Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Mais capitalismo ou anti capitalismo, de que lado você estará?

Por Gilberto Cunha Franca, professor da UFSCAR e militante do MES/SP

Uma esquerda que espera o crescimento do capitalismo para conceder algo aos mais pobres, pode até viver momentos de glória, mas inevitavelmente serão breves. O capitalismo levanta suas próprias barreiras, entra em crise, e quando isto acontece a burguesia fica inflexível para manter as taxas de exploração pelo menos nas condições anteriores à crise.

Por isso, se direita brasileira foi para a ofensiva neste momento de crise mundial, é mais para defender seus privilégios e interesses de classe. Essencialmente, esta ofensiva conservadora tem menos a ver com o fato de uma parte da população ter saído da condição de miséria. Até porque nada impede que ocorra melhora em algum segmento social, desde que a burguesia siga acumulando, como aconteceu no Brasil recentemente. Isto é possível apenas  num curto período de tempo, e em determinados lugares. Vejo como péssimo caminho a perspectiva nacionalista e neodesenvolvimentista do Brasil potência, que colocam nossos capitalistas à frente a qualquer custo para representar o país. Mas estes estão um pouco abaixo hierarquia do poder econômico mundial. No topo estão os credores internacionais da dívida pública, organizados no FMI, no BIRD, em poderosas instituições financeiras.

Para estes credores enviaremos o saldo do ajuste fiscal, precarizando nosso trabalho e nossa condição social. Como disse o vice-presidente e líder do governo Dilma, Michel Temer, “O Povo tem que aguardar o ajuste e ter compreensão”. Sempre assim, em tempos de crise, aproveita-se para expropriar o pais, como no processo de privatização anunciada das infraestruturas físicas (portos, aeroportos e, principalmente, rodovias).

Então, pode ser chamado de esquerda um partido que cede sempre em seu programa para governar com o PMDB, com gente como Eduardo Cunha. Pode ser assim chamado quando prefere um ministro do PSDB, Joaquim Levy, ao invés de apostar na mobilização social. Pergunto: A força da direita renasceu apenas na Veja e na Globo, ou foi se agigantando no interior do próprio governo Lula-Dilma?

Ela foi forjada nesta separação irreversível, com algumas exceções, entre o PT e os movimentos sociais. Dependente do crescimento econômico e possíveis concessões, o PT teve que travar a mobilização social. Ou alguém imagina que o capitalismo pode crescer com greves e manifestações de rua. Debato as manifestações viraram um temor para o lulismo.

Se acreditamos que é preciso nos silenciar perante as exigências do poder financeiro para que mais à frente o crescimento capitalista seja retomado e seja possível mais algumas concessões estamos ferrados! Mas se acreditarmos que podemos nos desenvolver sem e contra o capitalismo, então temos um mundo inteiro a ganhar. Tal é a polarização que está posta daqui para frente: mais capitalismo ou anti capitalismo, de que lado você estará?

Fico com muitas experiências locais, nacionais e globais que enfrentam o projeto neoliberal em todas as frentes, seja na relação com a natureza, no mundo do trabalho, nas vias institucionais ou nas práticas autônomas e cotidianas. Mas antes de tudo qualquer possibilidade real de transformação social em favor da maioria da população só pode acontecer com ela na rua defendendo de corpo e mente seus direitos sociais, políticos e coletivos.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais – artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista – com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho