Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

Breve balanço do V Congresso Estadual do PSOL Bahia

O Congresso Estadual do PSOL na Bahia foi um Congresso marcado pela falta de debate político. O partido no estado vive a contradição de ser encarado por cada vez mais amplas parcelas como uma alternativa política e atuação combativa de seus parlamentares e, ao mesmo tempo, ter no estado grandes dificuldades de atuação unitária e sérios problemas de organização.

O Congresso iniciou com a saudação da filiação de figuras importantes da esquerda baiana, como Samuel Vida, advogado militante histórico do movimento negro e dos direitos humanos em Salvador, e Bernardete Santos, ialorixá de Ilhéus que foi torturada por policiais militares no assentamento onde mora. Também é importante ressaltar a presença no Congresso de Samara Diamond, militante transexual anunciada como pré-candidata a prefeitura de Alagoinhas, a primeira trans a concorrer a cargo de prefeitura no Brasil.

Realizado durante um feriado prolongado e nas dependências de um luxuoso hotel na Barra, em Salvador, o Congresso teve um enorme atraso da programação, de mais de 6 horas, o que comprometeu todo o debate dos grupos de discussão e das setoriais, esvaziando o debate de conjuntura. Também houve poucas resoluções aprovadas, somente das setoriais de mulheres e de negr@s.

O debate de conjuntura iniciou praticamente no período da noite, o que fez com que os poucos participantes dessa discussão pudessem dar força ao importante ato do Fora Cunha, que chegou a reunir cerca de mil pessoas. Ainda assim, a aguerrida militância do MES e do Juntos se dividiu entre o Congresso e o ato, participando ativamente da agitação feminista em defesa do corpo das mulheres, puxando palavras de ordem e levando cartazes para um público majoritariamente feminino e secundarista, como já havia ocorrido no Rio de Janeiro e São Paulo.

A atuação do MES se pautou todo o tempo para a importância de junho de 2013 como um marco político para o país, e das lições que ainda são necessárias de serem tiradas a partir daí, sendo que a ideia de radicalização da democracia é a mais urgente para o PSOL. Além de pautar na análise de conjuntura a necessidade de construção de um terceiro campo que se distancie da direita e do governismo, nossa atuação no Congresso se orientou para fortalecer um campo que pudesse fazer frente ao agrupamento que hoje atenta contra a democracia partidária – o Somos PSOL/Unidade Socialista – expresso sobretudo pelos casuísmos operados na Comissão Organizadora do Congresso Nacional do Partido, que cassou delegados da esquerda com critérios distintos do que aqueles tirados pela Unidade Socialista, promovendo uma distorção nas delegações em todo país. Só na Bahia, foram 50 delegados cassados pela Comissão Nacional, a ampla maioria do campo da esquerda.

Outro exemplo de ataque à democracia partidária foi a intervenção promovida pelo Diretório Nacional ao Setorial Nacional de Mulheres, que nos seus 10 anos de funcionamento se pautou pela autoorganização e confiança política levada a cabo pelo conjunto de todos os agrupamentos que constroem o PSOL. A intervenção do diretório foi um ataque às decisões tomadas pela quase totalidade das mulheres que constroem o setorial, o que foi amplamente rechaçado em todo o Brasil. Felizmente a as mulheres do PSOL Bahia que constroem o Setorial Nacional conseguiram aprovar uma resolução em defesa da autonomia das mulheres do partido, contando com a defesa de Samara Diamond e de Linnesh Ramos, do MES-Salvador, uma importante vitória.

Cabe ainda ressaltar que o protagonismo das mulheres do MES não só no debate do feminismo, mas nas mesas de conjuntura e na apresentação de teses, foi marcante: fomos a única força política que teve uma mulher representando a corrente nestas falas. Nossa bancada também foi muito altiva, de grande protagonismo juvenil e muito afiada na agitação de palavras de ordem.

Infelizmente a desorganização e falta de confiança política entre setores do partido levou a momentos de tensionamento que impediram um aprofundamento sobre as tarefas para o próximo período, desperdiçando a ocasião em que se reuniram 319 delegados de todo o estado, que poderiam voltar a seus municípios mais armados para enfrentar a conjuntura de ajuste. Por conta de uma divisão da esquerda, a Unidade Socialista conquistou a maior fração dos votos e elegeu a presidência do PSOL estadual.

No entanto conseguimos reunir todo o bloco de esquerda numa chapa para os delegados ao Congresso Nacional, conquistando 11 delegados pela diferença de um voto contra a Unidade Socialista.

De nossa parte o próximo período será de esforço para a unificação em torno de uma plataforma de lutas para o PSOL, de aprofundamento da democracia e intervenção na agitada conjuntura de lutas, da qual destacamos o esforço para derrubar Eduardo Cunha, principal símbolo do conservadorismo e da corrupção, que se mantém pelas mãos do petismo em seu cargo, mas que pode cair por meio da nossa mobilização – sobretudo das mulheres e da juventude.

Resultados votação de delegados nacionais:

Bloco de esquerda – 119 (11 delegados)
Unidade Socialista – 118 (10 delegados)
PSOL Necessário – 78 + 1 voto em separado (7 delegados)

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

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