Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Nosso partido sofreu um golpe forte. A aprovação da Lei da Mordaça na Câmara dos deputados, rejeitando as modificações vindas do Senado na chamada “reforma política”, retira o PSOL (com raras exceções) dos debates de TV durante as eleições. Eduardo Cunha, valendo-se de manobras regimentais, mais uma vez impôs sua agenda de retrocesso.

O que se tinha conseguido no Senado foi fruto de uma iniciativa contundente, aprovada na executiva nacional do PSOL, de Luciana Genro, de procurar lideranças dos partidos (tal qual Lula e FHC) e da articulação do Senador Randolfe Rodrigues com o pleito de que a tal “reforma” não valesse para 2016 e que a cláusula de barreira não fosse de 9, mas de 5 deputados a partir de 2018. Esta iniciativa foi assumida pelo PSOL corretamente e venceu no Senado. Infelizmente o mesmo não se repetiu na Câmara Federal.

Evidentemente nossa luta não se resume a uma luta eleitoral. Os dez anos de construção do PSOL, apontam para um partido com forte intervenção nas lutas sociais, e a participação marcante de nossas candidaturas presidenciais, Heloísa Helena em 2006, Plínio de Arruda em 2010 e Luciana Genro em 2014, o espaço alcançado pelos nossos candidatos em disputas estaduais e municipais, nos permitiu defender bandeiras que somente o PSOL tem coragem para erguer. Sem nossa presença nos debates, as coisas ficarão mais difíceis para nós e isso não é casual.

O aprofundamento da crise política, marcada pela colaboração entre as empreiteiras, empresas estatais e os principais partidos da ordem, se combina a uma grave crise econômica. Para manter os lucros do capital financeiro e da grande burguesia brasileira, o governo petista coloca sobre os trabalhadores todo o peso do ajuste.

O estelionato eleitoral de Dilma, que governa com o programa de Aécio, abre um espaço político promissor para o PSOL. É evidente que este é o motivo de fundo para o ataque que foi desfechado contra nosso partido. Com o abandono de uma plataforma anticapitalista por parte do PT e de boa parte dos movimentos sociais cooptados pelo lulismo, eles se tornaram gestores da crise atual e não tem outro remédio a oferecer que não seja o mais amargo para os trabalhadores e o mais adocicado para os grandes capitalistas. Somente o PSOL pode ocupar o espaço político de oposição de esquerda, tem como espaço privilegiado de crescimento eleitoral sua participação nos debates. Exatamente o que os setores mais retrógrados da burguesia não querem permitir.

A exigência de que Dilma não sancione é nosso eixo agora. Esta exigência deve servir para que Dilma diga se vai aceitar o jogo de Cunha e da Globo de calar o PSOL ou se não aceitará. E a direção do PSOL toda terá que se somar nesta demanda, nesta cobrança e, caso Dilma sancione, nesta denúncia do caráter antidemocrático de seu governo. Agora cabe a Dilma atacar ou preservar o direito dos socialistas.

Além desta exigência, identificamos uma falha na redação da lei, que não incluiu a palavra federais quando se refere aos deputados necessários para ter o direito de participar dos debates. Isso significa que podemos disputar o entendimento de que os deputados estaduais também valem para compor os 9 necessários. A delação premiada de Fernando Baiano deixa Cunha e seus aliados com os dias contados, abrindo uma importante brecha política para revertermos este ataque ao PSOL. Vamos para a ofensiva!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho