LGBTs PSOL

Põe a cara no PSOL

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Escrito por MES

Nos dias 26 e 27 de setembro, ocorreu na capital (SP) o II Encontro Estadual do setorial LGBT do PSOL, que reuniu mais de 100 LGBTs tanto de São Paulo como de várias cidades do interior, como Itatiba, São Carlos, Indaiatuba, Rio Claro, entre outras várias. Tamanha amplitude nos dois dias do evento demonstra o corpo que vêm tomado o setorial nos últimos anos, e os novos patamares e desafios que o PSOL se encontra na organização e na luta cotidiana dos setores oprimidos.

O Encontro vem em um momento particular do país. O dique de contenção das forças políticas que foi rompido em junho de 2013 resultou na volta da luta ao imaginário da população, e na disputa da rua como espaço político. Por todo o país, cada vez mais jovens, mulheres, negras e negros e LGBTs se organizam e se fortalecem, e se recusam a voltar pro armário onde por muito tempo foram forçados a estar. Aos LGBTfóbicos e opressores, a mensagem é clara: não levantem o dedo para nós! Ao mesmo tempo, observa-se um recrudescimento de forças conservadoras, que se expressam tanto em uma direita que hoje vai às ruas e não tem medo de dizer seu nome, quanto na direita que compõe o governo do PT, que em nome da governabilidade ampliou o espaço de figuras nas instituições que hoje são as principais inimigas das LGBTs, como Jair Bolsonaro e Eduardo Cunha.

Nesse cenário contraditório e instável, o PSOL aparece pra muitas como uma alternativa para a expressão política das suas pautas. Foram muitas as LGBTs que estavam na rua em junho e, no ano seguinte, observaram na campanha de Luciana Genro um megafone para suas bandeiras. O Encontro, como primeiro espaço depois desses dois fenômenos, carregou esse sentimento. O tom que perpassou foi de vontade de ocupar a política, tanto pra abrir espaço pra pautas historicamente secundarizadas de uma população cotidianamente marginalizada, quanto pra trazer a visão das LGBTs sobre educação, saúde, trabalho e outros temas que são constituintes do programa partidário. O PSOL quer ser um partido que dê a voz a pessoas a quem isso nunca foi dado, inclusive pra que tomem conta de seus espaços e guiem o partido pra mais perto da população oprimida. Nossa lutas individuais podem ser parciais, mas elas se interseccionam pra construir um outro modelo de sociedade, justa e igualitária e sem opressões de nenhum tipo. E isso passa por perceber os obstáculos do movimento LGBT, inclusive a reprodução de opressões dentro de si mesmo. Com isso em mente, a aprovação de uma coordenação LGBT em São Paulo com maioria feminina foi uma grande vitória, e demonstra o compromisso do PSOL de se renovar constantemente para estar à altura dos novos tempos.

É claro que um partido com esse perfil só tem chances de se sustentar se for radicalmente democrático nas suas instâncias. As LGBTs reunidas no encontro também tinham isso em mente, e, à luz da recente experiência de intervenção do Diretório Nacional no setorial de mulheres, aprovaram uma moção de repúdio ao ocorrido, buscando reafirmar a autonomia e liberdade de autoorganização do setorial. As opressões são estruturalmente constituídas, e como tal estão sujeitas a se reproduzir dentro de qualquer partido, mesmo o que se proponha mais libertário. Só com a profunda democracia interna e a liberdade de ações políticas e autoorganização dos seus setoriais é que esse tipo de postura pode ser combatida, e o Encontro foi mais um passo nesse sentido.

O PSOL vem se construindo como uma referência pra LGBTs de todo o país, mas ainda tem muito a avançar pra organizar cada vez mais e mobilizá-las pra alcançar conquistas. Foi votado no encontro uma ampla campanha contra o Estatuto da Família, imposta por esse Congresso reacionário que nega a construção familiar de casais LGBTs ao assumir que uma família é apenas “um homem e uma mulher”. Nossos inimigos são poderosos, mas nós temos nossa indignação que já virou o jogo da política e pode virar mais vezes. E para isso, precisamos de um partido democrático, a serviço das pessoas que querem outro futuro, e que, a partir da interseccionalidade da diversidade que existe nas nossas experiências de vida, sintetize uma unidade que faça uma disputa totalizante e conjunta de sociedade, e que vire do avesso a sociedade como a conhecemos. Contra a LGBTfobia e por outro futuro, põe a cara no PSOL

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