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MAREA SOCIALISTA: Sair da crise com quais medidas e com qual governo?

Coincidindo com o terceiro aniversário da última vitória eleitoral do Comandante Chávez, e a poucos dias de se cumprir também os três anos do lançamento do “Golpe de Timão” (20 de outubro de 2015), a Equipe Operativa Nacional de Marea Socialista colocou em circulação seu Editorial Nº 9: “Sair da crise com quais medidas e com qual governo?”, no qual apresenta algumas cifras e dados sobre a situação econômica e social que está atravessando o país e a sociedade venezuelana, descrita como uma grave crise.

O editorial destaca o que na opinião de Marea Socialista seriam os principais “erros seguidos” que vem cometendo o governo nos últimos dois anos e que deveriam ser corrigidos. Para isso, cita a necessidade de que o governo escute os setores do processo revolucionário para a “retificação de rumo” da revolução.

No documento, faz-se uma datação expressa e diz-se ao presidente Maduro que deve aproveitar a oportunidade sem esperar que passem as eleições de 6 de dezembro porque “está habilitado e com uma Assembleia em funcionamento”; motivo pelo qual “deve dar um sinal potente, contundente, com o protagonismo do povo”, mudando a sua atual equipe de governo, aplicando um “plano de emergência” em função do qual esta corrente política da revolução aportou um conjunto de propostas de caráter anticapitalista.

A seguir o conteúdo do Editorial.
Editorial Nº 9

Sair da crise com quais medidas e com qual governo?

Equipe Operativa Nacional de Marea Socialista

Com os olhos postos nas eleições legislativas do 6/D, o governo parece não perceber a magnitude explosiva da crise. Enredado em sua própria propaganda, perde apoio real, impulsiona o descontentamento e a desmoralização entre a população, confunde e desconcerta a sua própria base social. Frente à evidente falta de resultados da política econômica que aplica, apela para a desqualificação dos que, do lado do Processo, propomos soluções alternativas, com esta desqualificação chegando a níveis de perseguição, proscrição e retaliação política.
Apenas como amostra da crise apresentaremos alguns números. Segundo dados não-oficiais do BCV, a inflação acumulada anual em setembro de 2015 chegou a 130%. Neste sentido, a projeção para dezembro deste ano, por aceleração do fenômeno, ficaria entre 180 e 220% anuais, a mais alta desde que existem registros no país. Este dado confirma que estamos pisando ou já cruzamos a linha de ingresso à hiperinflação.
O coquetel alinha-se com a não-recuperação dos preços do petróleo. Segundo o prognóstico do governo nacional, o preço médio anual do barril ficará em 2015 ao redor dos 40$.  E não há especialista no tema que preveja um aumento significativo para o próximo ano.
Se isso não bastasse, a cereja do bolo vem a ser os vencimentos da dívida exterior. Segundo analistas mais moderados, esse montante chegaria, no ano de 2016, ao piso de 16 bilhões de dólares. (Isso independentemente do rumor de que o país teria recomprado 25% de sua dívida).
Dois anos de erros seguidos. Apesar dos recorrentes alertas que emitiram os distintos setores do Processo, entre os quais se encontra Marea Socialista, o governo aprofundou um caminho equivocado. O termômetro deste caminho é a maneira errática e que beira a negligência no que diz respeito à administração do sistema cambial e das divisas do país. Mas não se resume a isso. Advertidos, os principais responsáveis econômicos de uma mal que cruza o padrão de acumulação desde o controle de câmbio (mas que se estendeu e se aprofundou no último período) olham para outro lado a fim de evitar assumir o flagelo da corrupção e sua correspondente impunidade. Não se fez nada deter o desfalque contínuo da nação e a brutal especulação financeira que surge desses mecanismos. Seja por sua ação seja por sua omissão, fizeram-se corresponsáveis de um desfalque contínuo que não pode ser retirado das causas da atual crise.
Da mesma maneira não se abordou seriamente a revisão do sistema de arrecadação fiscal, que tem se tornado em um dos mais regressivos do continente. Igualmente, não se revisou o sistema de subsídios para fazê-los mais eficientes. Mantém-se nas sombras a gestão das divisas ao não se implementar, apesar de anunciado, o orçamento em dólares. Foi iniciado um processo de descapitalização do país para se conseguir liquidez momentânea e pagar os encargos da dívida externa que hoje é impagável, e segue uma longa lista de erros e calamidades provocadas.
O prazo para uma retificação de rumo foi ignorado.  Os funcionários encarregados aprofundaram a situação que deviam ter resolvido, o fracasso nas políticas tornou-se evidente para o povo que vive do seu trabalho e o mal-estar cresce ao mesmo tempo em que se mantêm e se desenvolvem as manifestações mais dramáticas da crise provocadas pela escassez, carestia e a paralisação do aparato produtivo.
O fracasso de Merentes, Marco Torres e o conjunto da equipe econômica é um fato evidente, lamentavelmente sustentado pelo presidente Maduro. Tiveram dois anos e não conseguiram, ao menos, frear o ritmo do crescimento inflacionário, deter o desabastecimento nem a evaporação do salário. Nós alertamos este perigo ainda em setembro de 2013 em um trabalho intitulado “Merentes a contravía de Chávez” [i].  Fazíamos ali propostas de emergência que foram ignoradas (insistimos nestes dois anos em várias oportunidades com a mesma sorte de resultado).

Por outro lado, como integrantes da Plataforma para a Auditoria Pública e Cidadã, com enfoque na necessidade de se interromper a fuga de capitais e a corrupção, entregamos documentos e investigações ao Ministério Público, à Controladoria Geral da República e ao Conselho Moral Republicano do Poder Cidadão, conscientes de que a ação oportuna contra a corrupção teria permitido evitar a perda de imensos recursos e inclusive tentar recuperar ao menos parte dos fundos fugidios.

Dois anos depois daquele alerta, acreditamos que a crise converteu-se em desordem, e que não há medidas que, por si mesmas, possam estabilizar a situação se não for produzida uma mudança política marca a fogo pela orientação econômica anti-imperialista e anticapitalista que caracterizou o Processo Bolivariano.

O fracasso é notável também no terreno do abastecimento de alimentos, medicamentos imprescindíveis e outros produtos básicos da população, ou seja, toda equipe de governo relacionada com estas áreas está questionada.
Já não é preciso apenas tomar medidas de longo-prazo, mas é preciso também buscar uma equipe política e econômica que recupere o rumo marcado no Golpe de Timão [ii] de independência e soberania e que consulte o povo em chave constituinte.

Somente a combinação de mudança política e medidas que apontem o sentido de defesa do salário, trabalho, soberania econômica nacional, além do enfrentamento da grande corrupção, pode deter este caminho que conduz a um desastre ainda maior para o povo trabalhador.
O presidente Maduro tem uma oportunidade que deve aproveitar. Não necessita esperar as eleições de 6 de dezembro, está habilitado e com uma Assembleia funcionando. Deve dar um sinal potente, contundente, com o protagonismo do povo e se a atual equipe que o acompanha.
O tempo se esgota ao ritmo do crescimento dos preços e do desabastecimento. O processo de descontentamento e mau-humor que está se dando entre o povo trabalhador é simétrico em profundidade e velocidade ao desgaste de sua popularidade.

O presidente deve, de modo autocrítico, desprender-se da equipe fracassada e sob suspeita, aceitando mudar por homens e mulheres que nosso povo ainda reconhece como a gente de Chávez. Deve convocar o nosso povo e todas as suas expressões orgânicas, para levar adiante a discussão e a aprovação das medidas de emergência e das transformações urgentes que são necessárias. Porque, para se frear a crise faz falta, além de medidas contundentemente anticapitalistas, uma outra equipe de governo.

07/10/2015, Equipo Operativo Nacional de Marea Socialista
@mareasoc89
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[i] Merentes a contravía de Chávez: ¿Qué esconde la Guerra Económica contra el Proceso Bolivariano?http://www.aporrea.org/trabajadores/a173971.html
[ii]  Documento “Golpe de Timón”: I Consejo de Ministros del nuevo ciclo de la Revolución Bolivariana para el periodo 2013-2019

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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