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Jean Luc Mélenchon: “Um acordo forçado que não devemos apoiar”

“’Uma pistola na têmpora’, segundo as suas próprias palavras. Tsipras assinou um ‘compromisso’. Em seguida, as trombetas elogiosas lançaram a tradicional propaganda governamental para celebrar o papel de facilitador de Hollande, a força da ‘dupla franco-alemã’ e para repetir os tópicos, os mantras e as anedotas habituais dos ‘euro-idólatras’”, escreve Mélenchon num artigo de opinião publicado no seu blogue, sublinhando que “a crua realidade está, uma vez mais, a anos-luz das pseudo análises dos comentadores”.

“Em todas as telas a mesma imagem: Angela Merkel em frente a Alexis Tsipras flanqueado por Donald Tusk e François Hollande. Um espectáculo inaceitável. Não só para um francês, para o qual é lamentável ver-se desse lado da mesa. Mas sobretudo para um europeu. Porque essa reunião converteu-se, sem nenhuma crítica dos comentaristas, numa ‘instância’ sem nenhuma legitimidade”, avança.

Jean-Luc Mélenchon questiona o valor de uma negociação na qual “a parte grega não era livre, o país estava bloqueado economicamente há quinze dias”, lembrando que alguns periódicos alemães, como o Spiegel, qualificam ao acordo de “catálogo de crueldades” e o diário L’Humanité fala de “a fria ditadura alemã”.

“O Governo de Alexis Tsipras resistiu de pé como nenhum outro na Europa. Agora tem que aceitar uma trégua na guerra que está a travar. Devemos-lhe solidariedade”, avança o político francês destacando, contudo, que “nada nos pode obrigar a participar na violência que lhe estão a infligir”.

“Se eu fosse deputado não votaria esse acordo em Paris. Seria a minha maneira de condenar a guerra contra a Grécia”, assegura, defendendo que em França devem “condenar de todas as formas possíveis os sacrifícios que exigem aos gregos e a violência que lhes impõem”.

“Há que apoiar Tsipras e não nos unirmos à matilha dos que o querem despedaçar e se fazem cúmplices do golpe de Estado contra ele e os gregos. Mas não há que apoiar o acordo para não legitimar a violência que este impõe e prolonga”, remata.

Fonte: Esquerda.net

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e
trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho