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Demissões no ABC e ajuste fiscal: 2015 começou com amargas notícias para os trabalhadores e o povo brasileiro

O ano novo começou com cerca de 1100 demissões de metalúrgicos de São Bernardo do Campo, sendo mais de 800 na Volkswagen – unidade Anchieta e 244 na Mercedes. Os empresários romperam os últimos acordos com os trabalhadores que previam estabilidade no emprego. A resposta imediata foi a aprovação de greve por tempo indeterminado na Volks e paralisação de 24 horas, possíveis de ampliação, na fábrica da Mercedes. O ânimo de luta dos trabalhadores é a sinalização mais importante aos ajustes que já estão em curso nesse segundo mandato Dilma, reforçados no discurso de posse do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. No dia de hoje, cerca de 23 mil metalúrgicos cruzaram os braços no ABC.

Ainda nos últimos dias de 2014, Dilma apresentou mais um duro ataque aos direitos trabalhistas e previdenciários, com mudanças no seguro-desemprego, abono salarial, pensão por morte e seguro dos pescadores. As medidas que visam destinar R$ 18 bilhões ao superávit primário, que é destinado ao pagamento da dívida pública, agravam ainda mais a vida dos metalúrgicos demitidos.

O governo e o empresariado caminham lado a lado para que o custo da crise que vive o país seja pago com demissões, cortes de direitos, aumentos de impostos e tarifas públicas, como a gasolina e a energia elétrica. Existe ainda a ameaça de demissão para mais 1300 trabalhadores na Volks e outras centenas na Mercedes.

A responsabilidade pelo emprego dessas famílias também é do governo. De forma direta ou indireta, os governos petistas injetaram quase R$ 30 bilhões nas montadoras de veículos para ter como contrapartida a garantia de emprego. O governo Dilma concedeu, em quatro anos, R$ 6,5 bilhões às montadoras de automóveis com o IPI zero. Está na hora de o governo tomar medidas efetivas contra as demissões no ABC e em defesa do emprego. Em 2009, em meio a crise econômica mundial, quando ainda era deputada federal, apresentei projeto de lei que proibia as demissões sem justa causa.

Dirigentes e militantes do PSOL estão no ABC em apoio à luta dos trabalhadores e pela imediata reintegração dos demitidos. É fundamental a solidariedade às greves da Volks e da Mercedes. Este é apenas o primeiro round da luta contra o ajuste. O PSOL tem lado e está junto ao povo lutando para resistir e derrotar o plano de Dilma-Levy. Uma vitória no ABC pode se espalhar pelo Brasil como um exemplo em defesa dos direitos sociais e trabalhistas.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Solzinho