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ARGENTINA: Luciana Echevarría do MST assume como deputada em Córdoba

Na quarta-feira, 21 de outubro, Luciana Echevarria assumiu a cadeira deixada pela legisladora falecida Marta Juárez. A intensa atividade da inflamada legisladora já contrasta com uma legislatura envolta em letargia e esvaziada de debate.

“Porque creio nos sonhos dos 30 000 mil desaparecidos. Porque creio numa sociedade socialista. Creio nas lutas dos trabalhadores, dos jovens, em defesa do meio ambiente. E em memória de Paola Acosta, na luta das mulheres. Sim, juro “

Estas foram as palavras pronunciadas por Luciana ao assumir. As felicitações e mostras de apoio não cessaram ao longo do dia. Referências de distintos processos de luta e listas opositoras à burocracia de vários sindicatos também fizeram chegar suas mostras de apoio. Na diplomação, Luciana também foi acompanhada por Esther Quispe, da Assembleia Malvinas Luta pela Vida que vem enfrentando a instalação da Monsanto.

A seguir, a entrevista que lhe fizemos.

MES – Os companheiros do Brasil recordam de você porque esteve em uma plenária que fizemos do Juntos em São Paulo duas semanas depois da revolta de junho. Diga-nos uma coisa. De lá até aqui o que aconteceu para que você seja agora deputada?

Luciana Echevarria – Eu também lembro muito bem daquele encontro porque foi uma experiência muito enriquecedora para mim. Nosso partido, o MST, assim como o JUNTOS e o MES, vem há anos construindo um novo projeto de esquerda, que se anima a trabalhar de forma ampla e unitária, não sectária nem dogmática. Isso nos tem permitido aparecer com força como um espaço com políticas claras, não só nos processos de luta dos trabalhadores e jovens, mas também frente a problemáticas como a ambiental e as de gênero. Assim foi que estivemos à frente da luta contra a Monsanto e contra a violência de gênero.

Também nestes anos junto a companheiras e companheiros de outras organizações participamos da Frente Cívica para enfrentar o bipartidarismo do PJ e da UCR. Ao se afastar desse duelo nos distanciamos para seguir enfrentando os partidos responsáveis por nossa província se encontrar na lamentável situação atual.

MES –  Conte-nos um pouco de sua vida, quem você é e quando começou a se envolver na política?

L.E. – Comecei a militar faz 15 anos, durante minha vida universitária. Desde esse momento me preocupava a defesa da educação pública e por isso me organizei em um agrupamento do qual participavam militantes do MST junto a estudantes independentes. Nesses anos, fui presidenta do Centro de Estudantes de Comunicação Social e conselheira estudantil em reiteradas oportunidades. Em 2001, participei ativamente do Argentinazo e a partir dessa experiência compreendi que a batalha era maior e integral, que não bastava a luta universitária, mas que fazia falta construir uma ferramenta política que lutasse por um modelo de país distinto e uma mudança de sistema.

Já faz 8 anos que comecei a trabalhar como professora secundária e fui eleita por meus colegas como delegada gremial, opositora à burocracia sindical que hoje conduz nosso grêmio.

MES – Sabemos que uma das lutas importantes em que você e o MST estiveram comprometidos é a questão da Monsanto. Conte um pouco mais.

L.E. – Quando surgiu a luta da Monsanto, nós já vínhamos mobilizados contra os empreendimentos megamineradores que dinamitam a cordilheira, contaminando os rios e foi no marco do aprofundamento do modelo agro-mineiro-exportador que a Monsanto tentou instalar nas Malvinas Argentinas.

Imediatamente começaram a organizar-se assembleias com os vizinhos nas quais o MST participava ativamente. Logo se seguiram numerosas mobilizações, acampamentos, processos judiciais…. Em todas as instâncias estivemos ombro a ombro com os ativistas locais e com referências importantes como Sofia Gatica (lutadora contrária aos agrotóxicos). Nestes três anos de luta conseguimos que a maioria da sociedade soubesse quem era a Monsanto e se manifestasse contra essa empresa por representar um modelo de enfermidade e contaminação. Por isso é que até o dia de hoje a Monsanto não pôde se instalar, o que é um grande triunfo de todos.

MES – Quais são seus principais projetos pelos quais vocês vai lutar?

L.E. – No primeiro dia de trabalho parlamentar apresentamos nosso primeiro projeto de lei: a eliminação de privilégios políticos. Estamos cansados de que aqueles que tomam decisões que afetam o conjunto da sociedade não vivam como o restante da sociedade. Por isso, propusemos que os funcionários públicos tenham obrigação de serem atendidos em hospitais públicos e de mandarem seus filhos para a escola pública; que seus salários sejam iguais ao de uma diretora de escola e que os legisladores só possam estar em seus cargos por dois mandatos consecutivos.
Por estes dias também apresentaremos um projeto para que se declare a emergência em violência de gênero, incluindo a construção de refúgios para as vítimas. No último tempo estão crescendo a quantidade de feminicídios e apesar das multitudinárias mobilizações por “Ni una menos”, o governo segue sem tomar medidas.

Também apresentaremos um projeto de revogação do código de faltas, que é uma norma que permite o abuso policial e a perseguição sistemática de nossos jovens, sobretudo dos setores mais pobres.
Mas estas são só algumas iniciativas… faz tempo que estamos trabalhando e há muito mais projetos que impulsionaremos.

MES –  Por último, como você se enxerga para essa tarefa.

L.E. – Como toda tarefa, é um aprendizado… mas estou muito contente com tudo o que estamos fazendo nestes primeiros dias e tenho a segurança que faremos o melhor, porque além de tudo não estou sozinha. Somos um espaço coletivo de trabalhadores, jovens e mulheres que participamos ativamente dos processos de luta mais importantes. Este mandato está a serviço dessas batalhas.

Vídeo de campanha de Luciana Echevarria

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

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