Movimento Esquerda Socialista (MES/PSOL) MES MES: Movimento Esquerda Socialista

A luta do 8 de Março e a perspectiva de um feminismo para todas

Por Fabiana Lontra*

Quando as feministas socialistas – Clara Zetkin e Alexandra Kollontai, por exemplo – pautaram a criação de um dia específico para a luta das mulheres, no começo do século passado, talvez não imaginassem que ele vigoraria até hoje. Não marchamos no 8 de Março apenas em honra a essas valorosas mulheres que abriram caminhos para nós, mas infelizmente porque ainda sofremos muito com o patriarcado, em diferentes esferas. Por isso esse dia de luta existe há mais de 100 anos: não para reforçar estereótipos de feminilidade com chocolates e flores, como a grande mídia insiste, mas para termos o momento mais único de protagonismo de lutas e pautas.

Avançamos. Hoje o feminismo é uma realidade, um espaço de militância consagrado. Quando imaginávamos ouvir um discurso feminista na cerimônia do Oscar, por exemplo? Ou ver a notícia que 60% das mulheres brasileiras se consideram feministas?[1] Isso mostra que somos visíveis, que incomodamos, que agora, mais do que nunca, somos levadas a sério.

Mas isso só não nos satisfaz. Avançamos a ponto de derrubar campanhas publicitárias machistas, ter o direito de mostrar as tetas marchando às milhares pelo Brasil, mas não avançamos a ponto de salvar nossas vidas. Ainda morremos todos os dias, vítimas de abortos clandestinos e homens agressores. Morremos um pouquinho por dentro a cada notícia vista ou lida de estupro, de feminicídio. O discurso do Oscar não chega até essas mulheres protagonistas das tristes notícias, não chega na rua deserta à noite que somos obrigadas a atravessar sozinhas. É preciso muito mais que um discurso para avançar mais. É preciso militar e sair às ruas juntas, não só no 8 de Março, mas sempre.

Em 2015 sairemos às ruas de novo. Sairemos para passar por cima do cadáver de Eduardo Cunha e exigir aborto legal e seguro para todas, sairemos para dizer ao Bolsonaro que ninguém merecer ser estuprada. Sairemos para reafirmar que não nos calaremos nunca. Que chegou a hora dos machistas se calarem. O rumo da história mudou, e agora caminha para o empoderamento das mulheres, por isso, não podemos vacilar: podemos avançar e obter mais vitórias, sem medo de ir às ruas e marchar lado a lado, com todas as mulheres, por todas as mulheres. Venceremos!

[1] http://www.sul21.com.br/jornal/mais-de-60-das-mulheres-brasileiras-se-dizem-feministas/

*Fabiana Lontra é militante da Juntas! RS e Coordenadora de Mulheres do DCE UFRGS gestão Podemos!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho