Brasil Circular Editorial

Ante a crise nacional: Apoiar o PSOL pelo Fora Cunha já!

fora cunha

Este criminoso não pode presidir o parlamento nem mais um dia

O povo brasileiro assiste pelos noticiários e jornais a maior crise que o país sofreu nos últimos tempos. Passam os meses e a crise se mostra cada vez mais escandalosa; o país vive uma crise econômica gravíssima em meio a idas e vindas de um impasse político que a aprofunda.

O elemento mais escandaloso, gritante, é a atitude assumida pelo presidente da Câmara dos Deputados (terceiro na linha sucessória da presidência do país) que, governando com soberba e apoiado em uma grande camada de deputados que o seguem, se segura na cadeira e se nega a deixar o cargo.

Este deputado fundamentalista (que se assume religioso) que chegou a rezar “pelo Brasil” no parlamento, não se cansa de dizer mentiras negando sua participação flagrante e demonstrada na corrupção dos negócios da Petrobrás, quando já existem provas de sobra de suas contas de milhões de dólares na Suíça e dos gastos descarados de sua mulher, nos cartões de crédito destas contas, em Miami e outros destinos que ele e todos os políticos que enriqueceram nas costas do povo frequentam.

Uma ampla franja de deputados encabeçados pela direita são tão imorais quanto Cunha (Aécio e os tucanos, o DEM, a Força Sindical, e outros partidos que incluem até o PCdoB!) que seguem o apoiando, fazendo-se cúmplices de seus roubos ao país (dos quais eles, em diferentes períodos, foram e também são parte). Estão interessados que Cunha siga em seu posto não só para defender os privilégios que lhes foram concedidos no parlamento por seu presidente, mas especialmente porque especulam se poderá levar adiante um processo de impeachment contra o governo e, dessa maneira, seus partidos apoderarem-se do poder.

Um impeachment de Dilma seria uma medida escandalosa

Não é difícil adivinhar por quê. Querem ser eles os que contem com a grande fonte de privilégios e dinheiro conseguido governando para as grandes empresas. Querem também aplicar medidas mais drásticas contra os trabalhadores e o povo. A crise econômica fez com que o bolo para repartir tenha diminuído e então, precisam tirar o pouco que tinha o povo, como o Bolsa Família e outras migalhas.

Este impeachment é escandaloso porque os que o promovem já demonstraram ser mais retrógrados que o próprio governo. Para consegui-lo estão usando o método mais inescrupuloso que conheceu a história da democracia burguesa brasileira: defender Cunha, já convertido em um presidente ilegítimo frente à população e à própria justiça.
Mas não nos enganemos: o governo só quer ajuste e mais ajuste

Há uma grande contradição. A oposição de direita – aproveitando o desprestígio que acumulou Dilma por mentir na campanha eleitoral dizendo que ia tudo bem, quando, como dizia Luciana Genro, tudo ia mal para o povo – quer tirar Dilma, que está aplicando as mesmas medidas que aplicariam Aécio, os tucanos e seus aliados se fossem governo: arrocho salarial (que está sendo aplicado com a desvalorização do dólar e o congelamento dos salários), redução dos investimentos públicos em saúde e educação.

Isto é o que também está fazendo Dilma, ao aplicar com seu ministro Levy um plano de ajuste que acaba com alguns poucos benefícios que tem o povo pobre. Congela salários, degrada o papel do trabalhador que ganhou o posto de trabalho com seu suor e dedicação e agora pode perdê-lo sendo substituído por um trabalhador terceirizado.

É por isso que nem o governo de Dilma-PT, nem a oposição de direita podem tirar o país da crise e a paralisia econômica em que está imerso. A razão é simples e será cada vez mais visível para o povo. Porque o governo de Dilma já está aplicando estas políticas, apesar de que, por seus interesses mesquinhos de pode, a oposição parlamentar oportunisticamente possa vetar algumas delas como a implementação da CPMF.

Por outro lado, é bom lembrar também o papel de Lula. As medidas que afundaram o país vem sendo aplicadas desde a época de seu governo com seu presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Agora Lula que aparecer como diferente de Dilma, mas não pode. Quer Meirelles em vez de Levy, que são farinha do mesmo saco.

Há fatos muito impactantes para o povo brasileiro, que tem o privilégio de ver o que não se havia visto com tanta nitidez em nenhum outro país. A espúria ligação entre os grandes empresários, começando por Odebrecht e outras grandes corporações de mineração, agronegócio e os banqueiros, com o governo Lula. Esta associação não se fez de graça. Por acaso se pode negar que José Dirceu, a cabeça condutora mais pensante do PT, anos posteriores ao mensalão se converteu em um grande consultor multimilionário? O mesmo ocorre com toda uma camada dirigente do PT. As atitudes de Lula não são mais que fogos de artifício para salvar seu prestígio, pois o barco, do qual foi e é capitão, está afundando.

Nenhum deles, nem a oposição de direita, nem o governo petista, são capazes de tomar as medidas que poderiam resolver a crise. Taxar as grandes fortunas, restringir drasticamente os lucros dos banqueiros. Se abríssemos os livros-caixa de todas as grandes empresas ficaria demonstrada a imensa fortuna acumulada e as grandes remessas de lucros que as corporações internacionais tiraram do país.

Somemos força ao que está fazendo o PSOL e outros setores para construir uma alternativa

Diante de Cunha, instrumento da oposição conservadora e o governo do ajuste de Dilma e do PT, a voz dissonante é o nosso PSOL que, por meio de sua bancada encabeçada por Chico Alencar, vem lutando com coragem há mais de um mês pelo imediato afastamento de Cunha da presidência da Câmara, como também, por meio do deputado Ivan Valente, denunciando a pizza orquestrada na CPI da Petrobrás.

Repetimos: somente nosso partido, seguido por alguns aliados tem se levantado no parlamento. Grande contradição que vive o país e que explica a crise na qual está imerso. Nosso PSOL, em termos eleitorais e de deputados é pequeno, ainda que esteja representando o sentimento e os interesses da maioria do povo brasileiro que ainda não consegue nos ver. Muitas vezes acontece assim. Quando “os de cima e seus gerentes” entram em crise, a construção de uma nova alternativa é demorada, porque eles ainda têm as armas para confundir, dentre as quais os meios de comunicação.

Custa construir uma nova alternativa, mas isso é possível. As jornadas de Junho de 2013 demonstraram, quando milhões saíram às ruas para rechaçar e estes políticos. Logica e infelizmente nesse momento não se teve ainda a dimensão da crise e, portanto, um programa alternativo ao do governo que criasse as bases para construir um novo poder.

Por isso, um ano e meio depois, setores da direita se aproveitaram do descontentamento e saíram às ruas em torno de uma linha a serviço da casta política, pedindo o impeachment de Dilma. Mas mostraram que tinham “pernas curtas”. Uma parte da classe média os seguiu apenas por um tempo. Ou não vêem alternativa nos velhos políticos, ou se tornam conscientes que trabalham para voltar a um passado impossível e que é tão ou mais reacionário que o presente, pois também vão “ajustar” a eles mesmos.

Por estas razões estão abertas as condições para a construção de uma nova alternativa. Elas existem e não será só o PSOL quem poderá construí-la, ainda que tenha autoridade para tentar. Luciana Genro, quando foi candidata a presidente obteve um milhão e meio de votos (poucos, em relação à casta política), entretanto, foi a única que disse a verdade ao povo. Denunciou os interesses alheios ao país e a serviço das 5 mil famílias mais ricas de banqueiro e corporações da casta política. Propôs medidas alternativas pra superar uma crise que já era visível e que Dilma ocultava, entre elas a taxação dessas grandes fortunas que lucram com o trabalho e as muitas riquezas que tem nosso país.

Por esta conduta a favor do povo é que nosso partido é consequente. Enquanto outros partidos (destes parlamentares e do governo) só se movem pela lógica de apoderar-se novamente do poder ou conservá-lo para defender os ricaços e enriquecer eles próprios, o PSOL existe para defender o povo. Não estamos sós nem nos autoproclamamos como “salvadores da pátria”. É preciso construir um terceiro campo com todos aqueles que se mobilizam contra a direita e contra o ajuste de Dilma e Levy, apoiado por Lula.

Novas eleições para uma Assembleia Constituinte Soberana e com um poder que reorganize o país

A necessária e urgente saída de Cunha, entretanto, não resolve todo o problema. Seria um grande avanço para começar a limpeza radical do regime político que necessita o país e um novo plano econômico. Como fazer esta limpeza? É preciso estabelecer novas regras para que existam eleições livres e democráticas, com direito à participação de associações e cidadãos, para realizar um processo de reorganização constituinte que modifique as bases política e econômicas que já se mostram podres.

Um processo constituinte debatido pelas bases do povo permitiria desmontar a casta política e substituir a velha ordem que se mostrou obsoleta. Necessitamos trabalhar para isso em todos os terrenos possíveis. Participando das mobilizações populares contra o ajuste de Dilma/Levy, preparando as próximas eleições municipais nas quais, seguindo o exemplo do que acontece em várias cidades do mundo, onde triunfaram novas formações políticas. No Brasil daremos uma forte investida contra os partidos da casta com os candidatos do PSOL, que serão capazes de construir com as comunidades, personalidades políticas e movimentos sociais, governos municipais de outro tipo e que também abrirão caminho para a criação de um novo poder popular na perspectiva de um novo processo nacional constituinte.

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