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Eleições na Catalunha 27-S: tambores de mudança

Por La Aurora 


As forças claramente independentistas ganharam as eleições catalãs. A mobilização popular pela soberania segue acumulando forças. Somadas às forças soberanistas e as que defendem o direito de decidir representam 3/5 do novo parlamento.

A participação foi a mais alta da história, 77,44%. “Juntos pelo Sim” (Junts pel Si) consegue 62 cadeiras (perde 9 se comparamos com os deputados que tinham CiU (50) e ERC (21). A CUP passa de 3 para 10.. Há um claro reforço da esquerda independentista. Essas duas candidaturas representam a maioria absoluta das cadeiras e 47,78% dos votos.

Ciudadanos, convertida na principal força unionista, se converte na segunda opção mais votada, com um notável avanço sobre as cidades e bairros de trabalhadores/as. O PP recebe um golpe perdendo 8 deputados. E o PSC de Iceta, defensor de um “federalismo” tão testemunhal na Catalunha como no resto da Espanha, alcança a terceira posição, apesar de perder pelo caminho 4 deputados.

A candidatura de confluência Catalunya que es pot (Podemos, ICV, EUiA, Equo) fica longe de suas expectativas com 11 deputados, 2 a menos do que tinha como ICV-EUiA. Unió Democràtica de Catalunya (UDC), antes parte de CiU apadrinhada pela presidente da Alemanha Angela Merkel, ficou sem representação parlamentar.

A mobilização pela independência e a soberania é, hoje, mais forte e são mais claros seus anseios de uma república catalã. A direita (CDC) mantém o domínio aos custos de uma diminuição de votos e deputados, com a entrada da esquerda soberanista.

A população mobilizada não cessa seu empenho depois de cinco anos. O resultado eleitoral reforça o desejo de liberdade.

Se abre um período convulsivo de maior polarização em seu encaixe, ou melhor, desencaixe entre Catalunha e o Reino da Espanha. A Catalunha que se expressou nas urnas não cabe na Espanha da Constituição de 1978.

A leitura de que ganhou o NÃO, ou que há um empate, é uma interpretação parcial e imobilista, alheia à realidade catalã que mostra a consciência e o movimento real e imenso, cidadão e popular.

O PP fracassa em seu esforço em liderar o NÃO e fica marcado ante as eleições de dezembro. É  Ciudadanos que se mostra como alternativa constitucionalista de uma Espanha unida e com a denúncia dos excessos de corrupção.

A desinflada de Catalunya Sí que es pot mostra, além das eleições de Andaluzia que Podemos sozinho não pode ser alternativa governamental estatal.

A candidatura tentou superar a dinâmica plebiscitária catalã/espanhola e centra-se no conteúdo social. Colheu um sonoro fracasso.

Os direitos sociais e os direitos nacionais são duas faces da mesma moeda, a ruptura com a monarquia e a abertura de um processo de processos constituintes.

O alerta há de permitir a correção desta orientação para situar-se na ala esquerda do movimento popular catalão.

La Aurora defende um apoio completo às decisões democráticas da cidadania do povo da Catalunha, em particular de sua ala esquerda para liderar o processo que avance até a República Catalã. Dessa forma, também a República Espanhola está mais próxima.

Para derrotar o governo do PP e frear a alternativa que se erige Ciudadanos é necessária uma aliança dos povos e das distintas esquerdas da Espanha com o movimento democrático soberanista catalão.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

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