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A batalha política do 1° de maio – O Paraná no centro da conjuntura

A CUT com Lula, Aécio no ato da Força e Luciana Genro junto aos trabalhadores e à juventude do Paraná

Por: Israel Dutra, da Direção Nacional do PSOL,

De Curitiba  

As manifestações do dia internacional dos trabalhadores, em todo o país, revelam as tendências política em curso. Os principais sintomas da política nacional estiveram presentes no debate político do feriado que marca o dia de todos trabalhadores. Por um lado, as duas alas majoritárias da burocracia sindical disputavam o eixo da política- no caso da CUT com Lula e da Força com Aécio e Cunha; por outro, um exemplo importante que segue levantando sua bandeira, o primeiro de Maio e a força dos professores do Paraná.

Estive com Luciana Genro e uma delegação nacional de dirigentes do PSOL como Babá, Bernardo Pilloto e outros companheiros acompanhando a manifestação em Curitiba.

 Atos da CUT e da Força: esvaziados por baixo, subordinados por cima

 As duas principais centrais sindicais do país mediram forças, como tradicionalmente fazem, em atos na capital paulista.

O ato da Força, na Praça Campo de Bagatele, foi movido por shows de cantores populares como Bruno & Marrone,  Paula Fernandes, Zezé di Camargo & Luciano, e por sorteio de dezenas de automóveis. Buscando capitalizar o descontentamento com o governo, Paulinho se cercou de setores oposicionistas, sem perder vínculos com o governo: o Minsitro do trabalho, Manoel Dias foi um dos convidados de honra. Aécio Neves e Eduardo Cunha foram os principais oradores, bradando contra Dilma. Aécio discursou contra a corrupção e Paulinho agitou o “Fora Dilma” sem falar uma palavra acerca do PL4330. Um dos pontos interessantes foi a falta de bancadas de sindicatos tradicionais da Força. Apesar da multidão presentes por conta dos shows, algo comum no tipo de ato-show da Força, se notou a falta de importantes bases sindicais da Força Sindical.

O ato da CUT com Lula foi marcado por um público menor do que os atos que essa central organizava nos últimos anos e pela presença de Lula como sua grande estrela. Lula apelou para a retórica contra a FS e agitou sua fórmula híbrida de “contra terceirização sem limite”. Dilma foi poupada das críticas dos sindicalistas da CUT.  O ato concluiu-se com show de artistas mais identificados com setores governistas, com o PT e com o PCdoB.  No site da CUT, na sua linha oficial, no discurso de Lula, uma ausência categórica: nenhuma crítica às MPs que retiram direito, nenhuma crítica ao plano de ajuste de Dilma e Levy.

O governo optou por manter-se na defensiva. Dilma decidiu não aparecer na TV para evitar expor o desgaste já registrado no dia 8/03, quando foi alvo de protestos durante seu pronunciamento.

Dilma e o PT também ingressam numa semana decisiva para impor sua agenda. Precisam aprovar, na forma de Lei, as Medidas Provisórias 664 e 665, que retiram direitos trabalhistas e previdenciários. A Força e o patronato querem acelerar o trâmite no Senado do PL das terceirizações, 4330, onde a pressão se intensificará.

Os dois atos expuseram a continuidade da luta feroz entre o governo e oposição de direita, contudo, não oferecem uma alternativa coerente para os trabalhadores que estão em luta e não aceitam perder direitos.

 O Paraná mostrou um caminho diferente

 O Primeiro de Maio em Curitiba teve um caráter oposto. Foi uma demonstração de força por parte dos trabalhadores que estão em luta, marcando um caminho para a vanguarda do país. Com mais de 5 mil pessoas marchando até a frente do Palácio Iguaçu, sede do governo do estado, o ato marcou a conjuntura por vários aspectos.

Primeiro porque foi um ato com participação de milhares, destoando dos festejos despolitizados e dos atos que a esquerda social organizou no país, por fora das grandes centrais, que reuniram poucas centenas de ativistas no melhor dos casos.

Segundo, porque marcou a situação nacional, onde a repressão ordenada por Beto Richa no dia 29 de abril comoveu o país, apesar do boicote de parte da mídia. O Paraná foi o principal assunto das redes sociais, nas escolas de norte a sul, em meio a uma semana onde várias greves ocorrem simultâneas no setor da educação.

Terceiro, porque foi um ato político, de caráter combativo. Num cenário onde não teve nenhum ato de envergadura nacional, a caminhada que chegou a frente da sede do governo, sem shows ou apelos midiáticos mostrou um método para lutar e conquistar. E foi um ato político porque seus principais oradores expressaram posições políticas, com destaque para Luciana Genro, Babá, Zé Maria(PSTU),  entre lideranças nacionais da oposição de esquerda ao governo.

Quarto pelo apelo que a sociedade teve ao ato. O Paraná todo repudiou a ação de Richa e seu secretário de segurança, Franceschini. Tivemos atos espontâneos no dia 30 em cidades médias e na capital que reuniram milhares de pessoas indignadas, em solidariedade aos professores e a consigna de Fora Beto Richa, o Hitler do Paraná.

 A mobilização do dia 15 de abril foi uma resposta contundente à ofensiva que o patronato e a direita vem fazendo para aprovar as terceirizações. Foi uma primeira sinalização da classe nas ruas depois dos atos de março.

As greves de professores e funcionários se realizam em vários estados, com diferentes níveis de adesão. Pará, Santa Catarina, Pernambuco, São Paulo estão em greve por salários e melhores condições de trabalho.

O fato do governo do Paraná expor o “modo tucano” de atuar com os professores, tratando a luta dos professores como questão de polícia também deixa numa defensiva o PSDB como partido. Isso é uma antecipação do que pode passar em vários estados governados por setores da oposição de direita. E deixa Aécio sem discurso perante amplos setores que estão indignados com Dilma e querem localizar-se num campo alternativo.

A repressão gerou uma ampla solidariedade por todos os lados. Os policiais que não quiseram atuar contra os professores foram saudados como heróis. Por todo Brasil, professores de ensino fundamental, básico, técnico, superior, de diferentes modalidades se identificaram imediatamente.

Na final do campeonato paranaense de futebol, as duas torcidas rivais se unificaram no coro de “Fora Beto Richa”. Sintoma da indignação massiva.

 Lutas existem. Qual o papel que deve jogar a esquerda?

 A esquerda social e política deve cumprir um papel ativo na conjuntura. Não podemos nos resignar a comentaristas da realidade. Não podemos atuar com sectarismo em pautas tão importantes como a luta contra a terceirização.

Além das lutas de professores já citadas, setores do movimento operário também se movimentam contra o ajuste e o desemprego. A Mercedes acaba de conquistar uma vitória contra as demissões. Foram duas greves só nesse semestre, na planta do ABC. A VW e a GM também obtiveram conquistas nas greves contra os planos de demissões.

As direções do movimento sindical também são envolvidas nessas contradições. Como a CUT explica sua timidez quanto às MPs ao mesmo passo que coloca centro na luta contra o PL4330? Vários sindicatos filiados à Força Sindical desobedecem orientação de sua direção como o caso de metalúrgicos no Paraná, Santo André e Mauá e vários diretores de base do sindicato de Osasco que vem participando de atos contra o PL  da terceirização.

O congresso da Fasubra, no começo de Maio, deve referendar uma maioria de delegados identificados com a oposição de esquerda. Na base do movimento estudantil, a esquerda está vencendo importantes eleições de DCE como na USP, na PUC-RS e agora na UFMG. A chapa de oposição no sindicato dos metalúrgicos de BH e região tem despontado com chances reais, caso não haja fraudes na votação que ocorre nos dias 05, 06 e 07 de maio.

Ou seja, a situação exige uma postura ativa para disputar os rumos do descontentamento social e da iniciativa de classe. O papel cumprido pela esquerda nos atos do dia 15 de Abril foi uma pequena amostragem do potencial de lutas. A paralisação do transporte em Porto Alegre garantida por organizações sociais e políticas como a CSP Conlutas e o sindicato dos metroviários, a marcha do Largo da Batata, onde em aliança com o MTST, se logrou uma unidade inclusive com a CUT, sob a bandeira clara de luta contra o ajuste e por mais direitos.

A esquerda precisa se lançar para construir a unidade de todas as formas, sob a bandeira de luta contra o ajuste e a terceirização.

 Sobre a necessidade de um terceiro campo

 Estamos num cenário de polarização política. Não é menor essa definição. O fato de que os principais oradores dos atos de 1 de Maio tenham sido Lula e Aécio são sintomas categóricos desse nível de politização. E isso nos coloca responsabilidades e oportunidades.

A presença de Luciana Genro no Paraná também confirma essa rota. Após o ato, onde ela foi a principal oradora no terreno político, realizamos um evento- convocado de última hora pelos companheiros do PSOL Paraná- com mais de 500 jovens para discutir com Luciana. A pauta urgente: como construir uma saída pela esquerda para a crise do país.

O impasse social, econômico e político vai se aprofundar. Há um avanço na consciência da classe trabalhadora quanto ao significado do PL da terceirizações e as Medidas Provisórias. Para fechar as contas, Levy precisa levar adiante o ajuste.

Uma série de debates em todo país aponta a necessidade de um terceiro campo. A tarefa de unificar as lutas passa por exigir da CUT colocar data na greve geral que derrote a terceirização durante o debate no Senado.

Um terceiro campo, forjado nas lutas, de caráter político, social, sindical e popular, que defenda bandeiras claras como a luta contra os ataques: precarização, ajuste, redução da maioridade penal e a reforma política de Cunha que ataca direitos elementares.Que aponte a necessidade de levantar bandeiras conectadas com um plano de emergência que garanta direitos com medidas como a taxação das grandes fortunas, o combate ao monopólio da mídia, auditoria nas  dívidas públicas.

Devemos coordenar as lutas em plenárias e assembleias de categorias e setores sindicais, populares e estudantis por todo país.

É hora de unir as lutadoras e lutadores e preparar um plano real para lutar e vencer.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

Abaporu

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin