Internacional Opiniao

Game of Thrones na Espanha em disputa

PODEMOS
Israel Dutra
Escrito por Israel Dutra

Por aqui a série que mais se aproxima do contexto da falência da casta política[e de Eduardo Cunha como seu maior expoente] é a famosa “House of Cards”. Na Espanha, que vai às urnas amanhã, uma ironia muito bem feita pelo líder de Podemos para criticar a monarquia, traz à lembrança de outra série, “Game of Thrones”. Iglesias “presenteou” o monarca espanhol com um livro da série há alguns anos, criticando com sarcasmos um dos pilares do regime surgido da queda do Franquismo.

As eleições gerais na Espanha estão marcadas por condições locais e europeias. O 20D precisa responder às essas duas dimensões. As pesquisas situam quatro partidos ocupando os primeiros postos, com poucas diferenças entre eles, num caso inédito em termos eleitorais no país.

Na dimensão europeia, há uma grave crise de projeto da União Europeia, onde as amarras econômicas impõe mais austeridade e a condição dos imigrantes afunda o velho Mundo numa tragédia humanitária. Os atentados do ISIS/Daesh contra a juventude e povo francês fortaleceram a extrema-direita eleitoralmente na França; há um giro à direita no país, a começar pelo governo Hollande que instou um Estado de Emergência, expediente que não era utilizado desde a guerra colonial contra a Argélia. Ainda na torrente europeia, a luta por governos antiausteridade está em seus começos, de forma acidentada e errática. A recente derrota da direita em Portugal é um teste para saber quais limites de ruptura com os planos de ajuste e miséria para os povos. Uma derrota da “Casta” espanhola somaria forças às iniciativas que buscam superar os planos da Troika.

Na dimensão da própria Espanha, os três pilares do regime nunca estiveram tão desgastados: a monarquia, o bipartidarismo e o espanholismo que impede a autodeterminação de nações como a Catalunya, País Vasco, Galicia, entre várias.

O regime surgido do pacto de Moncloa no ano de 1978, após a queda da ditadura está em vias de liquidação. A maior expressão é a luta do povo catalão para garantir seu processo de independência; no plano de toda Espanha, os dois partidos que sempre concentravam a ampla maioria dos votos- PP/Conservador e PSOE/Socialistas- devem ter menos da metade de todos os sufrágios. Um fato devastador para o bipartidarismo.

Os conservadores lideram as pesquisas com cerca de 25%, na frente do PSOE que tem 20%. Podemos oscila entre 19/20%, num empate técnico pelo segundo posto. Em quarto está o C’s- partido equidistante ao Podemos com viés liberal, roupagem moderna e caráter direitista- com menos de 18%.
Podemos, grande novidade da política espanhola, que busca traduzir parte das vozes dissonantes das praças e dos indignados, pode ter uma eleição histórica, lutando para ser mais forte que o PSOE.

O partido de Iglesias e de lideranças anticapitalistas como a deputada andaluz Teresa Rodríguez, começou com uma campanha “moderada” e vacilante, mas com sua “remontada” girou à esquerda, reconvocando apoiadores às ruas e se postulando muito bem nos debates televisivos.

Amanhã Espanha ira às urnas para desfazer-se do entulho de um regime agonizante, insepulto. A grande esperança está na tradução política das redes de esperança e indignação surgidas do levante popular e juvenil das jornadas de Maio de 2011.

No jogo dos tronos, lá e cá, semelhança não é coincidência.
Vamos por mais, Podemos.

Sobre o autor

Israel Dutra

Israel Dutra

Israel Dutra é membro da direção nacional do MES e do PSOL.

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