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35° Congresso do Andes é marcado pelo protagonismo jovem no sindicalismo

Nos dias 25 a 30 de janeiro de 2016 ocorreu em Curitiba o 35o Congresso do Andes-SN, há 9 meses do massacre contra os professores promovidos por Beto Richa em 2015. Curitiba também sediou o Congresso do Andes que votou sua desfiliação da CUT em 2005. É com todo esse simbolismo da luta e firmeza de construir um sindicalismo combativo que realizou o congresso após a greve mais longa da história das universidades federais e de várias greves das estaduais que ocorreram em 2015. Marcado em uma conjuntura tão dinâmica que, a certeza é o aprofundamento dos ataques à classe trabalhadora e o dever de estar em conjunto com todos os setores em luta.

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É importante destacar o papel do Andes nas lutas mais gerais contemporâneas e em especial no movimento sindical. Tendo estado na linha de frente no rompimento com a CUT e depois na construção da Conlutas, vanguarda na luta contra a Reforma da Previdência em 2003 e, sem dúvida, combativo no enfrentamento com o governismo, tem sido um dos principais campos sociais que tem projeto para a universidade brasileira. A intelectualidade marxista sempre teve forte influência no sindicato, que contribui para a formulação em muitos âmbitos de um projeto de educação pública pela esquerda.

Avaliamos que desde junho de 2013 tem ocorrido um processo de polarização das posições políticas – a sociedade está mais politizada, seja mais à esquerda ou mais à direita, devido ao fracasso do projeto de conciliação de classes promovido pelo petismo. A principal expressão deste processo é a juventude, que também tem atuado com peso maior no movimento sindical, assim como aberto um processo de aprofundamento de diversos debates muitas vezes tratados de maneira insuficiente na tradição da esquerda – como é o caso das pautas das mulheres, de negros e negras, LGBTs. Se já no 34o congresso este debate foi iniciado, no 35o Congresso ele foi um dos principais destaques.

No debate de conjuntura, destacaram-se três linhas políticas. A primeira, expressa pela CSP-Conlutas assim como pelo PSTU, aposta numa abstenção da tomada de posição quanto ao impeachment, culminando na conclusão de que é necessário ser pelo Fora Todos. Ainda que seja necessário pautar o descolamento da casta política em relação aos trabalhadores e o povo pobre, esta posição está descolada da categoria. Isso abre espaço muitas vezes para o crescimento de uma segunda posição, defendida por setores governistas: uma política que tenta separar o inseparável – o Partido dos Trabalhadores, Dilma e o ajuste fiscal, como se fosse possível derrotar o ajuste sem lutar contra o governo que o aplica. Nós defendemos a construção de um terceiro campo político, que se distancie da direita bem como do governismo, e que possa construir alianças importantes – acreditamos na defesa do MTST como aliado do Andes articulado à defesa de acompanhar as experiências internacionais para tirar lições.

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O congresso deu passo importante ao aprovar uma campanha de filiação com ênfase aos docentes com vínculos precários, pois, são o setor mais frágil da categoria, sofrem mais assédio moral e não tem estabilidade, refletindo as mudanças no mundo do trabalho que têm ocorrido também na universidade pública – tutores EaD (inclusive na Unirio montaram uma seção sindical específica, fenômeno a ser acompanhado e estimulado), professores substitutos, horistas, visitantes, bolsistas. Este foi um feito histórico no Andes, que pode fazer com que uma base docente importante ingresse no sindicato.

O congresso avançou nas pautas democráticas – em especial mulheres e negr@s. Este foi um debate muito polêmico no qual o ANDES tem que aprofundar entre a categoria, pois apesar das intervenções muito qualificadas, houve posições conservadoras e retrógadas. Outro ponto importante é a inclusão do Andes no calendário feminista, e aprovando a elaboração de uma revista Universidade e Sociedade específica com a temática do protagonismo das luta das mulheres nas lutas sociais. É urgente avançarmos no debate sobre cotas raciais nas universidades e concursos públicos, para enegrecer a universidade e também o movimento sindical.

A inscrição da chapa “Unidade na Luta” para o biênio 2016-2018, cuja eleição será dias 10 e 11 de Maio, também expressa este novo momento em que o desafio será atuar em conjunto com diversos movimentos a fim de avançar na conquista de direitos. É importante destacar a indicação de uma mulher para a presidência – a companheira Eblin Farage (ADUFF), que representa muito bem o acúmulo do movimento paredista e a renovação da base que se expressa em novos lutadores.

Com um plano de lutas reformulado e aprovado por todos esperamos cada vez mais fortalecer a luta por uma universidade democrática e popular. O protagonismo de jovens, de mulheres e de negros deve ser um marco para que o sindicato avance ainda mais num projeto de educação verdadeiramente público, gratuito e democrático. O Congresso foi uma expressão da luta por avanços nas pautas sindicais, mas também nas específicas que fazem parte do dia-a-dia da categoria e que podem nos conectar a movimentos mais amplos para além dos muros da universidade, e com isso fazendo parte das lutas gerais da classe trabalhadora.


Leia nossos textos publicados nos Cadernos dos Congressos

Texto “É hora da unidade para derrotar o ajuste fiscal de Dilma e Levy” (Texto 4 do 35o Congresso do Andes):http://esquerdasocialista.com.br/e-hora-da-unidade-pra-derrotar-o-ajuste-fiscal-de-dilma-e-levy/

Contribuições ao 60o CONAD do Andes: http://esquerdasocialista.com.br/contribuicoes-ao-60o-congresso-de-associacoes-docentes-conad/

Movimento - Crítica, teoria e ação

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Na quinta edição da Revista Movimento, trazemos ao público um especial sobre a crise brasileira. Nele, publicamos longa entrevista com o economista Plinio Sampaio Jr., que oferece instigante diagnóstico do fracasso da política econômica conduzida pelos governos do PT. Fecham a seção dois artigos sobre o poder das corporações no capitalismo global e a teia corrupta que estabelecem com Estados e governos. Um conjunto de artigos sobre a situação internacional aborda as dificuldades enfrentadas pelo governo Trump, a crise na Venezuela e o avanço das lutas no Peru.

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