Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

A Plataforma de Esquerda do Syriza realiza um ato histórico: o MES dá todo apoio à sua política

Em pleno verão europeu (e grego), a Plataforma de Esquerda do Syriza lotou um estádio de basquete para dar uma mensagem ao governo e a todo o país da necessidade de empreender um caminho alternativo ao memorandum.

No ato foram lidas e muito aplaudidas as saudações internacionais de Tariq Ali, Samir Amin, deputados do Die Link (partido de esquerda alemão), sindicalistas dos EUA, de Marea Socialista da Venezuela e a nossa, assinada por Thiago Aguiar, membro do DE de São Paulo e Pedro Fuentes da Secretaria de Relações Internacionais do PSOL.

Stathis Kouvelakis, um dos principais animadores da Plataforma de Esquerda, que desde que se iniciaram as negociações (com a troika), escreveu inúmeras notas (transcritas em nossa página do MES, esquerdasocialista.com.br), respondeu à nossa nota dizendo-nos: “muito, muito obrigado por esta preciosa mensagem que não é formal, mas uma profunda convergência sobre as perspectivas e tarefas que temos pela frente”.

Para o MES – e acreditamos que para todos os dirigentes e militantes do PSOL, pois desde o primeiro momento demos nosso apoio a Syriza – a importância deste ato é transcendente.

Pela primeira vez, aparece frente à vanguarda e os explorados gregos uma ampla e reconhecida corrente do Syriza que contava com quatro ministros e uma importante fração do Comitê Central do partido (cerca de 40%) fazendo publicamente, de forma decidida e clara, uma proposta alternativa à política de colonialismo financeiro do imperilaismo alemão e seus sócios, que foi imposta e aceita pelo governo Tsipras.

O discurso de Lafazanis tem uma enorme importância para toda a esquerda mundial que debate o processo grego, ainda com mais intensidade após os novos problemas surgidos na Grécia após a assinatura do último memorandum. O MES acredita que a linha expressa neste discurso de Lafazanis, em nome da Plataforma de Esquerda, é o caminho que devemos apoiar.

Lafazanis não deixa dúvida sobre a relação entre o partido, o programa e as instituições governamentais. “Na Esquerda, os ministérios e os postos parlamentares não são um fim em si mesmo. São os meios para servir aos princípios, aos valores e às políticas progressistas, como cada um de nós os entende e os avalia, da maneira mais consciente e objetiva”.

A Plataforma de Esquerda também sustenta uma política de exigências e posições claras frente ao governo de Tsipras. “Minamos o governo nós que indicamos ao partido e ao governo um caminho que não negue nossos compromissos programáticos, ou todos aqueles que abrem facilmente a porta que conduz à mutação do partido em favor da austeridade”? foi a pergunta formulada por Lafazanis em seu discurso.

E o mais importante é que formula um programa alternativo, que foi chamado de plano B, e que a Plataforma de Esquerda apresentou com absoluta clareza.

“o pré-requisito é a ruptura, desde a perspectiva de um programa de transição progressiva, com o estado de subordinação nacional, com o neoliberalismo e os grandes interesses econômicos nacionais”. Lafazanis formula cinco pontos deste programa de transição que não é nossa intenção repetir neste texto. Apenas queremos assinalar que ele próprio não significa somente uma ruptura com o euro para acabar com a subordinação à banca alemã. O programa começa com a nacionalização/socialização do sistema financeiro, a nacionalização dos setores estratégicos da economia, a necessidade de uma importante redistribuição da riqueza às expensas destes que tem lucros enormes, grande propriedade, grandes benefícios e muito dinheiro ilegal. Todos estes tem seu dinheiro em paraísos fiscais ou em bancos estrangeiros, ou saíram do país sem serem cobrados”.

O MES apresentou ao partido e a seus militantes um documento escrito poucas horas depois de ser assinado o memorandum. Ao nosso entender a posição pública assumida pela Plataforma de Esquerda demonstra uma coincidência nas principais questões táticas e políticas para este período.

  • Por um lado, que o processo grego dentro do Syriza segue em aberto e há uma disputa que não está resolvida. Muito dependerá da atitude que o governo de Tsipras tome frente à mesma. Parece que sua atitude foi a de chamar um congresso extraordinário. Muito possivelmente esse congresso terminará definindo o destino final de Syriza;
  • É um erro sectário (no qual caiu uma parte da esquerda) igualar o governo à social-democracia europeia, dizendo que já é um governo social-liberal. A social-democracia, como o PT de Lula, tem laços orgânicos com o grande capital financeiro. Tsipras fez, como consequência de sua política, uma capitulação ao grande capital, mas isso não significa que devamos fechar a caracterização. Por agora, as tarefas são de exigência e não um chamado a derrubar o governo. O que está posto, como muito bem coloca Lafazanis, é um período para ganhar as massas para um programa alternativo e só é possível, fazendo ao mesmo tempo exigências ao governo que sejam compreensíveis para o povo e aos trabalhadores;
  • Ou seja, a tarefa é explicar pacientemente (como dizia Lenin em abril de 1917) que a saída é um plano alternativo, já que inevitavelmente a realidade vai colocar esta questão com muita força e por isso é preciso acompanhar o processo da esquerda;
  • Que, como faz corretamente a tendência de esquerda, temos que indicar como inimigo principal do povo grego à troika e sua política (nunca perder isso de vista);
  • Que o que temos que apostar é que a Plataforma de Esquerda possa ser capaz de construir por dentro do Syriza, em conjunto com outras forças sociais e políticas, um pólo de massas.
  • Também pensamos que o processo que se abriu desde o começo das negociações dentro do Syriza, desmente os setores de ultra, auto-proclamatórios de seus partidos, que utilizam a capitulação de Tsipras para propagar em todo lado que isto demonstra que os projetos de partidos amplos como o Syriza fracassaram. Ao contrário do que eles pensam, é a hora de seguir afirmando que a única forma de construir alternativas reais frente ao capitalismo nesta fase e período é construir partidos amplos com os quais se pode chegar às grandes massas e estabelecer uma disputa com a burguesia. A Plataforma de Esquerda e a possibilidade de construir um novo pólo anticapitalista não existiria se não fosse a existência de Syriza.

Lafazanis disse em seu discurso que “a luta continúa”. Pensamos o mesmo: se perdeu uma batalha, mas não a guerra e é a hora de reorganizar o exército ao redor da política e do programa da Plataforma de Esquerda. O papel dos antiimperialistas e anticapitalistas é cercá-los de toda solidariedade e apoiá-los. Esta é a tarefa que estamos desde já empenhados.

Pedro Fuentes: membro do Secretariado do MES e Secretário de Relações Internacionais do PSOL.

Thiago Aguiar: Membro da Coordenação do MES e dirigente do JUNTOS!

Discurso completo de Panagiotis Lafazanis: http://esquerdasocialista.com.br/discurso-de-lafazanis-durante-o-evento-organizado-pela-plataforma-de-esquerda-tendencia-do-syriza/

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