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MAREA SOCIALISTA: O que está em jogo no 6-D

“Cuidado, se não damos conta disso, estamos liquidados e não só estamos liquidados, seremos nós os liquidadores deste projeto”.

Hugo Chávez. Golpe de Timão. 20/10/2012 

Equipe Operativa Nacional de Marea Socialista – Venezuela

A quase três anos do falecimento do Comandante Chávez, as palavras que reproduzimos acima parecem mais que uma advertência uma premonição. “Seremos nós (dizia Chávez, falando à alta direção política do partido, do governo e do processo) os liquidadores deste “projeto”? Essa alta direção, à qual interpelava o Comandante, estará se dando conta do verdadeiro perigo que estamos transitando? Terá ideia da grave ameaça que esconde este processo eleitoral tal qual estão manejando-o? A esses dirigentes, sendo conscientes do perigo, lhes importará que seja assim?

E nos adiantamos. Não é apenas o risco da agressão imperialista ou as tentativas do fascismo, que saberemos enfrentar unidos, na rua, como temos feito ao longo destes anos de luta, sem renunciar a nosso direito à crítica e à proposta. Não é, tampouco, a ameaça de uma direção da direita, desgastada em suas repetidas derrotas até a exaustão e em seus dirigentes ultrapassados, rígidos. Uma oposição amontoada mais do que unida por seu antichavismo visceral, racista, reacionário. Não. O perigo que apontava o próprio Chávez residia no contexto no qual se inscreve a frase que encabeça este editorial.

Antes de advertir, Chávez reclamava, sofria, a separação de sua equipe de governo das necessidades de sua gente, de sua base social, do povo bolivariano e do que vive de seu trabalho.  Por que os ministros não passam três dias vivendo num bairro e não apenas percorrer as esquinas na campanha eleitoral? Lhes reclama, enfermo, triste, desesperado, pressentindo as grandes dificuldades que avizinhavam. E não fizeram isso, nem então nem agora se aproximam do nosso povo. Pelo contrário seguiram se afastando, agora mais distantes e mais rápido que então. Tanto se distanciaram e se afastaram, que já lhes resulta impossível escutar as reclamações, as moléstias, as angústias de um povo que embora paciente não é tolo. Angústias que evidentemente eles não vivem.

Por isso,  independentemente do resultado das eleições do 6/D, o que está em jogo, em risco real, é que se acentue e acelere o curso de liquidação do Processo Bolivariano desde dentro, e será por responsabilidade de seus mais altos dirigentes. Que a revolução caia como uma fruta podre, como uma casca vazia, pela desmoralização de um povo que rechaça o que considera graves erros. Uma direção que não soube ou não quis escutar as advertências de Chávez, nem as críticas e propostas de correção que vêm desde as bases do Processo.

1.- A direção da oposição de direita, fisgada pelo que acredita dizer as pesquisa, não tem sabido ler a realidade. Os mesmos nomes e apelidos, as mesmas frases vazias, as mesmas ameaças, a mesma intolerância, as mesmas denúncias ocas que têm realizado durante estes 16 anos, são as que hoje repetem os Ramos Allup, os Julio Borges, os Capriles, os Chuo Torrealba, os López, os Ledezma, as María Corina e sua patota de novos ricos que acreditam que agora sim poderão se livrar de Chávez, que é disso de que se trata para eles. Mas eles vão bater mais uma vez com a cabeça na parede.
As pesquisas os embriagam. É a primeira vez em 17 anos, que essas pesquisas dizem que ganharão e sem retorno, segundo eles. Olham alguns números que lhes dão entre 25% e 30% de vantagem e correm a se vestir. Acreditam que serão as estrelas de um baile para o qual não estão preparados e para o qual não têm sido convidados. Esta euforia, ainda que ganham, os conduz uma vez mais ao fracasso.
Porque, mesmo ganhando a maioria da Assembleia Nacional, mesmo que se dê o voto ou a abstenção “castigo”, esta oposição se explodirá em 7 de dezembro em cinco, dez, cem pedaços. Acreditando aberta a corrida presidencial, serão anotados, não menos que cinco candidatos vão se sentir vitoriosos, depois de tantas derrotas não-reconhecidas. Tão distantes estão das necessidades reais do nosso povo como a nomenclatura que governa. Eles, a direção da oposição, tampouco sabem escutar. E não lhes interessa nem nunca fizeram isso.
O dado que não levam em conta, que não querem ler, ainda que o tenham em frente a seus narizes, lhes impede de ver a realidade, mas é o principal dado desta eleição. Diremos isso a partir de suas próprias pesquisas. No último ano, o setor do eleitorado que cresceu de maneira sustentada e consistente são os “independentes”. Esses que hoje representam segundo as distintas pesquisas entre 25 e 35% e em algumas chega até 40% dos eleitores, em sua absoluta maioria provêm de eleitores do processo bolivariano. Estes “independentes” hoje irritados não querem votar em um PSUV que os maltrata, que os passa para trás, lhes ordena mas não ouve. Nem por um polo patriótico que quer mostrar-se distinto, mas que permanece amarrado a uma suposta e falsa Aliança Perfeita esperando a recompensa de um ou outro cargo.
Entretanto, esses votos chavistas, não vão todos para esta oposição elitista e soberba. É certo que nosso povo está farto da direção do processo, tão distinta de Chávez. Mas o povo continua se vendo como parte construtora do projeto bolivariano. Umas vezes mais e outras menos foi sujeito das conquistas obtidas que tende a defender, sobretudo a recuperar. E ainda que tenha perdido confiança e já não crê na burocracia partidária e estatal, tem muito claro que não é com aqueles dirigentes da oposição que conseguirá defender seus direitos.
Eles, os dirigentes da oposição poderão ganhar algumas eleições, se provocada uma abstenção castigo ou voto castigo, mas enfrentados às exigências de nosso povo, seu suposto triunfo terá pés de barro.

2.- Do lado do PSUV-GPP tampouco entendem. E o que não entende a nomenclatura é que não se trata apenas da fome ou das moléstias causadas pelo desabastecimento. O que realmente irrita, molesta, enoja o nosso povo é este “período especial” imposto de maneira autoritária e cruel, que pretendem que aceitemos à força, sem debate e em silêncio. Não oferecem nem tomam medidas de governo que mostrem um horizonte de saída para a crise. Pelo contrário cada uma das medidas anunciadas, inclusive as mais demagógicas e eleitoralistas, fracassa pelo simples fato de que o povo percebe que são falsas.
Em seu afastamento sem retorno da base social do processo, a nomenclatura governante, defende seus próprios interesses. Seus privilégios repugnantes. Prefere pactuar, conversar com parte dessa oposição de direita e/ou em todo caso, seguir comprando com petro-dólares aos mais corruptos e degenerados deles como o fez com William Ojeda, Ricardo Sánchez ou Didalco Bolívar, entre muitos outros. Enquanto o nosso povo é ameaçado, chantageado, aterrorizado. Pretendem culpar o povo por uma suposta falta de agradecimento para com os dirigentes. Seu dissimulado chamado à unidade é uma ordem de silêncio e de obediência cega.
E em seu afastamento das necessidades reais de nosso povo, essa cúpula, perdeu todo o decoro. Mostram sem vergonha os privilégios escandalosos nos quais vivem. Chegam a seu posto de deputados, governadores ou prefeitos em aviões privados. Ostentam e utilizam como próprios os bens e o dinheiro públicos. Mesclam-se na vida social dos altos círculos do poder econômico e vivem como eles. Tornam-se grosseiros, intolerantes, desrespeitosos para com o povo. Insultam, ameaçam e desqualificam aqueles dentre os nossos que os questionam.
Estão tão distantes das penúrias que suporta diariamente nosso povo que já não ouvem o som do mar de fundo que eles provocam na base chavista e nas famílias trabalhadoras. Assim e todo o GPP pode ainda chegar ao deputado 84, 85 ou algo mais nestas eleições. Porém, há algo que já não podem recuperar: o carinho, a confiança de um povo que depois de quase três anos de espera se sente completamente enganado.

3. Votar nas candidaturas de luta que Marea Socialista apoia para levantar uma alternativa. Depois de impedir nossa legalização, a partir da mesma cúpula que está a cada dia mais distanciada do povo que vive de seu trabalho, ameaçam: “Marea Socialista será responsável de que a oposição ganhe a assembleia”. Como se não houvesse sido suficiente a perseguição, a retaliação, a razzia e o confisco de direitos políticos que foi feito contra Marea Socialista durante mais de um ano. Primeiro a partir das instituições, depois anulando desde o CNE cerca de 70% das candidaturas apresentadas. Mas agora tentam pressionar nossos candidatos e suas famílias para que nos retiremos da participação eleitoral.
O descaramento é monumental. Resulta que uma pequena corrente, “gatos pingados”, segundo os porta-vozes oficialistas e oficiosos, seria a culpada pelo rechaço que nosso povo sente pela cúpula oficial e pela cúpula apodrecida da oposição que afirmou que as terceiras opções serão convertidas em “areia de praia e pós cósmico”.
Mas apesar de tudo, nossas candidaturas seguem na luta. Apresentando propostas, apontando os erros do governo e denunciando as provocações da oposição. E sobretudo preparando-se para o que vem depois do 7-D. Lutam para que se apliquem medidas de emergência para sair da crise. Buscam romper a falsa polarização para conseguir que entre a Assembleia Nacional ao menos uma voz do povo que vive de seu trabalho. À diferença dos candidatos da falsa polarização, as candidaturas que apoia MS têm propostas.
Frente à quebra política das direções do processo que hoje se expressam nas candidaturas eleitas a dedo pela cúpula do PSUV, nosso objetivo principal nesta campanha é deixar assentadas as bases para a construção de uma grande alternativa política que recupere o rumo anticapitalista, de independência nacional e justiça social do Processo Bolivariano.

Se resistimos a todas as ameaças e pressões, se tentamos uperar todas as manobras e medidas autoritárias tomadas contra nossas candidaturas … se num esforço autônomo, sem recursos, numa campanha feita no pulmão e auto-financiada, seguimos de pé frente a toda a injustiça e as arbitrariedade, é porque temos uma confiança invencível em nosso povo e na necessidade histórica do projeto bolivariano.
O que se joga no 6-D é, como diria Chávez naquele Conselho de Ministros,  “o destino de nosso projeto”. E nós queremos que se saiba. Não estamos dispostos a ser cúmplices dos artífices de sua “liquidação”.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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