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Argentina: O voto à esquerda e a oportunidade perdida

Por: Sergio García – Direção Nacional do MST – Nueva Izquierda

Passaram as eleições e são várias as conclusões políticas a se tirar. Uma delas, e muito importante para nós, é em relação à esquerda, sobre o presente e o futuro que temos pela frente. As eleições de domingo confirmaram que, pela débâcle da centro-esquerda que voltou a retroceder passando para o quinto lugar, a única candidatura de esquerda que havia, a da Frente de Esquerda (FIT), ficou em quarto lugar com uma votação similar a das PASO; 3,1% em agosto e 3,2% em outubro. Pôde conquistar apenas 1 deputado nacional e nenhum deputado provincial nas províncias que elegeram esse cargo no domingo. .

Este fato coloca duas questões no momento. Por um lado, há uma base social de trabalhadores e da juventude que resistiu à pressão do voto útil e se manteve votando à esquerda e isso é positivo. Quando decidimos chamar o voto crítico na FIT, assim fizemos conscientes de ajudar no que pudéssemos nesta luta junto a esses eleitores de esquerda. Nesse sentido nos sentimos parte de que o voto à esquerda seguisse estando presente no domingo e não se diluísse. Ainda que manter esses votos é algo muito limitado, já que o objetivo era avançar e não se conseguiu isso, quando havia condições para fazê-lo.

Por essa razão, para nós uma conclusão muito importante é que a FIT não soube se enraizar para poder avançar e sair das eleições como alternativa para milhões. É evidente que há muito tempo se vem negando a todo tipo de propostas que fizemos para ampliar a unidade de esquerda; Por essa atitude sectária e por não querer buscar ser uma grande alternativa unitária e grande, tanto antes como depois das PASO, por volta de 97% da população não viu na FIT uma opção válida que disputasse com fora, e isso não se pode se explicar agora penas pela força do voto útil e o papel dos grandes meios de comunicação. Vale se perguntar o que foi feito a partir da própria FIT para melhor enfrentar as armas que o regime tem. E em nossa opinião não se fez o correto nem o necessário, daí que muitos outros possíveis eleitores de esquerda não se sentiram atraídos nem entusiasmados com a FIT, isso explica também que entre as PASO e as Gerais, a FIT permaneça estanque. Por sua autoproclamação e falta de política ampla, não apareceu como um polo frente à crise da FPV e aos descontentes com Scioli e com Aníbal Fernández; nem para atrair os mais de 300 mil votos das forças que não superamos as primárias, nem frente à crise da centro-esquerda e Stolbizer. Por uma política sectária não aproveitou nenhuma dessas possibilidades para crescer.

A FIT entre as PASO e as eleições gerais: nenhuma abertura e muita auto-proclamação

Com a FIT temos acordos programáticos e diferenças políticas em torno da questão sobre como conformar uma coalizão mais ampla de toda a esquerda política e social. E se bem este debate já vem de antes, agora o exemplo mais claro desta discrepância se deu no intervalo entre as PASO e as eleições gerais. Sendo a única força que superou as primárias, bem poderia ter nos convocado e ao resto das forças a ser parte da luta que viria, mais ainda quando nós e outras organizações publicamente convocamos a votar na VIT, em nosso caso inclusive nos reunimos com dirigentes da FIT para nos colocarmos a disposição de uma campanha comum e jamais tivemos uma resposta nem proposta de integração. Em lugar disso, a FIT fez exatamente o contrário, ignorou o resto das forças de esquerda.

Convencida de valer-se por si mesma e sem nenhum ânimo de disputar para ser uma verdadeira alternativa, se negou a fazer um chamado amplo, a convocar as direções políticas e toda a militância, a coordenar com aqueles que não fazemos parte da FIT uma campanha comum. Essa era sua responsabilidade e não a assumiu. E isso explica porque entre agosto e outubro praticamente não cresceu em votos quando bem poderia ter crescido muito sobre uma grande unidade posta em movimento. Por isso dizemos que valorizar que 3% vote à esquerda não é contraditório com este balanço, porque estávamos dispostos a muito mais a partir da esquerda, se houvesse uma política correta, ampla e ofensiva. A FIT não a teve e essa realidade não se pode esconder.

A esquerda, nosso projeto e o que vem

Em poucos dias terá um segundo turno e é uma primeira oportunidade para transmitir desde a esquerda uma mensagem comum; não apoiar nenhum dos dois candidatos, porque ambos representam projetos da velha política que são mais ajuste para o povo. Compreendemos e compartilhamos o repúdio a Macri que milhões de pessoas sentem. Mas muito similar seria um governo do também filho do menemismo Scioli. A esquerda debe ter uma posição independente de ambos os setores em confronto e preparar-se para enfrentar ao que ganhe na luta contra o ajuste.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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