Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Convoque seu escracho contra os corruptos e moralistas! FORA CUNHA!

Pedro Serrano, Luciano Victorino e Sâmia Bomfim

A vida de Eduardo Cunha (PMDB) se tornou mais difícil desde a última sexta-feira, 27. Em São Paulo, o presidente da Câmara Federal foi escrachado por ativistas dos movimentos LGBT e feminista. Ao tentar falar no plenário da Assembleia Legislativa do estado, Cunha foi obrigado a ouvir verdades: ele é um machista, LGBTfóbico e, além de tudo, corrupto. Diante do escracho, o presidente da ALESP, Fernando Capez (PSDB), ordenou a expulsão dos manifestantes com base na violência da Polícia Militar. As cenas desta truculência tomaram os jornais do país e as redes sociais.

Nesta segunda-feira, 30, a história se repetiu. O Juntos!, ao lado de outros movimentos, escrachou novamente Eduardo Cunha, desta vez em Porto Alegre. Mais uma vez, o denunciamos como o reacionário que ele é. Erguemos cartazes e fizemos “beijaços”. Jogamos as verdades na cara deste conservador!

O fato é que o atual presidente da Câmara Federal mobiliza idéias e propostas reacionárias, moralistas e conservadoras, como forma de esconder sua própria “imoralidade” e seu envolvimento em escândalos de corrupção. Eduardo Cunha, que não admite um beijo entre dois homens ou duas mulheres, é o mesmo que está na lista da operação Lava Jato, talvez o maior escândalo de corrupção da história do Brasil! O mesmo Cunha, que propõe a criação do “dia do orgulho heterossexual” ou que declara que a discussão sobre a legalização do aborto “não passa nem sobre seu cadáver”, é o Cunha que, décadas atrás, ajudou a eleger Fernando Collor presidente, que envolveu-se em casos de corrupção quando esteve na presidência da TELERJ, e diversos outros episódios. Aparentemente, esta é a “moralidade” deste sujeito, um dos principais líderes da bancada fundamentalista e quadro do PMDB, um dos partidos mais fisiológicos e oportunistas.

Mas Eduardo Cunha brinca com o fogo. Desde junho de 2013, nossa luta feminista e LGBT, a luta por todos os direitos democráticos e contra toda forma de intolerância e opressão, apenas cresce. Somos uma geração que não admite que os opressores levantem o dedo para nós! E por isso rechaçamos de conjunto o sistema político que permite a existência de figuras como Eduardo Cunha no poder. É indignante o fato de um deputado como ele ser rechaçado pela população, mas bajulado pela ampla maioria dos políticos, seu iguais. Eduardo Cunha, hoje, é o inimigo número 1 das liberdades democráticas no Brasil! Ele é que é intolerante com a diversidade, com a população LGBT, com as mulheres, as negras e negros e todos os oprimidos. Escrachá-lo é justo e necessário!

Após São Paulo e Porto Alegre, nós, do Juntos! LGBT e Juntas!, deixamos um recado a todos os jovens do Brasil: convoque seu escracho contra os corruptos e moralistas! Por onde pisar Eduardo Cunha, vamos atrás dele para dizer as verdades e não nos calar! Vamos reproduzir este exemplo com todos os demais políticos reacionários, corruptos e inimigos do povo. Assim como aconteceu com Marco Feliciano em 2013. Não vamos nos calar! É com a nossa luta que podemos construir uma sociedade diferente. Fora, Cunha!

Pedro Serrano é do Grupo de Trabalho Nacional do Juntos e do Juntos LGBT; Luciano Victorino é do Juntos LGBT e coordenador do DCE UFRGS; Sâmia Bomfim é do Juntas .

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais – artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista – com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho