Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Na sexta-feira 13 de fevereiro deste ano, se levou a cabo a reunião onde se assinou o Protocolo de unidade entre Tierra y Libertad (Frente Amplio) e o Movimiento por La Gran Transformación (Frente Patriótico). Trata-se de uma fato político importante, pois é a concretização de um longo processo que se iniciou contra o projeto Conga e se consolidou em múltiplos acontecimentos, onde nossas organizações atuaram em comum, como foi mais recentemente a luta contra a Lei Laboral Juvenil ou a resposta em rechaço ao diálogo enganoso do governo.

Frente Amplio é a única legenda eleitoral de esquerda e, desde esta nova posição, seguiremos trabalhando para tornar viável uma unidade mais ampla que comprometa em particular a DyD e o MAS.

Ficou muito claro, tanto no protocolo como nas múltiplas declarações públicas, que não aceitaremos aliança alguma com forças neoliberais como pretende CxC, que não negociaremos o programa, que manteremos uma política consequente de luta contra o governo traidor de Ollanta Humala e que seguiremos atuando juntos nas lutas do nosso povo.

No dia de hoje, no plenário nacional de FA se formará a Coordenação que assumirá a organização do Congresso Nacional Fundacional que se levará a cabo em meados de maio. Um dia antes teremos um Encontro Nacional e nos propomos colocar todas as nossas forças para isso. Em todo o país podemos e devemos impulsionar coordenações locais ou regionais, às quais devemos incorporar forças sociais e juvenis.

Um plano de campanha será posto em ação para promover atos com os pré-candidatos e ir preparando as melhores condições do Congresso Nacional. Mãos à obra.

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PROTOCOLO

Tierra y Libertad (Frente Amplio)

Movimiento por la Gran Transformación (Frente Patriótico)

Mediante o presente protocolo Tierra y Libertad (Frente Amplio) e o Movimiento Por la Gran Transformacion (Frente Patriótico) expressam sua concordancia em avançar em acordos programáticos, políticos e organizativos rumo a conformação de uma grande frente eleitoral aberta a outras organizações sociais e políticas com as quais haja coincidencias na necessidade de levantar uma só referencia política nas eleições gerais de 2016 que expresse a vontade de mudança do povo peruano.

O passo que damos se insere em uma visão mais estratégica para mudar o país e romper com o colonialismo e o neoliberalismo que nos condena a seguir sendo um país atrasado sem desenvolvimento industrial e sem democracia, onde impera a vontade dos poderes fáticos tanto económicos como midiáticos.

Ainda que tenhamos vindo de experiências e tradições distintas, temos encontrado ao longo dos últimos quatro anos aproximações importantes no terreno da luta social e política, começando pela luta contra o projeto CONGA em Cajamarca.

Nossa política para o governo coincide em que não existe nenhum grau de progressividade nele, que desde o principio se submeteu aos intereses das multinacionais e da CONFIEP, que tem desenvuelto uma política de entrega de nossos recursos e de criminalização do protesto social, que mostra um alto grau de continuismo não só económico mas também com o regime político e a corrupção que acompanha o modelo económico neoliberal.

Somos conscientes que a traição do presidente Ollanta Humala a seu compromisso de mudança com o povo que o elegeu deixou um espaço que debemos preencer buscando a confluencia de múltiplas expressões populares que põem de manifestó a vontade de luta pela mudança que segue presente em um amplo leque de forças que confrontam o modelo económico neoliberal e quem o sustenta.

Consideramos que esse espaço político em gestação, além de se nutrir de diversas experiências, pretende ser uma ferramenta política nova que não carrega culpas nem frustrações do pasado e que não se presta a alianças eleitorais com os defensores do modelo económico e da constituição fujimontesinista, nem com os que representam os interesses do grande capital transnacional e seus sócios locais.

Com tal fim anunciamos a formaçao de um Comitê de Enlace entre nossas organizações que culminará em um congreso de unidade, com um mesmo nome, uma mesma estrutura orgánica e uma direção compartilhada com base nos seguintes acordos programáticos:

Nova Constituição, que desenhe um novo estado, independente e soberano, democrático e plurinacional.

Reformas profundas nas instituições do Estado para fazer frente à corrupção e a insegurança com mecanismos de controle e participação cidadã.

Recuperação do patrimônio sobre nossos recursos energéticos e naturais, para lhe dar ao estado um papel ativo na economia nacional.

Modelo econômico alternativo ao neoliberalismo, que rompa com a matriz primário exportadora e nos permita alcançar o desenvolvimento industrial e a descentralização do país.

Garantias constitucionais e legais para a defesa do meio ambiente, a natureza, a ecología e a agua como meio de vida, promovendo o Ben Vivir, empoderando os povos indígenas com a aplicação da consulta prévia e aplicando políticas de mitigação e adaptação à mudança climática.

Plenos direitos sociais, emprego digno, saúde universal, revolução educacional, moradia social massiva.

Integração latino-americana como alavanca de unidade continental por nossa segunda independencia.

No terreno político nos comprometemos a desenvolver junto ao povo, uma luta permanente contra a traição e o continuismo do atual governo, assim como buscar níveis de articulação entre o movimiento social e suas organizações. Toda nossa solidariedade com as lutas de nosso povo.

Como regime orgânico, assumimos que construimos uma Frente entre organizações nacionais e com correntes internas, democrática e com um funcionamento por consensos.

Conformação de um comité de enlace até o congreso de unidade, o mesmo será um passo para novas confluencias.

Congresso de unidade aberto a novas confluencias ou incorporações, com direção compartilhada e à escala nacional.

Nome de comum acordo e registro eleitoral fica nas mãos de TyL

Política eleitoral baseada no programa e na proposta de unidade com eleições primárias abertas para a designação de candidatos.

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Lima, 14 de fevereiro de 2015.

Marco Arana Zegarra (TIERRA Y LIBERTAD-FRENTE AMPLIO)

Jorge Rimarachin Cabrera (MPGT-FRENTE PATRIÓTICO)

Pedro Francke (Tierra y Libertad- FRENTE AMPLIO)

Tito Prado (MPGT-FRENTE PATRIÓTICO)

Julio Blanco(MPGT-FRENTE PATRIÓTICO)

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho