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Em memória de Tato Pavlosky, escritor, dramaturgo e militante do PST argentino

Eduardo “Tato” Pavlosky faleceu no dia 6 deste mês de Outubro. Foi um grande ator e diretor de teatro argentino e psicanalista, criador do psicodrama.

Participou do PST quando este foi fundado em 1973, dirigiu o programa eleitoral do partido e foi  candidato a deputado. Sua obra teatral e autoral  mais importante é o “Señor Galindez” uma crítica brutal à tortura praticada durante a ditadura de Onganía. Em 1974, explodiram uma bomba no Teatro Payró onde ele representava essa obra. Pavlosky não se amedrontou e continuou fazendo teatro de denúncia até que foi perseguido pela triple A. PST e em particular os companheiros Orlando Martolini e Chueco Fernandez, militantes sob a clandestinidade, tiraram-no do país em 1978 quando a ditadura o perseguia. Se instalou em Madrid durante os anos obscuros até que voltou ao país. Alejandro Bodart, deputado do MST, lhe fez uma homenagem na Câmara da cidade de Buenos Aires pouco tempo antes do dramaturgo morrer.

Reproduzimos alguns fragmentos do livro “La ética del cuerpo” Conversaciones con Eduardo Pavlovsky de Jorge Dubatti.  “Los libros de Babilonia”.

Falando  em 1994, sobre Trotsky e PST da Argentina, Tato dizia nesse livro: “Mas sucede que em 1969 se inicia no país um movimiento de resistência social e política contra Onganía, especialmente impulsionado por operários e  estudantes, que de alguma ou outra maneira me empurra para certas definições ideológico-estéticas. Me atravessam o Cordobazo, Viborazo, a revolta de Paris, Plataforma, o Manifesto do Grupo Latino-americano de Psicodrama, minha candidatura a deputado pelo Partido Socialista de los Trabajadores (PST) em 1973, o que confere a meu teatro uma certa militância. Galíndez é o paradigma, a síntese dessa politização. Eu não pertencia ao partido comunista, que era o que impulsionava de algum modo o realismo socialista. Estava em um partido partido muito pequeno e trotskista. Trotsky foi um grande defensor da liberdade estética, tema que tratei no meu artigo “La muerte de Meyerhold”, publicado no Página 12. Meyerhold, que foi assassinado por Stálin, propugnava o anti-realismo socialista e, porque era classificado de trotskista, foi perseguido, encarcerado, teve que pedir perdão, uma coisa terrível… Trotsky não entendia a estética como uma expressão definível em termos estritamente políticos. Era um verdadeiro gênio nesse sentido, enquanto Stálin propiciava a linha dura na arte… Minha presença no PST era um tanto condicional. Nunca fui um filiado nem um militante demasiado devoto. Não tenho paciência para as reuniões políticas. Sou muito anárquico e isso me impede de enquadrar-me em um partido político de forma ortodoxa. […] Os intelectuais somos muito insaciáveis, sempre estamos em uma posição de apoio mas que não nos incomodem muito porque senão nos vamos… Houve sempre uma atitude de boa camaradagem e certo distanciamento. Os militantes do PST eram basicamente muito proletários, não só em seus trabalhos mas também em sua subjetividade. Às vezes, muito dogmáticos… Mas, por outro lado, eu era para eles uma pessoa que me comprometia, me jogava e acreditava plenamente nos valores de Trotsky. Quando em 1978, grupos para-policiais vieram me buscar, os militantes do PST me acompanharam muito, nunca me esquecerei disso”.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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