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Michael Löwy: A importância histórica do referendo grego

Publicado originalmente no blog da Boitempo

Antes da proclamação da República francesa em 1792, o Rei tinha o direito constitucional do Veto. Independentemente das resoluções da Assembléia Nacional, e dos desejos e aspirações do povo francês, a última palavra era sempre da Vossa Makestade.

Na Europa de hoje, o Rei não é um Bourbon nem um Habsburgo. O Rei é o capital financeiro. Todos os atuais governos europeus – com a exceção do grego! – agem como funcionários deste monarca absolutista, intolerante e anti-democrático. Sejam eles de direita, “extremo-centro” ou pseudo-esquerdistas, sejam eles conservadores, democratas-cristãos ou social-democratas, eles todos fanaticamente servem ao direito de Veto de Vossa Majestade. Uma nova Aliança sagrada, sob a liderança profana da Troika – FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia – tem sido estabelecida para esmagar a tentativa do povo grego de romper com os grilhões da servidão e tomar as rédeas do próprio destino.

Este é um momento histórico. O referendo grego não diz respeito somente a questões econômicas e sociais fundamentais. Trata-se antes de mais nada de democracia.

A vitória do “não” representa um primeiro passo no desafio ao Veto monárquico das finanças; um primeiro passo em direção à transformação da Europa, da monarquia capitalista a uma república democrática. A luta do povo grego é uma luta europeia, e nosso futuro como cidadãos europeus depende desse confronto.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Solzinho