaram claro os grandes cartazes dos partidos Meretz e União Sionista.

A mudança que eles querem em Israel é que o primeiro-ministro conservador Benjamin Bibi Netanyahu abandone o poder e não obtenha um terceiro mandato consecutivo depois dos dois que acumula desde 2009 – que se somam ao que já exerceu como chefe de Governo entre 1996 e 1999. Pacifistas, viúvas de oficiais mortos em Gaza, ecologistas e até ex-chefes dos serviços secretos participaram da maior manifestação realizada até agora na campanha para as eleições legislativas do dia 17 com uma mensagem coincidente: “Qualquer pode ganhar, menos Bibi”.

“Um milhão de mãos” é a denominação oficial desse conglomerado da sociedade civil que tenta mobilizar o voto de centro-esquerda para derrotar Netanyahu, que esgrime a política de segurança como eixo de sua campanha. Contra a lógica do conflito do líder do Likud, hasteiam-se as bandeiras da educação e da saúde – e principalmente a do alto custo das moradias – para oferecer uma alternativa social aos cidadãos.

As palavras de Michal Kesten-Keidar, viúva do coronel Dolev Keidar, morto no ano passado em Gaza, emocionaram sem dúvida os participantes do encontro. Mas nada pôde ser mais destrutivo para o discurso político de Netanyahu do que a intervenção do ex-chefe do Mossad Meir Dagan

“A guerra de Gaza foi um erro”, discursou Dagan. O ex-chefe do Mossad considera que o país vive agora “um momento crítico” para seu futuro. “A política do primeiro-ministro está sendo destrutiva para a segurança do país”, advertiu em um ato público anterior, “e sua sobrevivência está agora em perigo”.

Não é a única voz ligada ao lendário serviço de espionagem israelense a criticar Netanyahu. O general da reserva Amiran Levin, ex-número dois dos serviços secretos e outrora um estreito colaborador do primeiro-ministro israelense, já se somou às críticas. “O pouco que [Netanyahu] disse no Congresso dos Estados Unidos ele poderia ter dito ao presidente [Barack Obama] em particular no Salão Oval, assim ele teria podido exercer muita mais influência”, afirmou o general Levin. Esse ex-chefe do Mossad se mostrou favorável a que “Israel tome a iniciativa e fixe fronteiras definitivas seguras para poder manter parte do território e dos assentamentos que controla mediante acordos diplomáticos”.

Em recentes declarações ao jornal Yedioth Ahronot, Yuval Diskin, ex-chefe do Shin Bet (o serviço de segurança interna), somou-se ao coro de críticas a Netanyahu: “Sua política sobre o Irã fracassou – desde que ele chegou ao poder, em 2009, Teerã tem um número de centrífugas [de enriquecimento de urânio] 6 vezes superior e multiplicou por 12 suas reservas de urânio enriquecido. Seu discurso em Washington foi só uma cortina de fumaça”.

Os milhares de israelenses concentrados a noite de sábado em Tel Aviv pareciam ter o mínimo denominador comum de querer pertencer a “um país normal que possa viver com dignidade com seus vizinhos”, como diz um dos lemas do movimento “Israel quer a mudança”. Mas os bons desejos terão de esperar. Um pescador de Gaza morreu ontem, depois que seu barco foi alvo de disparos da Marinha israelense por estar aparentemente além do limite fixado por Israel depois do conflito do ano passado, segundo informações de fontes de saúde da Faixa de Gaza obtidas por agências de notícias internacionais.

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