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BALANÇO: Eleições para o Sindicato dos Bancários do DF

Nos dias 8, 9 e 10 de março aconteceu a eleição do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, que representa as(os) bancárias(os) de Bancos públicos e privados do DF e entorno.

Assim como a confederação nacional (Contraf/CUT), o sindicato de Brasília é dirigido (há 24 anos) pela Articulação, grupo sindical do núcleo duro do PT. Como sabemos, a CUT e seus sindicatos tem sido um braço do Governo Federal petista no movimento sindical, e na categoria bancária esse atrelamento se traduz em uma relação que blinda não apenas o Governo, mas também a direção principalmente dos Bancos públicos. O que quer dizer que o maior rechaço a essa direção também se dá nos Bancos públicos, onde se vive essa experiência.

Há alguns meses vínhamos nos dedicando a esse operativo, pois fizemos a avaliação que seria muito possível que a chapa de oposição ganhasse a eleição. Já havíamos participado  do processo em 2013, mas a diferença na conjuntura é grande: nesse momento existe um questionamento muito grande ao Governo Dilma, ao PT e a CUT, e também uma crise grande de representatividade. A atual direção do Sindicato está muito desgastada, não mobiliza a categoria para defender seus direitos, as condições de trabalho vêm piorando ano após ano através de pressão por metas, assédio moral e reestruturações que mexem com a vida de muitos. A chapa da situação tentou compensar todos os pontos desfavoráveis com a utilização da máquina do Sindicato e o controle da organização do processo eleitoral, ja que todos os membros da comissão eleitoral eram ligados a direção do Sindicato. A atuação para ficar com o número 2 e a utilização da palavra “renovação” no nome foram manobras utilizadas para tentar confundir a categoria.

Do ponto de vista da organização da chapa de oposição melhorou-se em relação à eleição de 2013. Cresceu no último período, principalmente pela participação ativa na greve com uma vanguarda que surgiu e estabeleceu relação nos piquetes. A chapa foi capaz de agregar diversos ativistas que se engajaram na campanha, “espalhando” as ideias para o conjunto dos colegas de agência, área meio e diretorias. A estética e comunicação foram novas, arejadas e dialogadas.

Não podemos deixar de lembrar da fundamental ajuda dos poucos Sindicatos combativos de bancários (MA, RN, Bauru, Santa Maria), parte ligados à Conlutas, e das oposições de alguns estados (SP, RS, PR), que ajudaram financeiramente e enviaram camaradas para a campanha e eleição. Nesse processo a militância do MES e do PSOL – que participou com todos seus setores – se fortaleceu, pois atuou coletivamente e entendeu a oportunidade que significou a possibilidade de resgatarmos para a esquerda, de forma ampla, o terceiro maior sindicato de bancários do país e segundo maior sindicato do DF. Com certeza a unificação do PSOL nessa batalha, cada um conforme suas possibilidades, foi uma vitória. Claro que tivemos nossas fraquezas organizativas e políticas, mas fizemos muito dentro dos recursos financeiros e humanos com os quais conseguimos contar.

No DF, onde a maior parte dos sindicalizados são de bancos públicos, a combinação dos fatores poderia levar a uma vitória nossa. E quase levou.

Conseguimos criar um certo movimento da categoria em torno de nossa campanha, que empalmou com o sentimento de mudança do conjunto dos colegas. Infelizmente, a descrença nas instituições e a frustração com a direção do sindicato também causou no último período um grande índice de desfiliação do sindicato. Se não fosse isso, a vitória seria de lavada.

De qualquer forma, o resultado fortaleceu a avaliação que vínhamos fazendo:
Chapa 1 – Muda Sindicato – oposição – 4385 votos (49,04%)
Chapa 2 – situação – 4556 votos (50,96%)

Esse foi o melhor resultado que a oposição já obteve em uma eleição. E apenas conseguimos isso por combinar a conjuntura com uma política correta, mesmo contra uma máquina tão poderosa quanto a CUT.

Foi uma imensa vitória política. A próxima gestão não terá facilidade de continuar omissa e fazer suas manobras, se a oposição atuar e organizar a categoria para a luta por seus direitos, a partir da vontade de mudança, muito será transformado.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Esta é uma edição especial de nossa Revista Movimento. Como forma de contribuir para os debates que ocorrerão na VI Conferência Nacional de nossa corrente, o Movimento Esquerda Socialista, este volume reúne dois números da revista (7 e 8). Dessa forma, pretendemos oferecer à militância e a nossos aliados e leitores documentos que constam do temário oficial do evento, bem como materiais que possam subsidiar as discussões que se realizarão. Na expectativa de uma VI Conferência de debates proveitosos para nossa corrente, desejamos a todas e todos uma boa leitura deste volume!

Abaporu