Especial Pernambuco PSOL

Pedro Josephi: LUTAR NÃO É CRIME!

pedro-josephi-dp
Escrito por MES

Por Pedro Josephi – Advogado e militante da Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco

Relutei certo tempo em externar o que passo a fazer agora, sobretudo pelo momento político em que vivemos. Desde a minha adolescência, ainda secundarista, até os tempos na Universidade Católica, onde puder integrar o Diretório Acadêmico de Direito Fernando Santa Cruz e o DCE Dom Hélder Câmara, tive uma militância política ativa e diária. Dias, meses e anos de envolvimento com as minhas convicções e sonhos em uma sociedade mais fraterna, solidária, humana e progressista. Neste último período, dediquei-me com bastante entusiasmo às discussões atinentes ao direito à cidade, ao transporte, à mobilidade urbana, aos direitos da população LGBTT, a luta antirracista, entre outros.

Assim, em junho de 2013, participei e colaborei com o grande movimento, sobretudo da juventude, que exigia participar da política, com pautas e agendas pleiteando melhorias nos serviços públicos de um modo geral, educação, saúde e em especial, no transporte. Aqui, em Recife, fizemos só naquele ano quase 20 protestos, atos e manifestações. Nunca escondi quem eu sou, nunca escondi minha participação neste processo, pelo contrário tenho muito orgulho e sempre dei entrevistas e participei de debates na imprensa. Todavia, após as autoridades políticas (prefeitura, governo do Estado e câmara municipal) fecharem as portas para aquela numerosa quantidade de jovens nas ruas, os ânimos se acirraram e a repressão policial foi a tônica, sem controle algum nosso (afinal de contas quem tem a força é o Estado), como se viu nas agressões aos advogados, militantes e jornalistas.

Como um militante que cumpria a tarefa de estar mais à frente da comunicação, dialogando com a imprensa, fui a exemplo de outros (as), intimado várias vezes para comparecer à diversas Delegacias, às vezes nos horários dos protestos marcados, apesar de nunca ter sido sequer detido. Pelo contrário sempre participei das negociações com as autoridades públicas. Mesmo assim, tive o constrangimento de ter policiais em minha casa para me “convidar” a comparecer e “testemunhar” no inquérito policial. Perguntaram sobre tudo nos depoimentos. Nunca me neguei a ir, embora resignado e sabedor de que pauta de movimento social não é para ser tratada pela polícia. Para nossa surpresa, neste ano, a Polícia Civil concluiu o Inquérito Especial para apurar os danos ocorridos em protestos de 2013 e nos indiciou (eu e mais 7). Ato contínuo, fomos acusados e denunciados pelo Ministério Público por vários crimes. Apesar de ser advogado e lidar com situações da justiça, foi um choque pra mim estar sendo acusado de algum crime. Analisando o Inquérito e as denúncias, observamos que durante todo ano de 2013 nossas comunicações estavam grampeadas (telefone e e-mails) pela polícia, e mesmo assim não há prova alguma de que tenhamos cometido qualquer tipo de crime, seja prova testemunhal, sejam as próprias imagens que só demonstram que estávamos nos atos e nada mais. Não há uma só prova conclusiva que nos impute algo delituoso. Tudo muito frágil. Nos indiciaram, acusaram e denunciaram apenas por sermos “líderes” e tão somente “líderes”. O promotor chega a usar uma foto em que estou sorrindo para aduzir a “minha felicidade em ver o palco de confronto naquele momento”. Fizemos nossa defesa e a vara criminal onde está o processo deve julgar por este mês!

O que está em curso no Brasil é uma evidente criminalização dos movimentos sociais, não só nos dias de atos com a repressão policial, mas criminalizando judicialmente militantes e pessoas que apenas lutam por melhorias sociais! Agradeço aqueles (as) que já tiveram conhecimento e estão solidários (as) a todos nós.

Não nos intimidaremos! Continuaremos firmes na luta! Contra a criminalização dos Movimentos Sociais!

Recife, 19 de maio de 2016.

Sobre o autor

MES

Comente