Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Escrito por Milton Temer, jornalista carioca e dirigente do PSOL

Hoje e amanhã serão dias decisivos para a Grécia. Tsipras recuou das propostas iniciais, radicais e de confronto? Recuou. Mas a situação trágica e agravada que o País passou a atravessar a partir do confronto aberto ficaram evidentes no noticiário diário.

A pergunta concreta é: Tsipras tem condições concretas para um rompimento com a Zona do Euro nas condições atuais da economia grega?

Não. Porque para tanto, teria que contar com o apoio majoritário da população para esse rompimento. E o que ficou claro no plebiscito do NÃO foi que a maioria obtida se limitava à não aceitação das condições impostas naquela ocasião pela Troika, e pelo governo alemão em particular. Mas sempre se mantendo na Zona do Euro.

Para além das condições políticas, outro obstáculo insuperável é o próprio quadro sócio-econômico. Não há recursos, atualmente, para manter pensões e salários do serviço público. E numa realidade extremamente dependente de importações, até para suprir insumos de sua indústria principal – o turismo, torna-se decisivo que aporte de recursos externos se dêem imediatamente, o que era inaceitável pela Troika e hoje consta da proposta de Tsipras

Vale a leitura desse trecho da insuspeita Miriam Leitão na sua coluna de hoje, para compreender que a manobra ainda inaceitável pelos alemães é de reduzir exigências, protelar prazos e obter créditos imediatos, antes das medidas entrarem em vigor:

A grande diferença, explica o economista-chefe da Acrefi, Nicola Tingas, foi que Tsipras propôs escalonar as metas ao longo dos anos.
— Ele foi na direção dos credores, mas propôs que as metas não sejam de uma vez. Também conseguiu que a ideia de perdão da dívida ou reestruturação fosse discutida já na concessão de um novo pacote. Antes, os credores só aceitavam isso depois que os gregos apresentassem resultados — disse.
A crise de confiança e o fechamento bancário por duas semanas já feriram a economia grega. Antes, havia expectativa de uma pequena alta de meio ponto percentual no PIB, agora as projeções são de uma recessão de até 3%. Com isso, as receitas do governo também vão cair, e chegar à meta de superávit será muito difícil em 2015. Tsipras está prometendo o que talvez não consiga cumprir:
— A economia está paralisada. Todos os agentes econômicos estão retendo euros. Um comerciante, por exemplo, não faz encomendas, prefere ter o dinheiro em caixa, mesmo que fique sem produtos para vender. Também não há importações, e quase tudo na Grécia é importado. Essas duas semanas de bancos fechados colocaram o país à beira do colapso. O próprio Tsipras está ameaçado com essa paralisia.”

Que se contenham então os “incondicionais” do lulopragmatismo ou os nervais da vida, ambos interessados na derrota do Syriza, e já festejando o “recuo”. São situações totalmente distintas as que caracterizam a situação grega e a brasileira.

Aqui, com infinitamente melhores condições de confronto com o grande capital internacional, a rendição se deu antes da batalha começar. Na Grécia, a disputa de espaços na negociação final continua.

Não é que pretendiam a esquerda mais radical do Syriza ou o KKE, mas é muito menos do que a Troika exigia no começo do combate.

Vale esperar, portanto, até domingo. A partir daí, voltamos a discutir

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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