Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

É hora da unidade pra derrotar o ajuste fiscal de Dilma e Levy

Contribuição dos professores Rigler Aragão (UNIFESSPA), Janaína Bilate (UNIRIO), Bruno José Oliveira (UNIRIO), Annie Schmaltz Hsiou (USP), Marcela Rufato (UNIFAL), Maíra Mendes (UESC-BA),Linnesh Ramos (UEFS-BA), Gilberto Cunha Franca (UFSCAR),Vicente Ribeiro (UFFS), Frederico Henriques (UFRN),Diego Marques (UFBA).

O presente texto é uma contribuição de professoras e professores que participaram ativamente das greves que se desenvolveram em 2015 pelo Brasil. Tanto no setor das estaduais, como também na greve das federais, que se configurou como a mais longa da história do ANDES SN. Acreditamos no ANDES SN como sindicato combativo e construtor da unidade do sindicalismo brasileiro, seja, construindo a CSP-Conlutas, mas também o Fórum dos SPF. Para qual a direção vem dando prioridade e produzindo com isso, acertos nas greves e na luta contra os ataques a classe trabalhadora. Assim, apresentamos nossa contribuição na perspectiva de enriquecer o debate da conjuntura política.

Sem dúvida nenhuma, estamos passando por um momento histórico importante da luta de classe. A crise que se abriu com o estouro da bolha imobiliária nos EUA, e sua rápida contaminação dos mercados europeus colocou fim num período de hegemonização do pensamento neoliberal. Foi a partir desse momento que, se abriu um período de convulsões e revoluções democráticas pelo Mundo Árabe, retomando o protagonismo das massas nas ruas e praças. Uma crise econômica que gerou desestabilização política de governos autoritários, mas também de perfil democrático burguês.

Os efeitos dessa crise desenvolveram-se de forma desigual no tempo e no espaço. Assim, vimos seu desenvolvimento nos EUA, posteriormente na Europa e agora com mais força na China, e também na América Latina. Colocando em cheque o Neodesenvolvimentismo, sustentado por uma política de reprimarização da economia baseada na exportação de comodites, principalmente, para China. Por isso, percebemos só agora seus efeitos na América Latina, principalmente, no Brasil e sua imediata combinação com uma crise política. Isso também é observado em outros países como Bolívia, Venezuela e Equador símbolos da resistência do processo Bolivariano que agora se encontra estagnado e retrocedendo, como no caso da Venezuela.

Há um processo internacional de reorganização política seja de revezamento entre grupos de direita para manter o poder dentro do mesmo campo ou de extrema polarização entre o continuísmo e as alternativas que nascem no mundo contra os planos de austeridade que cada vez mais se aplica a todos os trabalhadores.
Isso vem deixando a política cada vez mais incerta, e como é nas crises que podem surgir às oportunidades.

Acreditamos no desenvolvimento das contradições, acompanhando as lutas que vão aparecendo no cenário e potencializando-as sem sectarismo. Fruto do acirramento da luta é o surgimento do SYRIZA na Grécia e do PODEMOS na Espanha. Duas alternativas nascida da contestação de medidas que intensificam a espoliação do povo. Apoiamos até onde foi progressivo o SYRIZA, na sua campanha combativa e com possibilidade de real de ser um polo de referencia internacional para esquerda, que avistava um modelo dinâmico de confluência de vários setores de luta. Mesmo com sua capitulação acreditamos que o povo grego deu um salto à esquerda, à radicalidade, e que por enquanto permanece esse acumulo mesmo depois da última eleição que reconduziu Tsipras.

Reconhecemos que, nem sempre esses processos são de avanços, mas também de estagnação e com possibilidades de saltos em determinados momentos. Mesmo assim, toda essa convulsão na Grécia, na Espanha e no Mundo Árabe inspirou uma juventude indignada por todo o mundo e Junho de 2013 no Brasil é parte deste processo. Portanto, é importante a continuidade da luta para que tais processos não refluam, mesmo que seus protagonistas iniciais capitulem. Exemplo disso, é a formação da Unidade Popular UP na Grécia, cumprindo um papel importante de manutenção de um polo de contestação à política do EUROGRUPO e de mobilização a partir das pautas que levaram o SYRIZA a ser uma alternativa de poder.

No Brasil os tempos encurtaram e a vida política acelerou novamente. Ninguém ousa dizer que a política não esteja eletrizante. Depois de Junho de 2013 o povo tomou gosto pela rua, isso sem dúvida é um avanço independente de suas motivações. O aprofundamento da crise econômica combinada com uma crise política deixa a conjuntura mais desafiadora para aqueles que buscam uma saída verdadeira para o povo.

Em 2015 foi o ano em que se iniciou a aplicação de um plano de austeridade no Brasil gerenciado pelo Governo Dilma. Neste ano vimos á publicação das MPs 664 e 665 atacando direitos previdenciários e trabalhistas, em seguida veio um ajuste fiscal draconiano que cortou quase 70 bilhões das áreas sociais e o aumento da taxa de juros, combinado com elevação da taxa de energia elétrica e combustível. Que fez disparar a inflação corroendo o salário dos trabalhadores, somando a isso, os projetos de leis mais reacionários dos últimos tempos como a redução da maioridade penal, minirreforma política e a terceirização.

A crise de representação do regime expressou-se na figura de Eduardo Cunha, com as denúncias de recebimento de propina da PETROBRAS, depositados em suas contas na Suíça. Somando-se a isso, o seu método autoritário que, lançou mão de todos os artifícios e manobrou o congresso para aprovar projetos de interesse da burguesia. Hoje, ele é o alvo de mobilizações que acorrem em todo país “FORA CUNHA”. Tendo o movimento feminista como protagonista dos atos que estão ocorrendo de norte a sul, reafirmando a força da luta e organização das mulheres no cenário político e o dever das organizações sindicais e políticas de potencializá-las.
Os estudantes de São Paulo estão dando um belo exemplo ao ocupar as escolas contra a Reorganização Escolar proposta pelo Governo Alckmin, adotando o mesmo método dos estudantes chilenos que ocuparam as escolas por educação pública e gratuita. Já foram 20 escolas ocupadas contra o projeto que levará ao fechamento de escolas e demissão de professores.

O funcionalismo federal foi um importante setor das mobilizações que ocorreram em 2015, fruto do avanço na sua organização com a retomada da unidade em torno do fórum dos SPF. Possibilitando a articulação entre as categorias em greves. Configurando-se como um setor com uma representatividade sindical progressista, visto que, várias categorias já se livraram das direções da CUT, CTB e demais burocracias sindicais pelegas. Temos também, alguns sindicatos ou federações nacionais que reivindicam a CONLUTAS, com destaque para ANDES, FENASPS e SINASEFE e a FASUBRA (desfiliada da CUT).

É natural que, no cenário político de disputa, muitos trabalhadores e movimentos populares sérios sejam deslocados para um dos polos, porque não conseguem enxergar uma alternativa viável em curto prazo, que possa expressar seu descontentamento. Por isso, estamos vendo setores populares sendo canalizados pelo sentimento de indignação com a corrupção e instabilidade econômica, expressos nos atos do dia 15/03 e do dia 16/08. Por outro lado há alguns setores combativos que vendo a polarização e avaliando um fortalecimento da direita clássica e de posições até fascistas, pensam está do lado do mal menor (PT/PMDB). Há ainda aqueles que não vendo nenhuma alternativa, se fecham em suas lutas sindicais numa conjuntura de lutas importantes, mas ainda fragmentadas, achando que estão respondendo o suficiente à falsa polarização apresentando alternativa a sua base, em todos os casos são ações que respondem ao imediatismo devido às pressões conjunturais.

Mas o atual cenário de crise econômica e política ainda irá se desenvolver ora em ritmo mais acelerado ora mais lento, e para isso temos a necessidade de pensar em construir uma alternativa política que não necessariamente responda ao imediatismo. Mas que poderá ser fruto de experiências concretas como a frente “povo sem medo” e outras experiências respeitando os tempos de cada um para manter a unidade.

Como alternativa a uma política imediatista, o terceiro campo é necessário. Um campo que componha os setores combativos presentes nas greves e nas ocupações e aproxime uma nova leva de lutadores, que surgem da luta concreta por direitos. Um campo que combine a luta sindical com a luta política, desmistificando-o como um campo apenas eleitoreiro. Pois, um campo combativo só poderá se desenvolver a partir da luta dos movimentos sociais e dos partidos de esquerda, combinando a ação direta das massas e a disputa eleitoral para o acumulo de força. Aproveitando toda experiência dos levantes e vitórias eleitorais da classe trabalhadora que, mudaram a política na América Latina e as novas experiências que surgem a cada dia.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin