Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

O regime está podre: por uma Assembleia Constituinte!

O PSOL é importantíssimo no “Fora Cunha”, sendo o partido que fez o pedido de informações à Suíça e o requerente do afastamento inadiável do político burguês que mais simboliza a podridão do próprio regime. É preciso seguir desenvolvendo essa luta e esse perfil. Chico Alencar tem sido um grande porta-voz desta linha.


Existe a possibilidade de que caia Cunha, um fundamentalista direitoso, entretanto, nada se resolverá apenas com sua queda. Nesse caso, quem assumirá será o 1o vice-presidente, Waldir Maranhão (PP-MA), um dos 32 deputados do PP investigados pela Lava Jato, assume interinamente o cargo, com a missão de convocar novas eleições no prazo de cinco sessões. Ele também responde a dois outros processos no Supremo Tribunal Federal, por lavagem de dinheiro ou ocultação de bens. Se caso venha a assumir demonstrará ainda mais a falência do regime frente ao movimento de massas.

Uma dupla crise que tem como pano de fundo as mobilizações de Junho de 2013

As denúncias de corrupção ocupam o centro do debate político nacional e envolve toda a casta política e as 5.000 famílias e corporações que governam o Brasil. Cunha está por um fio depois da publicação dos documentos que comprovam que as contas da família dele na Suíça cresceram com verba desviada de um contrato de 34,5 milhões de dólares da Petrobras em Benin, na África. A situação é tão escandalosa que perdeu apoio da própria direita – que o acompanha pelo impeachment a Dilma – através de líderes do PSDB e DEM, que assinaram uma nota pedindo o seu afastamento.

Se Cunha ainda se mantêm é porque existe essa crise dupla, da qual a outra cara é a gravíssima situação de fragilidade do governo.  A postura que Cunha venha a ter na apreciação do pedido de impeachment de Dilma é fundamental. O ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, se reuniu com Cunha na quarta-feira numa tentativa de reaproximação, segundo os jornais. Para salvar Dilma, Cunha poderia evitar qualquer decisão sobre os pedidos de impeachment e o governo interviria para que as investigações contra Cunha tomem rumos mais amenos. De qualquer maneira, entre Cunha e Dilma é difícil saber quem está pior na opinião pública.

A burguesia não sabe o que fazer. Um setor sustenta Cunha porque também quer resolver a crise com o impeachment de Dilma. Mas esta política da direita não é nenhuma solução para o povo. O PSOL e nossa corrente assim como estão pelo Fora Cunha, também estão contra este impeachment que busca tirar Dilma para ter com Temer um novo governo que não só continue o ajuste, mas aprofunde-o com medidas ainda mais duras das que já estão sendo tomadas.

Dilma e o governo do PT, que estão atolados na corrupção e enredados nas alianças com a burguesia, tentam formas de evitar o impeachment. Liberação milionária de verbas para emendas parlamentares, concessões de ministérios e cargos aos partidos de direita (o caso emblemático da entrega do Ministério da Saúde ao PMDB), arrocho sobre os salários e ajuste fiscal para restabelecer a confiança da burguesia e a propensão marginal ao investimento. Mesmo Lula tem dificuldades em se salvar, cada vez mais associado às empreiteiras e à negociata na Petrobrás.

Por uma saída popular e democrática

A retroalimentação entre a crise política e a crise econômica torna o cenário cada vez mais instável. Segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) 111 categorias fecharam acordo coletivo com redução salarial em 2015. A taxa de desemprego subiu no segundo trimestre deste ano e chegou a 8,3%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É maior taxa da série histórica, que teve inicio em 2012. Nas previsões da OIT, o desemprego de jovens no Brasil com idade entre 15 e 24 anos deve atingir 15,5% em 2015.

Por isso, a crise pela qual passa o Brasil exige respostas profundas, pois as raízes de sua causa são igualmente profundas. O regime político montado sobre o poder econômico dos bancos, das empreiteiras, do agronegócio e das castas políticas cada vez mais demonstra sua fratura.

Diante disso cada vez mais é necessária uma saída que passe por novas eleições gerais com regras democráticas com as quais o conjunto do povo possa decidir. Em nossa opinião, novas eleições livres e democráticas deveriam convocar uma Assembleia Constituinte soberana e exclusiva, isto é, onde os representantes eleitos estarão mandatados exclusivamente para exercer o poder soberano de definir politicamente as mudanças que o Estado necessita para que o povo controle a política e a economia.

Não é um caminho fácil. É uma alternativa a construir-se. O PSOL pode ter um papel fundamental para que ela seja possível junto com a mobilização popular como ocorreu em Junho de 2013.

As próximas eleições de 2016 podem ser também um passo importante nesta perspectiva. Como aconteceu na Espanha e pode acontecer em outros países da Europa, é possível que as eleições municipais provoquem as primeiras mudanças e novos governos que o PSOL terá de utilizar também como alavanca para criar um novo poder popular e colocá-lo a serviço de um novo poder constituinte que necessita o país.

Isso só poderá realizar-se construindo um terceiro campo, diferente da direita e do PT, apoiado na mobilização permanente do povo trabalhador e um patamar superior de organização dos movimentos sociais, juvenis, sindicais e populares, no qual o PSOL é parte fundamental.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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