Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

É hora de derrotar Pezão e inverter as prioridades na agenda do governo

Não é mais possível seguir aceitando o acúmulo de absurdos que se tornou o desgoverno do PMDB no Rio de Janeiro, com Pezão, Picciani, Cabral e os seus, promovendo um verdadeiro desmonte dos serviços públicos no estado. Como se não bastasse o sucateamento de longo prazo da saúde e das universidades estaduais, o fechamento de muitas dezenas de escolas, a militarização da vida apresentada como solução para a “segurança pública”, com todos os seus sangrentos resultados na vida das comunidades e dos servidores da área, agora, Pezão vai além e deixa os servidores estaduais e trabalhadores terceirizados sem receber os seus salários e eleva a precarização dos serviços públicos a um nível extremo, esvaziados de recursos, entregues ao abandono completo.

A “crise fiscal” do estado, utilizada como argumento pelo governo para justificar a situação atual, assim como a profunda dependência das contas públicas em relação ao negócio do petróleo e gás (abalado pelos desdobramentos da Operação Lava-Jato e pela queda internacional do preço do petróleo), não explicam a imoralidade das isenções de impostos, e benefícios diretos multimilionários fornecidos pelo governo de Pezão aos grandes capitalistas no estado, ao mesmo tempo em que o setor público agoniza. Light, Supervia (Odebrecht) e Ambev são algumas das grandes empresas agraciadas pela generosidade financeira da máfia que se estabeleceu firmemente no comando da política fluminense: no Executivo e no Legislativo, sem mencionar seus cúmplices diretos no Judiciário.

A agenda dos mega-eventos, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, não apenas unificou o consórcio político constituído pelo PMDB-RJ, governo federal, grandes empreiteiras e Organizações Globo no comando do governo estadual, impondo seus inconfessáveis interesses econômicos como “razão de estado”, como abriu amplas oportunidades de negócios escusos e ilegais para os caciques da legenda peemedebista local. As denúncias contra Cabral, Picciani e Pezão, por seu envolvimento direto nos esquemas de propinas e fornecimento irregular de serviços e insumos relacionados às obras realizadas no estado, bem como em relação aos vários “caixas-dois” de campanha eleitoral, demonstram bem o grau de intimidade indecente e criminosa estabelecida entre a política e o dinheiro no estado, que converteu, de modo explícito, a política do Rio de Janeiro – a exemplo do que ocorre a nível nacional – em um verdadeiro “balcão de negócios”.

Diante disso, a luta e a resistência popular vêm se fazendo ouvir em alto e bom som em um processo de mobilização crescente que remonta à heroica greve dos bombeiros de 2011. De lá para cá, a Primavera Carioca de Marcelo Freixo em 2012, as gigantescas manifestações de junho de 2013 (as maiores da história do país), as poderosas greves dos garis, dos rodoviários e dos trabalhadores da educação, a luta contra os gastos com a Copa do Mundo e contra o terrorismo policial nas favelas e periferias, vêm dando a tônica da resposta dos trabalhadores, da juventude e das maiorias populares no estado, frente a esse quadro de calamidade estabelecido. Agora, os servidores da educação estadual se lançam à linha de frente do combate contra o governo Pezão, em um contexto em que o conjunto do funcionalismo estadual aponta para a unificação das lutas e para uma greve geral.  A exemplo do que ocorreu em São Paulo e ocorre em Goiás, os estudantes secundaristas do estado do Rio desatam um processo de mobilização que se espalha por todas as regiões: do norte fluminense à região metropolitana. A unificação desses processos, que já aparece como incipiente, mas real, pode impor uma mudança de qualidade na correlação de forças da luta contra o governo Pezão. Nisso apostamos.

Nós do MES – Sindical e Popular (tendência interna do PSOL), de dentro das fileiras de luta dos trabalhadores e servidores públicos no estado, entendemos que é necessário e urgente inverter completamente a lógica das prioridades governamentais: ao invés da destinação de recursos públicos milionários para os grandes empresários, investimento maciço em educação, saúde, moradia e para a garantia dos direitos fundamentais do povo fluminense; ao invés de parcelamento dos salários dos servidores públicos e dos ataques aos seus direitos previdenciários, valorização do servidor, com planos de carreira adequados à dignidade da função pública; ao invés dos privilégios da cúpula dos três poderes, transparência, controle público e democracia popular; ao invés do terrorismo policial nas periferias e favelas, a constituição de um território de direitos nas comunidades populares. Isso tudo, no entanto, só pode se tornar possível a partir do fortalecimento da luta dos trabalhadores e da juventude, derrotando e escorraçando do poder o bando mafioso de Pezão, Cabral, Picciani e Cia. E conforme afirmou Luciana Genro (nossa principal porta-voz nacional): “é necessário organizar a indignação”. A essa tarefa de organização, mobilização e ofensiva das lutas nos lançamos.

Somos uma corrente do movimento sindical e popular, construímos o jornal LUTE e compomos à CSP-Conlutas. Temos presença nas lutas de diferentes setores e categorias de trabalhadores do Rio de Janeiro e em parte significativa do país. Como herdeiros e herdeiras do legado das Jornadas de Junho de 2013, acreditamos e colocamos toda nossa energia na mobilização combativa, classista e democrática do povo trabalhador, contra os grandes capitalistas, os governos ao seu serviço e às burocracias sindicais e do movimento popular, que trabalham para conter as lutas e impedir o desenvolvimento independente de uma alternativa de poder construída de baixo para cima, a partir dos interesses e necessidades da maioria de nosso povo. À essa tarefa estamos vinculados e à ela convocamos todos e todas as companheiras que acreditam em um futuro de Socialismo e Liberdade para nossa gente.

Viva a greve dos servidores da educação estadual!

Viva a mobilização estudantil da juventude secundarista!

Pela unidade das lutas e pela greve geral do serviço público estadual!

Fora Pezão!

 

Assinam:

Thaís Coutinho – Professora da Rede Estadual e Municipal do Rio, diretora do SEPE-RJ

Josemar Carvalho – Professor da Rede Estadual e 1º Suplente de Deputado Estadual do PSOL-RJ

Maycon Bezerra – Professor do Instituto Federal Fluminense e militante do Sinasefe

Bruno Moreira Pinto – Direção da Asinca

Janaina Bilate – Professora da Escola de Serviço Social da UNIRIO

Jefferson Almeida – Fio Cruz

Rafael Araujo – Professor do UNILASALLE/RJ e da Rede Estadual de Ensino (Niterói)

Bruno Menezes – Professor da Rede Municipal de Saquarema

Cristina Guimarães – Professora da Rede Estadual (São Gonçalo)

Fabiano Souza – Professor da Rede Estadual (Casimiro de Abreu)

Gustavo Silvino – Professor da Rede Estadual e membro do SEPE (Mangaratiba)

Fabricio Loreto – Professor da Rede Estadual e Municipal de Petrópolis

Junior Santos – Rede Estadual de Ensino (Zona Oeste)

Patrick Silva – Rede Estadual de Ensino (Zona Oeste)

Thunai Melo – Professor da Rede Estadual (São Gonçalo)

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

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