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Apresentação do Dossiê: Os EUA e seu retrocesso na hegemonia mundial

A partir da crise econômica de 2008 e da perda da hegemonia dos EUA, o tema do imperialismo ganhou uma atualidade redobrada e também abriu um importante debate e uma série de interrogantes. Alguns deles são: EUA definitivamente deixou de ser hegemônico? Se for assim há uma nova configuração da dominação mundial na qual a China pode suplantá-lo? Na nova fase da globalização é necessário reformular o significado do imperialismo e substití-lo por multipolaridade? Acabou-se a divisão entre norte e sul, entre centro periferia?

Nossa colaboração é sob “um olhar latino-americano”, pensando que é um tema chave para apontar a situação que vive nosso continente e nossa política. Não poderia ser de outra forma, já que militamos na América Latina – que talvez seja onde se tem maior tradição de luta antiimperialista -, e  que não se pode entender sem seus períodos marcados pelo avanço e retrocesso nestas lutas contra a penetração imeprialista americana. Agora tomam uma nova atualidade pelas mudanças que vêm ocorrendo. Os EUA sofreram golpes importantes nas últimas duas décadas e agora parece que quer retomar o que foi perdido.

Com efeito, desde o final da década de 1990 e início do século XXI, grandes mobilizações revolucionárias derrubam governos neoliberais eleitos no Equador, Argentina e na Bolívia. Na Venezuela se derrotou, pela primeira vez na história do continente, um golpe dirigido pelo imperialismo. A partir de então, houve uma perda de sua influência na América do Sul (caiu a ALCA), e surgiram Venezuela, Bolívia e Equador como governos independentes do imperialismo. O Brasil passou a ocupar (em parte) o espaço cedido pelo retrocesso americano funcionando como uma espécie de subimperialismo.

Agora esta situação está mudando: há um distanciamento ou, em certa medida, entraram em crise os processos antiimperialistas bolivarianos, especialmente na Venezuela,; a crise econômica entrou com força e o Brasil (um dos países mais fortes, no qual a crise econômica  se soma à crise terminal do PT e seu modelo econômico) que se debilitou como potência emergente e subimperialista. Isto ocorre no momento em que há uma luta generalizada no continente. As Jornadas de Junho no Brasil, a retomada da luta estudantil e operária no Chile e a enorme resistência à entrega das minas peruanas ao imperialismo em Conga e que agora se estende ao sul de Arequipa, as greves gerais na Argentina e as mobilizações contra o massacre de Ayotzinapa no México, entre outras.

Nesse contexto, temos elementos importantes que indicam que os EUA tentam “voltar” ao seu pátio traseiro (voltar entre aspas, porque mesmo que esteja fragilizado, nunca saiu) dos quais o fato mais simbólico é, sem dúvida, o novo acordo com Cuba. Isto ocorre quando o neoimperialismo chinês fez investimentos importantíssimos em grande parte de nossos países como assinalou Maycon Bexerra em seu artigo sobre a China e a América Latina. As perguntas que seguem colocadas (vinculadas aos primeiros interrogantes sobre a hegemonia ianque) são: Abre-se um novo ciclo na América Latina no qual existirá uma nova ofensiva imperialista? Poderá avançar ou se chocará com as mobilizações que ocorrem? Daí a importância de analisar da melhor forma possível a situação dos EUA, sua situação interna, suas guerras desde que passou a ser o xerife mundial após a Segunda Guerra.

Nada melhor que começar por sua primeira grande derrota militar que este ano completa 40 anos: Vietnã. Foi um episódio chave e deixou uma marca que o xerife mundial não pôde apagar.

Leia a segunda parte: Vietnã heroico: Há 40 anos, infligiam a primeira grande derrota ao gendarme mundial

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A edição n.6 da Revista Movimento celebra o centenário da Revolução de Outubro com artigo de Kevin Murphy sobre as origens do stalinismo. Luciana Genro discute a continuidade da Operação Lava Jato. Alvaro Bianchi introduz a nossos leitores conceitos de Antonio Gramsci. A revista também apresenta tradução de palestra de Angela Davis. Na seção internacional, publicamos artigo de Perry Anderson sobre a resiliência do centro neoliberal europeu. Edgardo Lander trata da situação venezuelana, Pedro Fuentes e Charles Rosa abordam a questão catalã. Um instigante artigo de Maycon Bezerra sobre Florestan Fernandes, a tese do MES para o Congresso do PSOL e nossa plataforma sindical completam a edição.

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