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Karl Liebknecht: O voto contra os créditos de guerra  

Karl Liebknecht
Escrito por MES

Publicamos no esquerdasocialista.com.br, o famoso voto no parlamento alemão que dividiu definitivamente a social-democracia europeia entre reformistas e revolucionários, no início da Primeira Guerra Mundial e deu origem à III Internacional.

Karl Liebknecht, à época deputado, ao lado de Rosa Luxemburgo e a Liga Espartaquista, foi um dos líderes da luta contra a Guerra e o “social-chauvinismo” dos reformistas partidários de Karl Kautsky e cia. na Alemanha.

Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo

Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo

Tal foi sua importância histórica para o movimento dos trabalhadores, que Vladimir Lenin, em uma conferência que pronunciou a 27 de maio de 1917, num distrito de Petrogrado, declarou:

“Dizem-nos: parece que, numa série de países está tudo adormecido. Na Alemanha todos os socialistas, como um só homem, são partidários da guerra. Unicamente Liebknecht está contra. A isto respondo eu; esse Liebknecht representa a classe operária, nele em seus partidários o proletariado alemão deposita todas as suas esperanças. Não acreditais nele? Neste caso, continuai a guerra! Porque não há outro caminho. Se não tendes confiança em Liebknecht, se não acreditais na revolução dos trabalhadores, na revolução que está em gestação, se não acreditais em nada disto, então acreditai nos capitalistas!”

 

Na segunda Sessão de guerra do Reichstag, em 2 de dezembro de 1914, Karl Liebknecht não só votou contra o Orçamento de Guerra, sendo o único que o fez no Reichstag, mas também levou um documento com a explicação de seu voto. O Presidente del Reichstag se negou a autorizar sua leitura no recinto, e impediu que fosse impresso no  informe das sessões do Parlamento. O presidente proibiu com o pretexto de que o mesmo provocaria questões de ordem.
O documento foi posteriormente enviado por Liebknecht à imprensa alemã, mas nenhum jornal o publicou.  Finalmente, o texto completo do protesto foi publicado na Suiça, no Berner Tagewacht.

Fonte da versão digital em espanhol: Centro de Estudios, Investigaciones y Publicaciones “Leon Trotsky” (CEIP), Buenos Aires.


Fotograf: Willy Römer Liebknecht: agitação contra a Guerra em frente ao Ministério do Interior - Janeiro de  1919

Foto: Willy Römer / Liebknecht faz  agitação contra a Guerra em frente ao Ministério do Interior – Janeiro de 1919, pouco antes de seu assassinato.

© Bildarchiv Preußischer Kulturbesitz/ Willy Römer

 “Meu voto contra o projeto de lei dos Créditos de Guerra do dia de hoje se baseia nas seguintes considerações: Esta guerra, não é desejada por nenhum dos povos envolvidos, não foi declarada para favorecer o bem estar do povo alemão e de nenhum outro. É uma guerra imperialista, uma guerra pela repartição de importantes territórios de exploração para capitalistas e financeiros. Do ponto de vista da rivalidade armamentista, é uma guerra provocada conjuntamente pelos partidos alemães e austríacos partidários da guerra, na escuridão do semifeudalismo e da diplomacia secreta, para obter vantagens sobre seus oponentes. Ao mesmo tempo, a guerra é um esforço bonapartista para desorganizar e dividir o crescente movimento da classe trabalhadora.

O grito alemão: Contra el czarismo! foi inventado para a ocasião -da mesma forma que foram inventadas as atuais consignas inglesas e francesas – para deturpar as mais nobres inclinações e as tradições e ideais revolucionários do povo com o intuito de agitar o ódio contra os povos.

Alemanha, a cúmplice do czarismo, o modelo da reação até hoje, não tem nenhuma autoridade para se levantar como libertadora dos povos. A libertação tanto do povo russo, como do alemão deve ser obra de suas próprias mãos.

A guerra não é, tampouco,  em defesa da Alemanha. Suas bases históricas e seu curso desde o início tornam inaceitáveis as pretensões do governo capitalista de que o propósito pelo qual demanda créditos é a defesa da Pátria.

Karl Liebknecht: Agitação contra a Primeira Guerra Mundial

Karl Liebknecht

Uma paz imediata, uma paz sem anexações, isto é o que devemos exigir. Todo esforço nesta direção deve ser apoiado. Só fortalecendo de forma conjunta e contínua as correntes de todos os países beligerantes que tem tal paz como seu objetivo esta sangrenta carnificina pode ser levada a seu fim. Somente uma paz baseada na solidariedade internacional da classe operária e sobre a liberdade de todos os povos pode ser una paz duradoura. Por tanto, é o dever dos proletariados de todos os países,  levar adiante durante a guerra um trabalho socialista em comum a favor da paz.

Eu apóio os créditos de ajuda às vítimas com as seguintes reservas: voto comprazer por tudo o que possa levar um alívio a nossos irmãos no campo de batalha, assim como aos feridos e enfermos, pelos quais sento a mais profunda compaixão. Mas como protesto contra a guerra, contra aqueles que são responsáveis por ela e que a causaram, contra aqueles que a dirigem, contra os propósitos capitalistas para os quais está sendo usada, contra os planos de anexação, contra o abandono e o esquecimento total dos deveres sociais e políticos pelos quais o governo e as classes dominantes são ainda culpados, voto contra a guerra e os créditos de guerra solicitados”.

KARL LIEBKNECHT.
BERLIN, 2 de dezembro de 1914.

Em 15 de janeiro de 1919, após o governo moderado alemão ter colocado as cabeças dos líderes da esquerda a prêmio, Karl Liebknecht e Rosa Luxemburgo foram assassinados em Berlim.

Leia também: A Guerra e a Social-Democracia da Rússia e  O Oportunismo e a falência da II Internacional

Aufnahmedatum: 25.01.1919  Aufnahmeort: Berlin  Material/Technik: Fotopostkarte  Systematik:   Geschichte / Deutschland / 20. Jh. / Weimarer Republik / Ereignisse / Spartakusaufstand 1919 / Beisetzungen / Liebknecht

Funeral de Karl Liebknecht e outros revolucionários / Aufnahmedatum: 25.01.1919
Aufnahmeort: Berlin
Material/Technik: Fotopostkarte
Systematik:
Geschichte / Deutschland / 20. Jh. / Weimarer Republik / Ereignisse / Spartakusaufstand 1919 / Beisetzungen / Liebknecht

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