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Grécia: a luta continua. Entrevista com STATHIS KOUVELAKIS (em Português)

por Sebastian Budgen e Stathis Kouvelakis

Um informe definitivo, do que ocorreu nas últimas semanas na Grécia e o que virá para o Syriza e para a esquerda europeia

Tradução do Espanhol: Charles Rosa

O último acordo entre o governo de Syriza e os credores impactou grande parte da esquerda que vem acompanhando os acontecimentos da Grécia. Parece assinalar o fim de todo um ciclo político.

Nesta entrevista ao editor e colaborador da Jacobin Sebastian Budgen, Stathis Kouvelakis, dirigente da Plataforma de Esquerda no partido recorre a última sequência, até que ponto as previsões se confirmaram ou foram refutadas, e os próximos passos para a ala radical do partido.

Kouvelakis aproveita esta oportunidade para refletir mais amplamente sobre o balanço geral da estratégia da Plataforma de Esquerda, se as coisas poderiam ter sido feitas de outra maneira e quais são as perspectivas para uma recomposição mais geral da esquerda.

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Quais foram as causas do referendo de Julho? Muitos viram a consulta popular como algo surgido do nada, uma carta que o premier Alexis Tsipras tirou da manga. Mas há certa incerteza sobre suas motivações – alguns inclusive especulam que ele pensou que perderia.

Penso que o referendo foi claramente uma tentativa de sair da armadilha na qual o governo foi caindo através do processo de negociação.

Era bastante óbvio, de fato, que durante a espiral descendente de concessões o governo de Tsipras se deu conta de qualquer coisa que propusessem não seria suficiente para a troika. Ainda em junho na última semana, estava claro que o acordo que estava mais ou menos tomando forma não passaria na prova interna dentro de Syriza e não passaria na prova da opinião pública.

Foram enviadas mensagens do interior do partido para o próprio Tsipras e para a direção provenientes não somente da Plataforma de Esquerda, dizendo que era inaceitável. Nos últimos dias dessa semana, a mudança na opinião pública foi também significativa, com gente dizendo que estavam simplesmente cansada deste processo interminável de negociações. Entendeu-se que a troika buscava simplesmente humilhar o governo grego.

Tsipras, de quem se deve dizer que é uma espécie de jogador no plano político, pensou o referendo – uma ideia que não era completamente nova e que circulou entre outros membros no governo, incluindo a Yanis Varoufakis – não como uma ruptura com o processo de negociação, mas como uma manobra tática que poderia reforçar seu plano de negociação.

Tenho certeza sobre isso porque estou inteirado de informes detalhados sobre a reunião crucial do gabinete na tarde de 26 de junho, quando o referendo foi anunciado.

Duas coisas devem ser ditas sobre isso. A primeira é que Tsipras e a maioria das pessoas próximasa ele pensaram que seria “um passeio”. E essa foi a situação até antes do fechamento dos bancos. O senso comum era que o referendo seria ganho de maneira contundente, com mais de 70 por cento.

Isso era bastante realista, se os bancos não tivessem fechado, o referendo teria sido ganho com facilidade, mas o significado político do “Não” teria mudado, porque se teria dado sem a atmosfera dramática de confronto criada pelo fechamento dos bancos e pela reação dos europeus.

O que ocorreu nessa reunião de gabinete foi que um certo número de pessoas – a ala direita do governo, dirigida pelo vice- Primeiro-Ministro Giannis Dragasakis – não esteve de acordo com a jogada proposta. Dragasakis é a pessoa que vem supervisionando todo o processo de negociação do lado grego. Todos na equipe de negociação, com exceção do novo ministro de finanças, Euclid Tsakalotos, são seu pessoal e ele foi o mais proeminente daqueles no gabinete que queriam se desfazer de Varoufakis.

Esta ala pensou que o referendo era uma proposta de alto risco e compreenderam-na em um sentido no qual Tsipras não o fez, que ia ser uma jogada muito confrontativa que dispararia uma reação violenta do lado europeu – e se provou que estavam certos.

Também tinham medo da dinâmica que se lançaria desde abaixo pela sua iniciativa. Por outro lado, o líder da Plataforma de Esquerda e ministro de Energia e Reconstrução Produtiva, Panagiotis Lafazanis, disse que o referendo era a decisão justa, apesar de chegar demasiado tarde, mas também advertiu que implicava numa declaração de guerra, que o outro lado cortaria a liquidez e que deveríamos esperar ter os bancos fechados nesses dias. A maioria dos presentes riu de sua caracterização.

Penso que esta falta de consciência do que ocorreu é a chave fundamental para entender toda a lógica na maneira em que veio operando o governo até agora. Não podiam crer que os europeus reagiriam como fizeram. Em um sentido, como disse, a ala direita de Syriza foi muito mais lúcida sobre aquilo que se enfrentava.

Isso explica também o que sucedeu durante a semana do referendo nesse nível. Tsipras foi posto sob uma enorme pressão por Dragasakis e outros para renunciar ao referendo. Não o fez, evidentemente, mas deixou claro que seus próximos movimentos seriam aqueles que aprovasse a ala direita, e que a medida não implicava uma ruptura com a linha que se havia seguido até esse ponto, mas uma espécie de movida tática dentro desse mesmo marco.

E esse foi o sentido do retrocesso na quarta-feira antes da votação?

Exatamente. Nessa quarta-feira (01/07) algumas pessoas falaram inclusive de um golpe interno, e em Atenas se propagavam rumores sobre que Tsipras renunciaria ao referendo. Durante seu discurso confirmou o referendo, mas também clarificou que estava concebido como uma ferramenta para conseguir um acordo melhor, e que não constituía o final das negociações, mas apenas a continuação em condições supostamente melhores. Permaneceu fiel a essa linha toda a semana.

Uma coisa que não entendi sobre o processo, inclusive desde a perspectiva das relações públicas, é que chamou ao referendo sobre uma série de medidas propostas que logo pediu para as pessoas rechaçarem, mas que inclusive durante o referendo fez uma movida na direção dos credores que parecia ser pior em alguns aspectos que as medidas que estava pedindo para as pessoas rechaçarem.

Tudo isso dá a impressão de um grande “amadorismo” e caos.

Tratei de reconstituir as intenções de Tsipras essencialmente para responder tua pergunta sobre se ele pensou que perderia o referendo e para clarificar o significado que o referendo tinha para ele. Mas o que está absolutamente claro é que desatou forças que iam muito mais além de suas intenções. Tsipras e o governo foram claramente ultrapassados pela dinâmica que se criou a partir do referendo.

Para tanto tentaram por o diabo de novo na caixa por todos os meios possíveis. A maneira em que Tsipras lidou com a pressão de Dragasakis – e por que essa quarta-feira era tão importante – foi aceitando sua linha e enviando uma carta infame ao eurogrupo, pedindo antes um novo empréstimo. Isso abriu o caminho que viria na semana seguinte ao referendo.

Mas, por outro lado, com vistas a justificar o fato de que não podia retirar o referendo sem cair no ridículo, teve que dar alguma racionalidade a iniciativa. Teve que falar sobre lutar contra as medidas de austeridade incluídas no pacote de Juncker, sobre a chantagem da troika e o ultimato ao qual havia se sujeitado. E, evidentemente, a dinâmica que estava se desenvolvendo desde abaixo nesse momento compreendeu a oportunidade, a tomou ao pé da letra e foi adiante para travar a batalha contra a troika.

Este é um exemplo de uma iniciativa que é tomada a partir de acima, como o resultado de contradições internas, mas que termina liberando forças que foram muito mais além das intenções do líder. É muito importante porque também tem que se compreender que uma das maiores dificuldades que Tsipras tem que enfrentar agora depois da rendição do acordo de ontem é a duvidosa legitimidade política de sua jogada depois do referendo.

Temos que entender que é uma ilusão completa pretender que o referendo não ocorreu. Ocorreu, e está claro tanto para a opinião pública como para a sociedade grega que Tsipras está traído um mandato popular.

Assim que no grande debate – sobre se Tsipras é uma espécie de gênio maquiavelano super-tático ou algum tipo de jogador selvagem ultrapassado pelos acontecimentos, você se situa no segundo campo?

Definitivamente, na medida em que esclarecemos o seguinte ponto: Tsipras e a condução estiveram seguindo consistentemente a mesma linha desde o começo. Pensaram que combinando uma abordagem “realista” nas negociações e certa firmeza retórica, obteriam concessões por parte dos europeus.

Ficaram cada vez mais presos nessa linha, e quando se deram conta de que estavam presos, não tiveram estratégia alternativa. Consistentemente rechaçaram qualquer outra estratégia, e também fizeram praticamente impossível que outra abordagem fosse implementada quando já não havia tempo para isso.

Agora, na entrevista que deu há alguns dians ao New Statesman, Varoufakis disse que uma pequena equipe ao seu redor trabalhou durante a semana antes do referendo em um plano alternativo que incluía o controle estatal dos bancos, emissão de IOU’s e desconexão do banco central da Grécia do BCE de Frankfurt, ou seja numa sorte de saída gradual. Mas claramente era demasiado tarde e foi rechaçado por quase todos os membros do gabinete de economia, ou seja, por Dragasakis. Tsipras, obviamente, aprovou essa decisão.

Assim que temos que remarcar a continuidade da linha de Tsipras. Esta é também a razão pela qual penso que a palavra “traição” é inapropriada se compreendemos o que está ocorrendo. Por certo, objetivamente podemos dizer que houve uma traição ao mandato popular, que as pessoas muito legitimamente sentem que foi rechaçado.

De todas as formas, a noção de traição significa usualmente que em algum momento se toma uma decisão consciente de renegar os seus próprios compromissos. O que penso que realmente ocorreu é que Tsipras honestamente pensou que poderia sair vitorioso levando adiante uma abordagem centrada nas negociações e na boa vontade, e que por isso constantemente disse que não tinha outro plano alternativo.

Pensou que aparecendo como um europeu leal, privando de qualquer “agenda oculta”, poderia ter algum tipo de recompensa. Por outro lado, mostrou por alguns meses uma capacidade de resistir à pressão escalonada e fez alguns movimentos imprevisíveis tais como o referendo ou a viagem a Moscou.

Pensou que esta era a mescla justa para enfrentar o assunto, e o que sucedeu é que quando se segue consistentemente esta linha, se é levado a uma posição na qual só lhe restam opções ruins.

Sobre as raízes dessa estratégia: em que medida trata-se de cegueira ideológica e em que medida de pura ignorância? O que é confuso para muitos é que há um governo composto de um grande número de intelectuais, gente que passou toda sua vida estudando economia política capitalista contemporânea, tanto no abstrato como no concreto, pessoas que são ativistas.

Como se pode explicar o que parece ser ingenuidade acerca de seus oponentes políticos? Está diretamente baseado em questões ideológicas ou se trata de uma falta de experiência no que se refere à “grande política”?

Creio que devemos distinguir dois elementos no governo. O primeiro é a ala direita dirigida por dois dos principais economistas, essencialmente Dragasakis, mas também Giorgos Stathakis. E depois o núcleo dirigente, Tsipras e seu pessoal.

O primeiro grupo tem uma linha consistente desde o princípio – não houve nenhuma ingenuidade de sua parte. Sabia muito bem que os europeus não aceitariam uma ruptura com o memorando. Esta é a razão pela qual Dragasakis desde o princípio fez tudo o que pode para não mudar a lógica do enfoque geral. Claramente sabotou as tentativas de Syriza de ter um programa econômico apropriado, inclusive um no marco que tinha sido aprovado pela maioria do partido. Pensou que o único que se poderia obter era uma versão melhorada do marco memorandatário.  Queria suas mãos completamente livres para negociar com os europeus, sem aparecer excessivamente em cena, teve êxito em controlar a equipe de negociação, especialmente uma vez que Varoufakis foi substituído.

No verão de 2013 deu uma entrevista muito interessante que gerou muito ruído no momento. O que ele propunha não era sequer uma versão mais suave do programa de Syriza, mas um programa diferente que era um melhoramento parcial do acordo existente que Nova Democracia assinou.

Depois está a outra abordagem, a de Tsipras, que estava ancorada na ideologia do europeísmo de esquerda. Penso que a melhor ilustração disso é Euclid Tsakalotos, uma pessoa que se considera a si própria como um marxista acérrimo, alguém que vem da tradição eurocomunista, estivemos na mesma organização durante anos. A afirmação mais típica dele que captura tanto sua ideologia como a perspectiva do governo pela presença de todos esses acadêmicos é o que disse em uma entrevista ao site francês Mediapart em abril.

Quando lhe foi perguntado qual teria sido o maior golpe desde que estava no governo, respondeu dizendo que era um acadêmico, seu trabalho era ensinar economia na universidade, assim que quando foi a Bruxelas teve que se preparar muito seriamente, havia preparado todo um conjunto de argumentos e esperava contra-argumentos igualmente elaborados. Mas, no lugar disso, teve que se enfrentar a gente que recitava regras e procedimentos sem fim, e coisas no estilo.

Tsakalotos disse que estava muito decepcionado pelo baixo nível da discussão. Na entrevista à New Statesman, Varoufakis disse coisas muito similares sobre sua própria experiência, apesar de que seu estilo é claramente mais confrontante que o de Tsakalotos.

A partir disso fica bastante claro que esta gente A partir de esto queda bastante claro que esta gente estava esperando uma confrontação com a EU como se tratasse de uma conferência acadêmica, quando se vai com um paper bonito e se espera que se apresente algum tipo de contra-paper.

Creio que isso diz muito sobre a esquerda hoje. A esquerda está cheia de gente que tem boas intenções, mas que são totalmente impotentes no terreno da política real. Mas também diz muito sobre o tipo de devastação mental que causa qualquer crença religiosa no europeísmo. Isso significa que, até o final, essa gente acreditou que poderia obter algo da troika, pensaram que entre “sócios” poderiam ter algum tipo de compromisso, que compartilhavam algum núcleo de valores como o respeito e o mandato democrático, ou a possibilidade de uma discussão racional baseada em argumentos econômicos.

Todo o enforque mais confrontante da intervenção de Varoufakis fazia referência ao mesmo, mas envolto na linguagem da teoria dos jogos. O que dizia é que temos que jogar o jogo até o final e que então se retrocederia, porque supostamente o dano que produziriam seria demasiado grande como para ser aceito.

Mas o que de fato sucedeu foi mais semelhante a uma luta entre duas pessoas, onde uma pessoa arrasta a dor e o dano de perder um pé e a outra suas duas pernas.

Assim que é verdade que houve uma espécie de falta de realismo elementar e que esteve diretamente conectado com o maior problema que a esquerda tem que enfrentar hoje- ou seja, nossa própria impotência.

Este europeísmo que você descreve na facção do centro da condução de Syriza, qual é a sua natureza ideológica? Porque não são liberais ou federalistas negrianos. São pessoas que pensam a si mesmas como marxistas? Há alguma influência de Habermas ou Étienne Balibar?

Creio que, neste caso, Balibar é provavelmente mais relevante que Habermas. Uma vez mais, penso que temos que tomar a Tsakalotos ao pé da letra. Deu uma entrevista a Paul Mason justo no dia depois que as humilhantes contrapostas do presidente da comissão europeia, Jean-Claude Juncker, foram enviadas.

Quando Mason perguntou sobre o euro, Tsakalotos disse que a saída seria uma catástrofe absoluta e que a Europa reviveria os anos 1930 com o retorno da competição entre moedas nacionais e o aumento de vários nacionalismos e fascismos.

Logo para esta gente a escolha está entre duas coisas: ou ser um “europeu” e aceitar o marco existente, que de alguma maneira representa objetivamente um passo adiante comparado com a velha realidade das nações-estado, ou ser um “anti-europe” que é o mesmo que voltar ao nacionalismo, um movimento reacionário e regressivo.

Esta é uma maneira muito débil na qual se legitima a União Europeia- pode não ser ideal, mas é melhor que qualquer outra opção sobre a mesa.

Penso que neste caso podemos ver claramente qual é a ideologia que se põe em jogo. Apesar de que não esteja no projeto e de que tenha dúvidas sérias acerca da orientação neoliberal  e da estrutura hierárquica das instituições europeias, de todas as maneira se está atado a estas coordenadas e não se pode imaginar nada melhor fora deste marco.

Este é o sentido do tipo de denúncias sobre o Grexit como uma volta a 1930 ou como uma espécie de apocalipse. É o sintoma de aprisionamento próprio da direção nesta ideologia da esquerda europeísta.

É mais fácil se imaginar o fim do capitalismo do que o fim da União Europeia ou inclusive do euro?

Exatamente, escrevi isso não faz muitos anos.

E esse tipo de suavidade sobre a União Europeia é inconsistente com a visão de Nicos Poulantzas, apesar de que alguns intelectuais usem a Poulantzas para defender a posição da direção.

Sim, Poulantzas falou da integração europeia na primeira parte de seus livros sobre as classes sociais no capitalismo contemporâneo, na qual analisa os processos de internacionalização do capital e claramente considerava a Comunidade Econômica Europeia como um exemplo de uma forma imperialista de internacionalização do capital europeu no marco do qual considerava a hegemonia estrutural dos Estados Unidos depois e durante o período de pós-guerra.

Voltemos de novo ao referendo. Ocorreu num contexto de crise de liquidez, bancos fechando, reação da mídia e de outros partidos chamando a votar pelo “sim”. Mas então ocorreu algo para disparar uma contra-reação de grande escala do povo grego.

Estavam guiados pelo orgulho nacional? Tratou-se sobretudo de una questão de classe? Ou, tal como dizem Paul Mason e outros, jogaram algum papel as memórias da guerra civil? Qual é a chave do voto pelo “não”?

De todos os fatores que mencionaste, o menos relevante é o que se refere à guerra civil. Temos que ver que o “Não” dominou inclusive em áreas do campo da direita tradicional, como Lacônica, perto de Esparta, Messinia, ou inclusive outras áreas da Grécia central onde a direita domina, como Evrytania. O “não” foi majoritário em todos os condados da Grécia.

A dimensão de classe é o mais definitivo nos três pontos que você mencionou, que recorrerei em ordem de importância. Inclusive analistas tradicionais reconheceram que se tratava da eleição mais dividida pelo fator de classe na história da Grécia. Nos distritos da classe trabalhadora, 70% ou mais votaram pelo “Não”, nos distritos de classes altas 70% ou mais votaram pelo “Sim”.

A reação histérica das forças dominantes e a situação concreta criada pelo fechamento dos bancos e o limite de saques criou entre as classes populares uma fácil identificação segundo a qual o campo do “sim” era tudo o que detestavam. O fato de que o campo do “Sim” tenha mobilizado a todos estes políticos odiados, experts, dirigentes comerciais e celebridades midiáticas para sua campanha só ajudou a fortalecer esta reação de classe.

O segundo ponto que é igualmente impressionante é a radicalização da juventude. É o primeiro momento desde a crise em que a juventude de forma massiva faz uma declaração unificada. Oitenta e cinco por cento de quem tem de dezoito a vinte e quatro anos votou pelo “não”, o que mostra que esta geração, que foi completamente sacrificada pelos memorandos, é muito consciente de seu futuro e tem uma atitude clara frente à Europa.

O diário francés Le Monde publicou um artigo perguntando como esta gente jovem, que cresceu com o euro, os programas de Erasmus e da União Europeia se voltam contra ela, e a resposta dos entrevistados foi simples: vimos do que se trata a Europa, e a Europa se trata da austeridade, a Europa se trata da chantagem aos governos democráticos, a Europa se trata de destruir nosso futuro.

Isso também explica as marchas massivas e combativas dessa semana, culminando especialmente nas de sexta-feira, 3 de julho, em Atenas e outras cidades da Grécia.

A terceira dimensão é certamente a do orgulho nacional. Isso explica por que fora dos grandes centros urbanos, onde as linhas de classe estão mais difusas, na Grécia do campo e das pequenas cidades, ganhou o voto pelo “Não’. Foi um “Não” à troika, foi um “Não” a Juncker. Se percebeu que inclusive para aqueles céticos quanto ao governo e que não se identificam com Syriza ou com Tsipras viram que se tratava claramente de uma tentativa de humilhar um governo eleito e de manter o país sob o mandato da troika.

Você esteve em muitos lugares de trabalho fazendo campanha pelo “Não”. Você pode nos falar um pouco disso e da recepção que você teve?

Foi, evidentemente, uma experiência única. Havia uma disparidade de situações – a atmosfera estava dura nas ferrovias, uma companhia que foi desmantelada e cujos restos serão privatizados, e os trabalhadores sabiam que o governo de Syriza já havia aceitado a privatização das ferrovias. Incluiu-se na primeira lista de reformas anunciadas por Varoufakis, depois do acordo de 20 de fevereiro.

Contudo mais além dos contextos variáveis, em todos os lugares, a discussão girou em torno a dois temas distintos: por que o governo tem feito pouco até agora? Por que tem sido tão tímido? E também: o que vão fazer depois da vitória do “Não”?

Estava totalmente claro para esta gente que o “Não” ganharia, porque a campanha do “Sim” era invisível nos lugares de trabalho e entre a classe trabalhadora em geral, assim que não havia quase nenhuma dúvida sobre qual seria o resultado. Mas havia muita ansiedade sobre o que passaria depois da vitória.

Assim que as perguntas eram: quais são seus planos? O que vão fazer? Por que ainda falam de renegociar depois de cinco meses e meio em que vimos que esta estratégia fracassou?

Estive em uma situação bastante embaraçosa, porque, em meu papel de representante de Syriza e membro do comitê-central, não pude dar muitas respostas convincentes sobre estes temas.

“Não”, por certo, ganhou massivamente. Te surpreendeu a magnitude da vitória?

Sim, não esperava que o “Não” alcançasse o umbral dos 60%. Deve-se dizer que entre os altos quadros de Syriza, apenas Lafazanis havia predito isso, e muito poucos entre a Plataforma de Esquerda estavam de acordo com ele. A maioria esperava algo por volta de 55%.

O primeiro impacto massivo desta vitória massiva do “não” foi que se incrementou a desintegração dos partidos de oposição.

Na mesma tarde do resultado, esta gente estava completamente derrotada – essa foi de longe a derrota mais dura do campo pró-austeridade desde o começo da crise. Estava muito mais claro e foi muito mais profundo com as eleições de janeiro, porque não haviam reagrupado e mobilizado todas suas forças senão que ainda sofriam uma derrota devastadora. Não ganharam nenhum condado em toda a Grécia.

O líder da Nova Democracia e ex-Primeiro-Ministro Antonis Samaras renunciou quase imediatamente. E depois, só algumas horas depois o campo inteiro ressuscitou e foi legitimado por Tsipras mesmo quando chamou ao “consenso dos líderes políticos” sob a atuação do presidente da república, um apoio aberto ao “Sim”, que havia sido nomeado pela maioria de Syriza no parlamento de fevereiro.

Nessa reunião vê-se que sucede algo extraordinário – a cabeça do campo vitorioso aceita as condições do campo derrotado. Isso, é preciso ser dito, é algo único na história política. Não creio que tenha sucedido antes.

O governo se surpreendeu talvez pela força do voto pelo “Não”, e a natureza de classe deve ter sido compreendida, mas sua interpretação foi simplesmente que confirmava os planos iniciais? Não havia registro de que algo mais profundo se sucedia?

Não posso falar da maneira em que interpretaram o referendo, porque todos foram absorvidos pelas assim chamadas negociações, que são uma enganação, obviamente. Penso que a melhor expressão para referidas negociações foi registrada por um correspondente do diário Guardian em Bruxelas, Ian Traynor, que escreveu que um oficial da EU se referiu a elas como um “submarino”.

O que está claro, de todas as formas, é que o governo imediatamente tomou as iniciativas para desativar a dinâmica que emergia com o referendo. Por isso, horas depois do anúncio do resultado final, esta reunião de todos os líderes políticos foi chamada, a qual fixava de alguma maneira uma agenda completamente distinta daquela que expressava o voto pelo “Não”.

O conteúdo desta nova agenda era que qualquer coisa que sucedesse – já se encontrava, por certo, nas movimentações inspiradas por Dragasakis a semana anterior – a Grécia permaneceria na eurozona. E o ponto mais enfático da declaração assinada por todos os líderes políticos- com a exceção do KKE, que se negou a assinar, e os nazis, que não foram convidados para a reunião – era que o referendo não era um mandato para a ruptura, senão um mandato para uma negociação melhor. Assim que desde este momento em diante a desordem havia sido preparado.

Há alguma evidência sobre as posições do povo sobre o tema do eurozona tenha ido mudando durante o tempo do referendo?

Por certo que mudaram. O argumento que era constantemente repetido pela mídia, pelos líderes políticos do campo do “Sim”, mas também por todos os líderes europeus que claramente interferiam no referendo da maneira mais evidente durante essa semana, era que votar pelo “Não” era votar contra o euro. Assim que é completamente irracional dizer que a gente que votou pelo “Não” não estava ao menos tomando o risco de uma possível saída do Euro, se essa era a condição para dizer “não” às próximas medidas de austeridade.

É necessário agregar que o que estava passando durante essa semana implicava um processo de radicalização da opinião pública. Era possível sentir isso e escutar isso nas ruas, nos lugares de trabalho, todo tipo de espaços públicos. Em todas as partes, a gente estava falando sobre o referendo, assim era bastante fácil perceber o estado de ânimo popular.

Não sugiro que tenha sido homogêneo. O povo se convenceu da ideia de que votar “não” daria ao governo outra carta para jogar nas negociações. Não digo que isso não seja verdade. Mas também devemos entender que o caráter massivo do “Não” no campo significa que o povo, mais particularmente na classe trabalhadora, na juventude e nos estratos médios empobrecidos, teve o sentimento de que não tinha mais nada a perder, e estavam dispostos a tomar riscos e dar a batalha.

O espírito combativo das marchas de sexta-feira foi outro indicador disso. Foi bastante impressionante. Pessoalmente, não vi nada parecido na Grécia desde 1970.

Falemos do voto do 11 de julho no parlamento sobre as propostas enviadas pelo governo grego ao eurogrupo. Ficou claro nesse momento que o governo havia aceitado a perspectiva de um novo plano de austeridade.

Essas propostas foram finalmente aprovadas por 251 deputados de 300, com os partidos pró-austeridade apoiando massivamente.

Uma das condições postas pelos credores foi que as propostas do governo grego deviam ser aprovadas pelo parlamento, sabendo que isso não tinha sentido. Não é nem sequer constitucional, estritamente falando, porque o parlamento só pode votar projetos ou acordos internacionais e interestatais, não podem votar um simples documento que é a base para a negociação e que pode ser mudado durante a negociação em qualquer momento.

Mas foi uma jogada simbólica que dava carta branca para o governo para negociar sobre uma base dramaticamente reduzida. As propostas do governo foram apenas uma modificação da versão do plano de Juncker que foi rechaçado no referendo. Assim que o que o governo pedia era uma aprovação de seu giro durante essa semana.

Mas a situação do grupo parlamentar de Syriza parece mais complexa. Logo, falemos da diferenciação entre as bancadas de Syriza e a posição que tomou a Plataforma de Esquerda. A posição da Plataforma de Esquerda foi significativamente debatida internamente, especificamente dentro do maior componente da plataforma, que é a Corrente de Esquerda dirigida por Panagiotis Lafazanis. A opinião majoritária era que deveríamos ir com um voto diferenciado, o que significava que algumas pessoas deviam votar “presente” – que praticamente implica o mesmo que o voto pelo “não”, apesar de que tem um peso simbólico menor.

Por que é o mesmo que um voto negativo?

Porque não muda o fato de a maioria requerida que necessita uma proposta para passar. Em qualquer caso, se necessitam 151 votos para que passe.

Outra parte do grupo votaria a favor das propostas ao mesmo tempo que ingressaria com uma declaração dizendo duas coisas. Primeiro que se solidarizava com aqueles que rechaçavam o acordo – com aqueles que votaram “presente” neste caso, que não aceitavam este acordo – e que não votariam um acordo que contivesse medidas de austeridade.

Talvez o segundo ponto seja mais importante que o primeiro (voltaremos a isso em um momento). O raciocínio se baseia na prática constitucional grega que é a seguinte: sobre cada projeto, o governo tem que mostrar que tem uma maioria proveniente de sua própria formação, do partido em si mesmo ou da coalizão, o qual é assim neste caso se levamos em conta a ANEL, o partido dos Gregos Independentes. De fato, o governo perdeu o controle sobre sua própria maioria.

Apesar de que isso não o impossibilita legalmente, neste caso, segundo a história constitucional grega, quando um governo perde o controle sobre sua maioria, o famoso dedilomendi(maioria declarada), deve ir por novas eleições. Esta é a razão pela qual imediatamente a discussão sobre as novas eleições começou. As novas eleições já têm sido anunciadas – agora se trataria somente de uma questão de estabelecer o momento em que se darão.

Portanto temos que ver esta linha – com a qual pessoalmente não estive de acordo, dado que estou entre aqueles que impulsionaram um voto negativo ou “presente” homogêneo – falhou dado que com os sete membros da Plataforma de Esquerda que votaram “presente” somados a outro deputados de Syriza que também votaram “presente” (mais significativamente Zoe Konstantopoulou, a presidenta do Parlamento, e Rachel Makri, membro anterior da ANEL que agora é muito próxima a ela) o governo já havia perdido sua maioria.

De todas as formas, há um balanço final agora: todos os deputados da Plataforma de Esquerda rechaçarão o novo memorando no próximo voto, isso já foi anunciado. A isso devo agregar que os dois deputados da Plataforma de Esquerda que não são membros da Corrente de Esquerda mas próximos à Red Network (e DEA e outros), o componente trotskista da plataforma, votou “não”, e foram os únicos dois deputados de Syriza que votaram “não” ao novo acordo.

Então o que você diz é que a Plataforma de Esquerda tomou esta posição complicada, ao menos fora da sala de reuniões da Assembleia Nacional, por que havia calculado mal que tão pouco popular seria a proposta de Tsipras? Subestimou na medida na qual pessoas fora da Plataforma de Esquerda se colocaram ao seu lado e se opuseram?

Se imaginaram que seriam ‘o último dos Moicanos’ Pensaram que se votassem “não” tirariam abaixo o governo e desatariam novas eleições – enquanto o que de fato houve foi uma crise mais geral que envolvia, por exemplo, à líder do parlamento, e que não levaram em conta em seus cálculos?

Diria que foi essencialmente legitimismo, foi para demonstrar que sua intenção não era por abaixo o governo, mas expressar seu desacordo com suas ações, advertir que se estava a ponto de cruzar uma linha final. Assim que foi para expressar a ilegitimidade da jogada de Tsipras, nesse nível, optando por uma delimitação clara com a mesma.

Devo agregar que os dois ministros e figuras mais importantes da Plataforma de Esquerda, Lafazanis mesmo e o vice-ministro de Assuntos Sociais, Dimitris Stratoulis, votaram “não” claramente. Lafazanis também fez uma declaração dizendo que embora essa seja a posição politica da Plataforma, não estavam tentando derrubar o governo.

Mas você pensa que as camadas recentemente radicalizadas da classe operária grega que ganharam o referendo compreenderam o que estava passando?

Entenderam que o governo perdeu o controle de sua própria maioria. Os meios fizeram o trabalho para nós, centrando-se em Lafazanis, dizendo quem votou “não”, “presente” e “ausente”, etc. Também devo agregar que entre aqueles que estiveram ausentes, se contam os quatro deputados da corrente maoísta (KOE) e Yanis Varoufakis mesmo, que supostamente tinha “obrigações familiares”. Logo, os meios fizeram todo o trabalho por nós, e todos se deram conta de que havia uma divisão dentro do grupo parlamentar de Syriza.

Imediatamente, os elementos da ala direita  de Syriza demandaram que aqueles que haviam estado em desacordo de uma ou outra maneira deveriam renunciar imediatamente suas posições, incluindo as cadeiras parlamentares. Assim, estava bastante claro que Syriza estava partido, apesar de que as táticas não eram claras.

O voto mais simbólico e crucial sucederá agora. O voto da semana passada foi uma proposta para as negociações. O próximo voto, que determinará o futuro de Syriza e do país, será o voto sobre o acordo assinado no domingo. E creio que a informação com a que conto até agora é que o voto será absolutamente claro, e na memória popular se estabelecerá o paralelo real com os votos famosos de maio de 2010 e de fevereiro de 2012, quando todo mundo estava atento a cada indivíduo, cada deputado, para ver como votavam nessa ocasião.

O que pensa sobre o argumento de gente como Alex Callinicos, com quem você debadeu faz alguns dias, que acredita que era um momento no qual a Plataforma de Esquerda tinha a legitimidade do referendo e de alguma maneira perdeu essa oportunidade?

Penso que é demasiado cedo para dizer se perdemos ou não. As coisas não se decidem em um só momento – não nesse momento ao menos. É um processo em desenvolvimento agora, e penso que o impacto real na sociedade virá com o novo acordo firmado.

O que posso dizer neste momento é que a decisão da Plataforma de Esquerda é reclamar ao partido e demandar um congresso. Creio que está bastante claro que este giro de Syriza tem um apoio minoritário dentro do partido.

Por certo, todos conhecemos que as manipulações burocráticas dos procedimentos de um partido são intermináveis e demonstram uma capacidade infinita de inovação. De todas as formas, é muito difícil para mim pensar como a maioria dos membros de Syriza poderiam aprovar o que deve se fazer. Essencialmente a direção resistirá de maneira tenaz ao chamado de um congresso. Veremos o que ocorre, porque os estatutos nos permitem chamar uma reunião do comitê-central. Mas objetivamente, o processo que leva à desintegração de Syriza já começou. Syriza se tem esgotado e as divisões são absolutamente inevitáveis. O único tema agora é a maneira em que se darão e a forma que tomarão.

De todas as formas, é provável que se suceda uma remodelação da maioria governamental, até alguma forma de “unidade nacional” ou gabinete de “grande coalizão”. Toda a lógica da situação aponta nessa direção.

Os quatro ministros da Plataforma de Esquerda deixarão o gabinete esta semana e o voto de amanhã no parlamento validará a existência de uma nova maioria pró-austeridade, reagrupando a maioria dos deputados de Syriza e a todos os outros partidos, com exceção do KKE e dos Nazis. Espera-se que ao menos 40 deputados de Syriza rechacem o acordo e que serão seguidos por alguns dos Gregos Independentes. O líder do To Potami já se comporta como ministro em espera e a direita discute de maneira bastante aberta a possibilidade unir-se ao governo, apesar de que tal decisão não tenha sido tomada ainda.

Porém o que você está descrevendo é a Plataforma de Esquerda atuando como um bloco disciplinado. Então você sugere que não está quebrada internamente, que o voto não foi uma manifestação de tal coisa senão uma manobra tática?

Tivemos algumas perdas individuais, mas foram muito limitadas, e tivemos êxito em preservar a coerência da Plataforma de Esquerda. Claramente, penso que foi um erro não haver apresentado nosso plano alternativo antes, mas um documento foi entregue na reunião plenária do grupo parlamentar, e foi entregue uma declaração comum da Plataforma de Esquerda, incluindo aos dois membros da Corrente de Esquerda e da Red Network. É absolutamente crucial manter a coerência entre esses dois componentes. Mas é mais importante ainda que toda a esquerda de Syriza opere de uma maneira coesionada.

Há toda uma sorte de iniciativas para além das formações da Plataforma de Esquerda em torno a como reagir ao que está ocorrendo. Já sabemos que a tendência dos assim chamados “cinquenta e três” (a ala esquerda da maioria) se desintegrou, e não haverá maiores realinhamentos desse lado. A chave para nós é atuar como a representação legítima do “Não”, o campo anti-austeridade, que é a maioria da sociedade grega e que foi objetivamente traída pelo que vem ocorrendo.

A direção está em posição de purgar o partido em termos constitucionais?

Certamente está nessa posição, e é uma boa posição. Evidentemente, significa que os ministros da Plataforma de Esquerda serão despedidos de seus gabinetes. Sobre o partido, veremos.

Mas há mecanismo que poderiam usar?

É muito difícil tirar alguém do partido, mas veremos como manipulam os procedimento no nível do comitê-central.

E podem obrigar a que pessoas renunciem a suas cadeiras parlamentares ou não?

Não, isso não é possível. É completamente impossível. Soube de uma carta adotada por todos os candidatos de Syriza eleitos como deputados, dizendo que só renunciariam a sua cadeira se desacordassem com a tomada de decisões da maioria. Mas as decisões do governo não foram aprovadas por nenhuma instância do partido. O comitê-central do partido, que é o único corpo eleito pelo congresso do partido, não é chamado há meses. Assim que a legitimidade dessas decisões no interior do partido, e obviamente no interior da sociedade grega, não existe como tal. Mas se há novas eleições, a direção do partido pode excluir gente?

Esse é claramente seu plano. Falava-se disso antes do referendo, durante a última fase do processo de negociação quando o estancamento ficava cada vez mais visível – as pessoas diziam que Tsiparas deveria chamar novas eleições para purgar a todos os candidatos da esquerda. E creio que este é o plano que têm em mente. Assim será um corrida entre o funcionamento e a legitimidade do partido, e a maneira em que manipulam a agenda política e o calendário, mais particularmente o chamado a eleições.

Qual é a sua avaliação do acordo assinado no fim de semana passado entre o governo grego e o eurogrupo?

O acordo é em todos os níveis uma continuação da terapia de choque aplicada consistentemente na Grécia ao longo dos últimos cinco anos. Vai inclusive mais longe que tudo o que foi votado até agora. Inclui um pacote de austeridade que estava sendo apresentado pela troika desde há meses, com grandes superávits primários, incrementando o IVA e os impostos excepcionais que foram criados nestes últimos anos, mais cortes nas pensões e nos salários do setor público, dado que a reforma da escala salarial implicará cortes nos salários.

Também há mudanças institucionais importantes, com a Fazenda tornando-se completamente autônoma do controle político doméstico, de fato se converte em uma ferramenta nas mãos da troika, e a criação de outra junta “independente” monitorando a política fiscal, habilitada para introduzir automaticamente cortes horizontais se os objetivos em termos de superávit primário não são alcançados.

O que se agregou e dá um sabor particularmente feroz a este acordo é o seguinte: primeiro confirma enfaticamente que o FMI está aí para ficar. Segundo, as instituições da troika estarão permanentemente presentes em Atenas. Terceiro, se impede que Syriza implemente dois de seus maiores objetivos de restabelecer a legislação laboral – há algumas referências vagas para uma melhor prática europeia, mas foi explícito o fato de que o governo não pode voltar à legislação passada – e certamente isso também ocorre em relação ao salário mínimo.

O programa de privatizações sobe a um nível incrível – estamos falando de 50 bilhões de privatização – assim que absolutamente todos os bens públicos serão vendidos. Não só isso, mas que serão transferidos a uma instituição, todas elas, completamente independentes da Grécia. Falou-se de que uma parte estaria em Luxemburgo – atualmente terá sua sede em Atenas- mas será completamente despojada de qualquer forma de controle político. Isso é típico do processo Treuhan que privatizou todos os bens públicos na Alemanha Oriental.

E a mais forte de todas essas medidas é que, com exceção do projeto de medidas humanitárias – que é uma amostra muito pequena do programa de Syriza, essencialmente um gesto simbólico – o governo deverá revogar todo o resto dos projetos aprovados sobre política econômica e social.

E sobre estas questões sobre as quais os liberais e os social-democratas acostumaram a dar argumentos politicamente corretos para a austeridade, principalmente o orçamento de defesa e da igreja ortodoxa?

Não há nada sobre a igreja. Há uma redução do orçamento de defesa, e houve uma discussão vaga em torno do que fazer quanto ao pagamento mais viável da dívida, apesar de que se rechaçou qualquer tipo de amortização ou cancelamento da dívida, propriamente falando.

Isso não mudará quase nada, porque a taxa de juros da dívida grega é bastante baixa, e os pagamentos anuais são extremadamente estendidos no tempo, assim há pouco o que fazer para aliviar o peso da dívida nesse sentido. Não devemos esquecer que o último acordo é só um acordo preliminar para o memorando que acompanhará o empréstimo de 86 bilhões, que evidentemente levará a um aumento da dívida.

Assim a cláusula vaga sobre uma futura reconsideração dos termos do pagamento da dívida é uma jogada essencialmente retórica que só habilita a Tsipras a dizer que reconheceram a necessidade de negociar com a questão da dívida. É pura retórica, palavras vazias.

Você pensa que é um erro do governo e da Esquerda não haver feito algo mais com a igreja ortodoxa, o exército, e o orçamento de defesa, e portanto dar argumentos para o outro lado?

Honestamente, esta não é a prioridade. A dívida grega se deve essencialmente à situação econômica mais ampla do país de crescimento insustentável impulsionado pelos empréstimos todos estes anos anteriores, e se deve ao fato de que o estado grego não estabeleceu imposto para os lucros ou para as classes médias e altas. Este é o coração do problema. Não o mito da igreja.

É difícil: por impostos à igreja não é algo que pode ser feito do dia para noite, porque os seus bens são extremadamente diversos. A maioria toma a forma de companhias, ou rendas que vêm da terra, ou do solo. Assim há um mito sobre isso, quando de fato se colocam impostos sobre este tipo de bens e riquezas, também se colocam impostos sobre a igreja.

Então não há alguma ideia de que o governo tenha medo do custo político, seja frente a ANEL, ou mais geralmente no país, de tomar uma linha dura com a igreja?

Olha, há muitas coisas que podemos criticar neste governo, mas honestamente tratar de transferir o peso da responsabilidade para ANEL é menos relevante.

Diria inclusive que as jogadas mais impactantes no campo da defesa ou da política exterior – por exemplo, continuar com o acordo militar com Israel, fazer treinamentos no mediterrâneo com os israelense – todas essas decisões foram feitas pelas pessoas de Syriza, como Dragasakis. Disse bastante o fato de que foi em representação do governo grego à recepção dada pela embaixada de Israel para celebrar os 25 anos da relação diplomática normal entre Grécia e Israel.

E o que acha sobre a forma que outras pessoas estão interpretando isso, que Tsipras reintroduziu a política nestas discussões técnicas, expôs o outro lado pelo que realmente é, agora na opinião publica Merkel e os outros são mostrados como os monstros que são, etc?

De maneira inadvertida, creio que é a situação atual. Um camarada me enviou uma mensagem dizendo que é verdade que o governo de Syriza conseguiu fazer que a EU seja muito mais odiada pelo povo grego que qualquer vitória a respeito que tenham podido ter Antarsya ou KKE em vinte anos de retórica anti-UE!

Falemos do que vem agora. Há uma votação sobre o novo pacote de austeridade esta semana, no qual você confia que a Plataforma de Esquerda votará contra, um Congresso de emergência do partido para tentar e juntar novamente a maioria de divisões e expulsões potenciais. O que segue então? Uma reconstrução da esquerda com elementos de Antarsya? É demasiado cedo para discutir tais perspectivas tão a futuro.

Mas as relações entre Antarsya e a Plataforma de Esquerda melhoraram?

Creio que o que foi importante é que a maior parte dos setores de Antarsya realmente lutaram com grande espírito a batalha do referendo, e em muitos lugares houve comitês locais que envolviam todas as forças do “Não”, o que significa essencialmente Syriza e referidos setores de Antarsya. Assim creio que há possibilidade políticas que devem ser exploradas.

De todas as formas, não sou tão otimista em relação a Antarsya porque creio que a cola que os mantém unidos é ainda ultra-esquerdista. Podemos vê-lo claramente em sua afirmação segundo a qual esta derrota claramente lhes dá razão, é o fracasso de todos os reformismos de esquerda. E o que necessitamos é um partido verdadeiramente revolucionário, e obviamente eles são a vanguarda que constitui o núcleo desse partido e que continuarão até o final. Assim penso que fará alguma recomposição, mas creio que será somente a uma escala limitada.

Há potencialmente alguma atividade de movimentos sociais hoje? Se falou de uma greve geral no setor público.

Este é o fator mais decisivo, todavia desconhecido. Qual é o contexto mais geral agora? Temos um novo memorando, e temos uma reconfiguração da maioria parlamentar que está por trás deste memorando. Será simbolicamente avalizado pelo voto que se aproxima, onde veremos que a maioria dos deputados de Syriza votarão juntos uma vez mais com os partidos pró-austeridade por um novo memorando, e uma vez mais temos uma brecha entre a representação política deste país e as pessoas. Assim esta contradição deve ser resolvida.

Claramente este terreno está aberto agora para os Nazis. Tentarão fazer o melhor uso disso. Votaram contra a proposta grega, e seguramente o farão contra o novo memorando, chamando de nova traição. A grande pergunta é qual será o nível de mobilização social contra o tsunami de medidas que cairão sobre os ombros da classe trabalhadora e, obviamente, a urgência absoluta de reconstituir uma esquerda anti-austeridade em luta. Esse é o desafio principal, por certo.

Sabemos que temos alguns elementos para reconstruir a esquerda, sabemos que temos uma grande responsabilidade nos ombros da esqueda de Syriza, no amplo sentido do termo. Em sentido mais restrito do termo, uma responsabilidade ainda maior tem a Plataforma de Esquerda, porque é a mais estruturada, coerente e politicamente lúcida de todo o espectro de forças. Assim essa será a prova dos meses seguintes.

Voltemos atrás e olhemos o processo completo, e a primeira entrevista que você deua ao Jacobin: primeiro, no que se refere à questão estratégica geral da Plataforma de Esquerda em relação ao governo e aos movimentos sociais simultaneamente. Qual é o seu balanço disso?

Primeiro comecemos com o contexto mais geral. O que disse na entrevista é só havia duas possibilidades para a situação grega, confrontação ou capitulação. Tivemos capitulação, mas também tivemos momentos confrontantes que foram muito pobremente dirigidos por parte do governo. Essa foi a prova real.

Obviamente a estratégia do “bom euro” e a “esquerda europeísta” colapsou, e muita gente sabe disso agora. O processo do referendo tornou isso claro e a prova foi até o limite. Foi uma lição dura, mas necessária.

A segunda hipótese que formulei foi que se requerem triunfos políticos, incluindo o nível eleitoral, para lançar novos ciclos de mobilização. Penso que isso também se comprovou em dois momentos cruciais.

A primeira foram as três semanas seguintes à eleição, quando o estado de ânimo das pessoas era muito combativo, de confronto, e os espíritos estavam em alta. Isso terminou com o acordo de 20 de fevereiro. Daí em diante, implicou uma recaída a um estado de passividade, ansiedade e incerteza sobre o que estava se passando. O segundo momento foi o referendo, evidentemente. Então vimos como a iniciativa política abre uma sequência de confronto, libera forças e atua como um catalizador para processos de radicalização em camadas mais amplas da sociedade. É uma lição que também aprendemos disso.

Sobre a relação dos movimentos sociais e a Plataforma de Esquerda. Bom, dada a pobreza do histórico do governo, o que podemos dizer é não houve iniciativas específicas que pudessem abrir espaços concretos para a mobilização popular. Essas medidas nunca se tomaram. Assim a hipótese, nesse nível ao menos, não foi comprovada. O que vem por diante é algo muito mais familiar, que é mobilizar-se contra as políticas de um governo pró-austeridade.

Syriza não implementou quase nada de seu programa eleitoral. O melhor que fizeram os ministros da Plataforma de Esquerda é bloquear um número de processos, particularmente a privatização do setor de energia que havia sido iniciada. Ganharam um pouco de tempo, mas isso é tudo. O que vemos claramente nesse período é o governo, a direção, se tornou completamente autônoma do partido. Esse processo já havia começado – falamos dele em nossa última conversa – mas agora alcançou outro nível.

Isso se acrescentou pelo fato de que todo o processo de negociação por si mesmo despertou passividade e ansiedade entre as pessoas e os setores mais combativos da sociedade, levando-os ao esgotamento. Antes do referendo, o estado de ânimo era claramente “podemos suportar este tipo de tortura, em algum ponto tem que terminar”.

Isso é algo que pessoalmente não esperei. Pensei que o ritmo seria mais acelerado. Não previ que este processo de ficar crescentemente preso neste estancamento absoluto duraria tanto tempo, limitando enormemente nossa própria iniciativa.

Este é um momento de auto-crítica inevitável, que recém começa. Claramente, a Plataforma de Esquerda podia ter feito mais nesse período apresentando propostas alternativas. O erro está claro porque o documento alternativo mesmo está aí, mas havia uma dúvida interna em torno do momento adequado para lançá-lo.

Fomos neutralizados e ultrapassados por uma sequência sem fim de negociações e de momentos dramáticos, e foi só quando era demasiado tarde, na reunião plenária do grupo parlamentar, que uma versão reduzida das propostas se fez finalmente pública e começou a circular. É claramente algo que devíamos ter feito antes.

E o que você diz dos ataques às declarações de Costas Lapavitsas sobre que Grécia não estava pronta para o Grexit, não havendo nesse caso outra opção? Um dos problemas com essa formulação é que, apesar de que é empiricamente verdade não havia preparações para o Grexit, é uma espécie de declaração que se autofortalece, porque a gente que quer o Grexit nunca estaria em posição de empreender as preparações.

Creio que a declaração de Costas foi mal interpretada. Primeiro de tudo, Costas é uma das 5 pessoas que assinou o documento proposto pela Plataforma de Esquerda que estabelece claramente que uma alternativa é possível, inclusive agora.

O que Costas quis enfatizar na declaração, a portas fechadas no grupo parlamentar é o seguinte: o Grexit necessita ser preparado praticamente e havia uma decisão política de não preparar nada e portanto cortar a possibilidade materialmente falando de alternativas no momento mais crítico.

Foi esse tipo de estratégia que sistematicamente impôs o governo. E penso que esta era a obsessão de Giannis Dragasakis – fez impossível que se fizessem movimentos rumo ao controle público dos bancos. É o homem de confiança atualmente para os banqueiros e os setores do grande capital na Grécia e se assegurou de que o núcleo do sistema permaneça sem mudanças desde que Syriza tomou o poder.

E você confirma que havia preparações iniciais para o Grexit em cima da mesa e que foram rechaçadas?

Muito vagamente. Em reuniões de gabinetes restritas, os assim chamados conselhos de governo, onde só os 10 ministros principais participam, Varoufakis mencionou a necessidade de considerar o Grexit como uma ação possível e se preparar para isso. Penso que havia algumas elaborações sobre moeda paralela, mas tudo permaneceu muito vago e pobremente preparado.

Agora, como disse antes, em sua entrevista à  New Statesment, Varoufakis apresenta uma narrativa segundo a qual preparava um plano alternativo durante o momento anterior ao referendo. Mas é também uma confissão do tarde que chegou.

Onde você diria agora – ademais o ritmo e a desmoralização – que falharam ou que compreenderam só incompletamente o começo deste processo e que agora entendem melhor?

Tenho rebobinado o filme em minha cabeça inumerável quantidade de vezes todos estes anos tratando de compreender os momentos de bifurcação. E, para mim, o momento decisivo de bifurcação para a situação grega foi o período imediatamente posterior ao aumento das mobilizações populares no final de 2011 e antes da sequência eleitoral de 2012.

Como seguramente você sabe, estive muito envolvido com Costas Lapavitsas e outros camaradas, incluindo, a direção da Plataforma de Esquerda nesse momento, em iniciativas para constituir um projeto anti-austeridade de toda a esquerda anti-europeísta.

A discussão estava bastante avançada, de fato, porque havia inclusive alguns documentos esboçados por Panagiotis Lafazanis, e depois corrigidos por outra gente que participava nessas discussões. A ideia era abrir um espaço de discussão comum e ações entre a Plataforma de Esquerda de Syriza, certos setores de Antarsya e algumas campanhas e movimentos sociais.

Esta iniciativa nunca foi atualizada porque foi categoricamente rechaçada, em sua etapa final, porque a direção do maior componente de Antarsya, NAR (Corrente de Nova Esquerda), que mostrou quão incapazes eram de entender a dinâmica da situação e a necessidade mudar de alguma maneira a configuração de forças e o modo de intervenção da esquerda.

Uma vez que esta possibilidade se encerrou, retrospectivamente, algumas seções da esquerda grega que estavam menos atadas a políticas de partido poderiam ter tomado um tipo de iniciativa ao estilo Podemos, ou talvez de maneira mais realista, um tipo de iniciativa ao estilo do CUP Catalão com setores talvez da esquerda ampla com um teor movimentista.

Porém, uma vez mais, não houve setores prontos para fazer isso. Todos estavam demasiado atados às limitações das estruturas existentes, e a única tentativa de redistribuir as cartas fracassou neste caso pelo peso do ultraesquerdismo tradicional.

Você quer agregar algo mais?

Sim, quero agregar uma reflexão mais geral sobre o sentido de estar justificado ou ser derrotado em uma luta política. Penso no que, para um marxista, necessariamente isso implica uma compreensão historicizada dos termos. Você pode dizer, por um lado, que o esteve dizendo está justificado porque se prova verdadeiro.

É a estratégia usual do “eu-te-disse”. Mas, se você é incapaz de dar um poder concreto a essa posição, politicamente você foi derrotado. Porque, se você está impotente e se prova incapaz de transformar sua posição em uma prática de massas, então obviamente politicamente você não está justificado. Isso é uma coisa.

O segundo é que nem todos foram derrotados nem tampou o foram na mesma medida. Quero ressaltar isso. Penso que era absolutamente crucial que a batalha interna em Syriza se desatasse.

Deixa-me ser claro a respeito. Qual era a outra opção? Tendo passado a prova desse período decisivo, tanto o KKE como Antarsya provaram, de muitas maneiras distintas evidentemente, quão irrelevantes são. Para nós, a única opção alternativa teria sido romper com a direção de Syriza mais cedo. De todas as formas, dada a dinâmica da situação depois da bifurcação crucial de 2011 e princípios de 2012, nós teríamos nos marginalizado imediatamente.

O único resultado concreto que posso ver seria que poderíamos agregar alguns grupos mais os dez ou doze que constituem Antarsya, e que Antarsya no lugar de ter 0,7% passaria a ter 1%. Isso significaria que Syriza teria sido entregue a Tsipras e a maioria, ou ao menos a essas forças fora da Plataforma de Esquerda.

Agora, na sociedade grega está claro que a única oposição visível a que o governo está fazendo pela esquerda é o KKE. Você não pode negr isso, mas são totalmente irrelevantes politicamente. Não falamos do papel do KKE durante o referendo, mas foi uma absoluta caricatura de sua própria irrelevância. Chamaram a impugnar o voto, pediram para que os eleitores usassem a cédula que eles mesmos haviam feito com um “duplo não” escrito nela (para a UE e para o governo). Estes papéis foram por certo invalidados, a operação inteira terminou sendo um fiasco. A direção do KKE não foi seguida nem sequer por seus próprios eleitores, quase 1% do total, talvez menos, usaram essas cédulas inválidas.

E, fora eles, está a Plataforma de Esquerda. O povo grego sabe, e a mídia repete constantemente, que para Tsipras, a principal pedra no sapato é Lafazanis e a Plataforma de Esquerda. Podemos agregar a Zoe Konstantopoulou. Penso que isso é o temos ganhado dessa situação. Temos uma base a partir da qual começar um novo ciclo, uma força que esteve na frente dessa batalha política e carrega essa experiência sem precedentes.

Todos entendem que se fracassamos, se não estamos à altura da situação, a esquerda se reduzirá a ruínas depois disso.

Desde esta perspectiva, que é a perspectiva da reconstrução da esquerda anticapitalista, sem pretender que somos a única força que cumprirá um papel importante, reconhecemos a magnitude dos desafios, o que põe uma responsabilidade muito grande sobre o que fazemos aqui e agora.

https://www.jacobinmag.com/2015/07/tsipras-varoufakis-kouvelakis-syriza-euro-debt/

Movimento - Crítica, teoria e ação

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Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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